Se eu já não amasse o Pedro, passaria a amá-lo por ter me emprestado O Diabo e o Bom Deus, de Jean-Paul Sartre. Trata-se de uma peça de teatro ambientada (existe isto, “ambientada”?) na Alemanha Renascentista. Mas isso é só desculpa para provocar no leitor (ou expectador ESPECTADOR) uma profunda reflexão sobre a natureza do Bem e do Mal. Soa pesado? Pois não é! Leitura agradabilíssima, com momentos muito engraçados (a cena da venda das indulgências me fez rir sozinho no ônibus; eu sempre pago esse mico). E há um trecho no final que me fez chorar (e engasgar com uma fatia de pão com requeijão):

[...]Supliquei, pedi um sinal, enviei mensagens ao Céu: nenhuma resposta. O Céu ignora até o meu nome. Eu me perguntava, a cada minuto, o que eu poderia ser aos olhos de Deus. Agora, já sei a resposta: nada. Deus não me vê. Deus não me ouve. Deus não me conhece. Vês este vazio sobre nossas cabeças? É Deus. Vês esta brecha na porta? É Deus. Vês este buraco na terra? É Deus, ainda. A ausência é Deus. O silêncio é Deus. Deus é a solidão dos homens[...]

A leitura vale a pena. Recomendo uma garimpagem pelos sebos.