Eu não queria falar aqui sobre espiritualidade nem nada assim. Não gosto muito de falar de minha intimidade, e a vida espiritual é o que cada pessoa tem de mais íntimo.
(Há quem pense que é a vida sexual. Pessoas que pensam isso são imbecis. Voltemos.)
Pois então. Só que é cada vez mais comum que me classifiquem como ateu. Ateu, e só. Acho estranho isso, e me incomoda. Porque fica parecendo que eu estacionei num ponto: “Deus não existe, pronto, acabou”. Oras, tal postura é inimaginável parar mim. Sou cético, é verdade. Mas não quero que o meu ceticismo me impeça de reconhecer Deus caso um dia ele resolva aparecer. Eu considero a possibilidade de sua existência, mesmo porque não considerá-la é mais do que mesquinho: é estúpido. Só que eu não vou sair por aí proclamando que creio só porque essa é a atitude socialmente aceitável. Não vou! Passei a maior parte da minha vida mantendo uma fé capenga, originada da minha criação e da freqüência à igreja. É claro que esse tipo artificial de crença não poderia sustentar-se por muito tempo: livrei-me dela, e fico feliz com isso. É ruim não ter um Deus para o qual apelar às vezes, mas pior ainda seria fazê-lo duvidando.
Entenderam? Não sou ateu: sou só um cara no meio de uma busca, assim como qualquer um que não seja um completo idiota.