Jesus, me chicoteia!

Cientistas

No jardim, Richard Dawkins fazia bonecos de barro e assoprava suas pequenas narinas.
Na fonte, James D. Watson levantava teatralmente os braços, tentando repartir as águas ao meio.
No corredor, Stephen Hawking apontava o dedo bom para os transeuntes, na intenção de fulminá-los com um raio.
Na sala de reuniões, o Papa Bento XVI exasperava-se:
— Esses cientistas precisam parar de brincar de Deus!

O Google me odeia

O pessoal do Google não gostou muito do último parágrafo dessa nota. Eu não presto: não contente em bulir com o deus espiritual, fui agora me meter com o deus cibernético. Vamos ver agora para qual inferno me mandam: o da Bíblia ou o de Matrix.

Cada dia é uma surpresa

Acabo de descobrir que minha mãe é fã de Gabriel, o Pensador.

Pensamento

Muito fácil de ser perdida e de difícil recuperação, a fé é decididamente o hímen do espírito.

Dúvida

Bem quea urna do tal do referendo do desarmamento podia ter um botãozinho “sei lá”, né?

Olá, olá

Uma boa notícia, uma má notícia e um pedido.
A boa notícia: estou com o próximo capítulo já quase pronto aqui dentro da cabeça. Deve sair por esses dias.
A má: descobri que perdi boa parte das músicas que gravei para botar no blog. Alguém aí se lembra, por exemplo, da Dança de Israel? Pois é, perdi.
O pedido: você tem alguma de minhas gravações toscas guardada por aí? Se tiver, mande. Ficarei muito agradecido.

Pedidos

Percebo que o potencial deste blog, com tantas visitas e coisa e tal, tem sido sub-utilizado. Aproveito, pois, para fazer alguns pedidos:

  • Conhece alguma empresa que contrate sexagenários? Meu pai está com 61 anos e disposição de quarenta. Tem experiência em tudo que é coisa. Contratem o velho. Ele precisa comprar um carro, já que o seu foi destruído pelo primogênito semi-retardado (eu)
  • Mora na Grande São Paulo e precisa dar uma garibada na casa, apartamento, ou seja o que for? Precisa de um pintor de paredes que trabalhe direito, seja confiável e faça um preço justo? Fale comigo, conheço o cara
  • Dada a quantidade de leitores que tenho, creio que ao menos um há de ser rico. Então é a você, leitor rico, que me dirijo: não quer me dar um carro não? Você entra aqui todo dia, dá risada, se diverte… Custava nada me dar um carrinho, hein?
  • Está vendo aquele banner do Submarino ali em cima? Então: não é enfeite. Se você for comprar algo na loja on-line, entre lá por meio do meu banner. Eu ganho uma comissãozinha, e todos vivemos felizes
  • Ô, leitor rico. E um apartamento, hein? Quero me casar…

Pronto. De volta à programação normal (ou seja, mais uma semana sem postar).

Só mais um post e já vou dormir

Mas que coisinha mais safada o disquinho novo do Los Hermanos, hein?
(que venham as hordas!)

Um roteiro complexo

Já repararam no quanto a história humana se complica com o passar do tempo? Pensem em como era na pré-história bem pré-histórica mesmo: acorda. Sai da caverna. Corre pra pegar umas frutas na árvore mais próxima. Corre de volta pra caverna com medo do mamute. Reúne-se com o clã para uma animada catação de piolhos, o que de quebra fornece proteínas. Faz sexo sem saber bem por quê. Dorme. Pronto: assim são todos os dias dos 14 anos de vida do homem pré-histórico.
Durante milênios, mesmo com a evolução do cérebro humano e de suas técnicas cada vez mais complexas, o roteiro básico permaneceu muito semelhante: arar a terra, plantar, torcer pela chuva, colher, construir um barraco para a família, entrar em guerra com a tribo vizinha, um tédio só.
Então o que aconteceu? De repente ficamos complexos e interessantes demais, e tudo começou a acontecer mais rápido e de formas mais surpreendentes e mesmo harmônicas. O que houve?
Eis a minha tese: por muitos milênios, Deus foi o único roteirista de nossa história. Mas sabem como é Deus: o negócio dele é construir as coisas, ou destruí-las eventualmente. Um trabalhador braçal, pois (embora a construção do universo tenha sido toda na base do “haja isso”, “haja aquilo”. Ainda bem que ele não ficou impaciente com nada no meio do processo a ponto de dizer “haja saco”, porque não sei como seria o mundo. Ok, ok, parêntese longo, já volto). Como eu dizia, um trabalhador braçal, sem grandes pendores artísticos. Então escreveu lá um template de roteiro, achou que estava bom e pronto. Com o tempo os atores começaram a improvisar, para surpresa do autor, mas nada que fugisse muito ao script original.
E então o homem inventou a escrita. Inventou e, como acontece com quase tudo que cria, ficou um tempão sem saber bem o que fazer com a invenção. Mas gosto de pensar que o negócio lá em cima começou a mudar com a morte de Homero. Chegou por lá, preencheu os formulários de praxe, e foi chamado por Deus para um particular.
— Heráclito…
— Meu nome é Homero, ó grande Zeus!
— Mané Zeus! Meu nome é Javé!
— Javé? Peraí. O deus daquele povinho bunda, os hebreus, é o verdadeiro Deus?
— Pois é, rapaz! Piada boa, né? Então, mas não te chamei aqui para discutir teologia. Assunto besta. Queria era te pedir um favor.
— Um favor, Javé?
— É, é. Há um tempão que eu escrevo a história do povo da Terra sozinho. Você não quer me dar uma força com isso não?
— Hum. Como são os prazos?
— Mané prazos! Isto aqui é a eternidade, rapaz. Vai escrevendo aí e a gente vai enfiando na história lá embaixo.
— Então tá.
Gosto de pensar que Homero começou a história da colaboração dos escritores mortos nos roteiros de Deus. Iam morrendo, e o batalhão de roteiristas ia aumentando. Ésquilo, Virgílio, Dante Alighieri, Shakespeare, Cervantes, todos eles. E Vitor Hugo, e Dostoiévski, e Tolstói, e Machado de Assis, e outros escritores que jamais cometeriam a fealdade de separar itens numa enumeração com a conjunção “e” após a vírgula. Não é à toa que todo o século XX foi como foi: boa parte de sua história ficou a cargo de Julio Verne e H.G. Wells. Queriam o quê?
Por isso é que eu não quero mais estar por aqui quando morrer o Marcelo Mirisola.

Câmera lenta

O pior do acidente foi que tudo aconteceu em câmera lenta. Vi o poste chegando, chegando, beeem devagar. E pensava:

— Viiiiiiixe, o pooooooooooosteeeeeeeeee…

Então houve o impacto e eu senti a traseira do carro levantando, a frente se retorcendo e o bicho girando.

— Foooooooodeeeeeeeeeeeeeu. O ciiiiiiiiiiiiinto nãaaaaaaaaao agüeeeeeeeeeenta…

O cinto agüentou, porém, o banco foi jogado pra trás e eu fiquei balangando pra lá e pra cá por um tempo (mas muito lentamente). Vi pedaços do volante e do painel voarem em câmera lenta, e então o mundo voltou a sua rotação normal.

O negócio é que agora eu revivo a cena em todos os seus detalhes. Retrocedo a fita, avanço rapidamente, depois em slow motion, depois quadro-a-quadro. Com o tempo, a coisa sofisticou-se: agora vejo a cena do meu ponto de vista, depois de trás do carro, depois da calçada oposta, depois do ponto de vista do pobre poste.

O resultado é que eu não durmo, então acho que vou atormentá-los com outro post sem pé nem cabeça (ao contrário deste que vos fala, que milagrosamente tem pé, um exagero de cabeça, e tudo intacto entre os dois extremos).

No último post (post, e não poste, seus engraçadinhos), o Leandro Gambim fez um comentário sarcástico perguntando se eu tinha agradecido a Deus por sair bem do acidente. Para minha própria vergonha, devo confessar que sim.

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