Fui assistir ao filme Encontros e Desencontros (“Lost in Translation“) há uma semana, e só agora me resolvi a escrever sobre ele. Motivo: o Jairo, meu cunhado, ficou entusiasmadíssimo com o filme, e não me deixou em paz enquanto não assisti. O problema é nosso gosto para filmes poucas vezes coincide: ele odeia Amèlie Poulain e acha Magnolia apenas bom, enquanto eu não alimento a mesma paixão que ele por Great Expectations. Dos filmes em cartaz, meu preferido até agora foi 21 Gramas, que ele achou fraco.
Enfim, fui assistir ao filme acreditando que seria melhor do que 21 Gramas. Não é. Mas é bom, muito bom. Há um excesso de longas tomadas que servem apenas para mostrar o quanto o Japão é diferente. Imagino que a diretora tenha pretendido criar uma atmosfera com isso; não funciona. De resto, é engraçado (em algumas cenas Bill Murray faz rir mais do que em toda sua carreira), é bonito, é delicado. E o que mais me atraiu foi o fato de tratar-se de uma comédia romântica sem romance: o filme, na verdade, é sobre a amizade entre um homem e uma mulher. Saí do cinema pensando nas minhas amigas: pensei em Mariana, pensei em Fernanda. E pensei em Daniela, claro.
Somos amigos há oito anos, e nesse tempo tornamo-nos irmãos. Em todos os momentos estamos presentes um na vida do outro. Em determinadas situações, eu penso “O que a Loira diria agora?”, ou ela pensa “O que o Marco faria?”. Sim, nossos parâmetros são bem fracos. Não importa: somos irmãos.
Ainda na Paulista, liguei para saber como ela estava (mesmo sendo dia de fechamento da revista, e correndo o risco de ser xingado). E ela nem sabia que era por causa do filme. Bom, agora sabe.

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Aos imbecis que não acreditam em amizade de verdade entre homem e mulher, recomendo que assistam Lost In Translation.