Você acha que sofre? Sofre porra nenhuma. Sabe quem sofre? Os cavalos.
Um cavalo nasce sem saber seu destino: se será um rei das canchas, um garanhão reprodutor de esperma mais valioso que o ouro, uma montaria para reis ou um reles puxador de carroça. O eqüídeo só tem uma certeza na vida (ou deveria ter): a de que será sacrificado.
Não há cavalo que morra de velho. Quebrou a pata: sacrifica. Cortou a barriga: sacrifica. Está com enxaqueca: sacrifica. A rainha está em perigo, os dois bispos já se foram e você prevê um xeque-mate em cinco lances: sacrifica.
Estava vendo dia desses uma reportagem num haras. Um sujeito limpava o casco do cavalo e explicava que, se a limpeza não fosse feita a certos intervalos, o casco ficaria propício à proliferação de fungos. Se isso acontece, adivinha o que fazem com o bicho? Sacrificam, claro.
Não, não. Pare pra pensar: você tem micose, passa Vodol que passa. O cavalo tem micose, vai comer capim pela outra extremidade (do capim, mente poluída!).
O cavalo é o único bicho que o homem domesticou para depois encurtar-lhe a existência. Hoje em dia os cachorros vivem mais de 20 anos, os gatos vivem mais de 15. Se seu cachorro espirra, você diz “saúde”. Se seu cavalo espirra, você diz “adeus, amigo”, e já sai à procura de um veterinário.
Se eu fosse cavalo, seria o bicho mais hipocondríaco do mundo (aliás, esse prefixo hipo-, sei não…). Qualquer coceira me tiraria o sono.
Se um dia eu tiver um cavalo, botarei nele o nome de Eutanásio.