Deprimido, de saco cheio e cansado de ficar trancado em casa na frente deste computador, tomei uma decisão drástica: “Vou ao cinema”. Tão logo decidi, desliguei o micro, vesti uma calça (que eu não usava há mais de três anos, porque não servia mais, rá!), uma camiseta qualquer e rumei para o templo da cultura e do entretenimento. Só que aí lembrei que não sei onde fica o templo da cultura e do entretenimento, então me contentei em ir ao Shopping Metrô Tatuapé. Vi lá um filme qualquer, zanzei pelas livrarias, comi um negócio. Estava tomando um milkshake de Ovomaltine e lendo, quando alguém se aproximou e fez a pergunta:
— Você é o Marco Aurélio?
Levantei os olhos do meu livro. Um rapaz de sorriso franco, portanto um bloquinho de notas, e acompanhado por uma linda garota. Apresentou-se e a ela. Eu tenho um problema muito sério com nomes, mas tenho quase certeza que o nome dele era Juca. Dela eu esqueci. Desculpem, por favor, essa minha deficiência.
Bom. Os dois sentaram-se comigo, conversamos bastante. Juca elogiou meus escritos, o que é sempre desconcertante porém muito gostoso. Depois de algum tempo conversando, os dois despediram-se e saíram. Acompanhei o belo casal com o olhar. Ali estavam as pessoas que vieram para levar minha depressão embora. Muito, muito obrigado aos dois.

(Mas, na boa, custava nada vocês me avisarem que eu tava com um monte de comida no meio do aparelho, né? Cheguei em casa e minha irmã quase teve sua filha com dois meses de antecedência ao ver a maçaroca nos meus dentes…)