Resistência
Ela entrou quando eu estava no meio de uma frase. Entre pessoas agradáveis e recém-conhecidas, falava minhas baboseiras de sempre. E então ela entrou. Linda, linda. Pensei que eu fosse interromper minha frase pela metade, olhando embasbacado para ela e deixando todos atônitos com meu estranho comportamento.
Mas aí minha consciência — que tem a voz do Maguila, sério! — me acordou pra vida:
— Continua o que cê tava falando, senão eu vô ti dá mutcha pór-rada!
E com razão: interromper o que estava dizendo seria repetir um erro já por demais cometido, e embarcar mais uma vez para a mesma viagem ruim. O dèja-vu era muito forte para ser ignorado. Então continuei. Dei uma vacilada na voz, mas ninguém deve ter percebido.
Elas não vão mais me pegar tão fácil assim. Tô esperto.




comigo tem jeito naum, ja me pegaram…
tomara que elas não sejam muito duras conosco
De tudo se elas forem duras, tomara que não sejam grandes, grossas nem veiudas… TOMARA!!!
o dèja-vu foi uma falha no Matix… normal…
Deixa eu advinhar… ela tinha olhos azuizz?
Que pena, Marco. Qual a graca de uma vida sem paixao? Apaixone-se! Tente, teste, foda-se!
Que bom que a sua polícia do vexame está na ativa e funcionando… a minha já funcionou bem mas sofreu avarias no último ano.
Talvez porque eu tenha sentido o sangue nas veias de novo… qual é o preço que se paga por não se deixar emocionar desta forma ?
Faz tanto tempo que eu quase tinha me esquecido…
Agora é fugir da polícia de vez em quando, mas sem pena de morte.