Nesses três anos de profissão, nada me assusta mais do que cobrir eventos. Enquanto estou na redação, estou bem. A redação é um ambiente amigável, com gente que eu conheço e onde eu faço o que gosto de verdade: escrever. Só que ser repórter não é só escrever: é apurar, entrevistar, investigar, sondar, blablablá. Quando saio para cobrir eventos — ainda mais eventos importantes, que duram vários dias e tal — me sinto o último dos manés. Olho para os colegas e todos eles têm suas fontes, informações exclusivas, histórias para contar. Quanto a mim, ando pelo evento, assisto a painéis e palestras, visito a exposição, e não consigo ver nada de interessante. Os mesmos palestrantes repetem os mesmos assuntos para as mesmas pessoas. Nos painéis de debates, cada participante concorda alegremente com o que os outros falam. Nos estandes, duas, três, oito empresas demonstram produtos idênticos, apresentando-os como exclusividades magníficas. Eu não entendo.

E aí está o grande problema: não tenho o desembaraço necessário para abordar pessoas, apresentar-me, puxar assunto. Sou reservado com gente que não conheço, o que não é aconselhável para quem se propõe a ser um repórter. Então observo, escuto conversas, presto a maior atenção e, se achar que vale a pena, me obrigo a chegar perto e dizer, “Oi, sou repórter, queria conversar com você sobre esse negócio aí.” Só que eu raramente acho que vale a pena.

Minha impressão é que não tem nada de novo acontecendo, que “inovação” é só uma palavra que já está saindo de moda, que certo mesmo estava o autor do Eclesiastes. Mas não é possível. Estou numa sala de imprensa cheia de jornalistas, ao lado há outra sala cheia de assessores de imprensa. Essa gente toda não ia convergir para um mesmo lugar se não houvesse nada de novo acontecendo.

Ia?