Será possível que só eu fique impressionado com a seriedade das moças que dançam axé? Não falo das que são pagas para isso e se enfiam em shortinhos mínimos para rebolarem suas carnes a um palmo das lentes das câmeras de TV. Não: estas sorriem até terem cãibras, e dão cotoveladas umas nas outras na eterna disputa por uma capa de Playboy ou um programa infantil. Falo daquelas que, numa festa ou casa noturna, mostram sua desenvoltura bailante na pista de dança. Como são sérias, essas moças! Sábado mesmo estava numa festa de casamento e reparava (com interesse puramente sociológico, vejam bem) nas garotas que dançavam. Que compenetradas, algumas até sisudas! A letra da música dizia “Mexe a bundinha / bem devagarinho”. Elas, obedientes ao vocalista fanho, mexiam a bundinha (bem devagarinho, é claro). Mas sérias. Concentradas. Algumas, mesmo fora da pista por timidez ou fastio, reproduziam uma versão minimalista da coreografia, rebolando de leve na cadeira e levantando as mãozinhas a meia altura.
Sei não, sei não… Deve haver aí algum segredo oculto aos homens e às mulheres mais velhas. Há de existir nos ritmos baianos algo de mantra, de Om. Reparem nas meninas que dançam: com suas faces sérias (tão sérias!) e seus movimentos perfeitamente sincronizados parecem praticantes de algum tipo de Tai Chi Chuan requebrante.
Nem todas são assim, é claro. Há mulheres que riem enquanto dançam. São as que erram o passo. Reparem.