Enquanto esperava o ônibus para iniciar mais um dia agradável e nada estressante, assisti a uma cena que me fez voltar aos tempos do Velho Testamento. Na calçada, um moleque aplicava uma gravata no pescoço de outro. O que sofria a tentativa de estrangulamento primeiro recorreu a mim:
— Tio, ele tá me matando.
Vendo que eu só dava risada, ele resolveu argumentar com o outro:
— Cê tá apertando meu pescoço. Pára.
E o outro apertando.
— Olha que Deus tá vendo…
O outro nem aí. Emputecido ao limite, o moleque apelou de vez:
— Ô, Deus. Mata ele pra mim.
É ou não é um típico profeta dos tempos da juventude de Javé? Só o que estragou é que o outro moleque parecia um agnóstico daqueles bem ranhetas: relaxou um pouco o apertão e, vendo que não havia sinal de raio que o fulminasse, retomou a tortura.
O mal do mundo é essa falta de fé na ira divina.