Está bem, confesso que me utilizei do orkut para mandar spam duas vezes. Nas duas ocasiões, o fiz para divulgar o lançamento do Balde de Gelo. Fiquei envergonhado a não mais poder, mas acabei fazendo. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Bom, o importante é que tenho meus pudores. Ao contrário do povo por aí.
Todos os dias eu recebo convites para pelo menos dez comunidades que não me interessam nem um pouco: comunidade de ex-alunos de algum colégio em Corumbá, de amigos do Tião, das piadas do Jessé, dos entusiastas de pólo submarino, do Satanás. Nego não quer nem saber: cria uma comunidade e já chama logo todo mundo da lista para participar dela.
Os últimos dias têm sido particularmente dolorosos: além dos indefectíveis convites, agora são toneladas de mensagens de Natal. Lembro-me de quando eu escrevia cartões de Natal: eram 40 ou 50 todos os anos, e eu escrevia um texto para cada destinatário, sem nunca repetir. Quando fiquei de saco cheio, parei de mandar cartões. Simples assim. Não quero chegar ao ponto de um dia mandar para os meus amigos um cartão começado com “Sinceros votos” e minha assinatura no final. Seria o fim da amizade. Quem entra no orkut, escreve uma mensagem qualquer (copiada das piores fontes possíveis, reparem) e a envia para toda a sua lista, talvez não perceba que age como o vereador que manda cartões de boas festas para seus eleitores, ou o diretor da empresa que manda botar um cartão na mesa de cada funcionário: a mensagem não é personalizada, é feita para a massa, e portanto não tem qualquer valor sentimental. Se não tem valor sentimental, que fazer? Jogar no lixo, oras. Ou você conhece alguém que guarde os cartões daquele vereador. “Ah, esse o Dr. Fulano mandou em 1988, quando ele foi eleito pela primeira vez. Tão lindo…” Pois é.

Estou para sair do orkut (de novo), e só não o faço por conta de duas ou três comunidades bem interessantes. Vamos ver até quando essas ilhotas de interesse resistem aos violentos mares da estupidez.