O inferno começou na noite da última sexta-feira.

Eu moro no terceiro andar de um prédio da Vieira de Carvalho, reduto gay no centro de São Paulo. Não me importo com os veados — são tranqüilos, engraçados e não mexem com minha mulé. Mas na sexta-feira eu bem queria matar o pederasta desgraçado que parou o carro sob minha janela com o som num volume absurdo. A música que ele (e todo mundo) ouvia:

Solteira, sim
Sozinha, nunca
Sou Garota Melancia
E rebolo a minha bun-da!

Desde então a desgraça da música não sai da minha cabeça. Para piorar, fico pensando no pai de Andressa Soares, a Mulher Melancia. Procurei a música no YouTube; encontrei um trecho do programa da Luciana Gimenez. A Melancia dançava e esfregava a bunda na lente da câmera. Imaginem o desgosto do velho ao ver a filha na TV, cantando isso e rebolando a bunda nas quarenta e duas polegadas da tela de LCD (que ele só tem porque a filha rebola a bunda na TV).

Só matando.