“I reject anyone who’s crazy enough to actually go out with me,
and then I bitch about the fact that there aren’t any great women out there.”

(Chandler Bing)

É bem batida aquela frase de Groucho Marx: “Jamais ingressaria num clube que me aceitasse como sócio”. A graça da frase está em sua natureza paradoxal e também no alto teor autodepreciativo. Aplicada noutro contexto, porém, talvez a afirmação torne-se trágica. A relacionamentos, por exemplo.
Assim como Chandler Bing, eu passei os últimos anos rejeitando qualquer mulher louca o bastante para ficar comigo, e depois reclamava que não há mulheres legais no mundo. Acho que cheguei mesmo a escrever aqui no blog que só me apareciam mulheres malucas. É claro: eu achava doida qualquer mulher que manifestasse um certo interesse por mim. Enquanto isso, corria (ou rastejava) atrás de mulheres impossíveis, das quais eu via mais a personagem criado por mim e menos a pessoa de verdade.
Bom, já basta disso: depois de alguns momentos de autoanálise, concluí que tenho, sim, meus atrativos. Não físicos, isso é óbvio, mas tenho cá minhas graças. Portanto, uma mulher que se venha a se interessar por mim não será necessariamente maluca. Meio desregulada talvez, mas não maluca. Ou pelo menos não por isso. Pode ter batido a cabeça quando era criança, ou ter nascido em Cubatão no começo da década de 80, ou ter recebido uma alimentação insuficiente, ou… Ok, ok, estou divagando. O ponto é: pode se apaixonar por mim. Acho que aprendi a aceitar.