Ela entrou quando eu estava no meio de uma frase. Entre pessoas agradáveis e recém-conhecidas, falava minhas baboseiras de sempre. E então ela entrou. Linda, linda. Pensei que eu fosse interromper minha frase pela metade, olhando embasbacado para ela e deixando todos atônitos com meu estranho comportamento.

Mas aí minha consciência — que tem a voz do Maguila, sério! — me acordou pra vida:

— Continua o que cê tava falando, senão eu vô ti dá mutcha pór-rada!

E com razão: interromper o que estava dizendo seria repetir um erro já por demais cometido, e embarcar mais uma vez para a mesma viagem ruim. O dèja-vu era muito forte para ser ignorado. Então continuei. Dei uma vacilada na voz, mas ninguém deve ter percebido.

Elas não vão mais me pegar tão fácil assim. Tô esperto.