— Essa mulher pisca enquanto fala!

— Calma.

— MAS OS OLHOS DELA DUBLAM AS PALAVRAS!

— Caaaaaaalma…

Enquanto eu me irritava com o tique de Mariana Ferrão na TV (Bandeirantes, na época), minha então namorada (agora esposa) tentava me acalmar, sem sucesso. Eu olhava para aquela moça, bonita até, e me irritava com seu sorriso de gengiva e seu piscar frenético.

Foi só uma das ocasiões em que perdi o controle de meu temperamento. Em casos como esse era mais fácil: como o alvo da minha ira era alguém inalcançável, eu não magoava ninguém que estivesse por perto. Passava ridículo, e só.

Bom, com o tempo fui ganhando fama de pavio curto. Por conta de uma discussão besta certa vez destratei o Edu Edu de uma tal forma que ele ficou vários dias sem falar comigo. Emendei a situação comprando para ele a edição especial de Curtindo a Vida Adoidado. Ele perdoou, mas não esqueceu. Tanto que, quando apareceu uma produtora do Bom Dia Brasil falando que precisava de personagens para uma matéria sobre pavio curto, ele imediatamente se lembrou de mim. A moça me telefonou, fez uma pré-entrevista e agendou o horário para a gravação.

A equipe chegou ao nosso apartamento pontualmente. Abri a porta e dei de cara com Mariana Ferrão, sorridente, gengivante e piscante.

Lá pelas tantas, ela me perguntou o que me irritava. Falei em gente que joga lixo na rua, que faz muitas perguntas, que fala comigo quando estou concentrado. Mas minha vontade mesmo era responder: “VOCÊ! VOCÊ E ESSE SEU PISCA-PISCA DO INFERNO! MORRA!”.

Me contive.