Vocês hão de estranhar esse repentino título de santo sapecado por mim no sempre demoníaco Gravataí Merengue. Mas já explico: Ontem ele veio falar comigo no ICQ para perguntar se eu tinha conexão rápida à internet. Repondi que sim, então ele disse que ia me passar o arquivo. E era e-nor-me!!!
— Porra, Gravata. 35Mb.
— Vale a pena, cara. Relaxa.
E valia MESMO a pena: Uma gravação dos anos 80, do programa Chico & Caetano. A banda toca a introdução e Chico Buarque começa a cantar O Quereres, de Caetano:

Onde queres revólver, sou coqueiro
onde queres diheiro, sou paixão
onde queres di…cans… Er.

Se enrola todo com a música e bota as mãos na cabeça, num gesto de mea culpa:
— Desculpe. Tem dias que eu fico pensando: Por que diabos insisto nessa profissão — a câmera dá um close no rosto dele, que se vira para o Caetano com cara de moleque que fez coisa errada — Eu tô dando tudo de mim. Juro que tô.
Caetano, malicioso, não perdoa:
— Não exagere…
— Hahahaha. Vai dar certo.
Aí a banda começa de novo, e os dois cantam a música toda, agora sem erros, mas com trocas de olhares marotos entre os dois. Uma linda viadagem.
Agradeço a São Gravata pela graça alcançada.