Jornalista é gado
A historieta da Intel já deu o que tinha que dar. Conversei bastante com a assessora, e parece que tudo foi uma mistura de mal-entendidos com uma presepadazinha. Nada de mais, pois. Só que a discussão pegou fogo lá no Pérolas. Estudos mostram que os jornalistas brasileiros têm em média um ego duas vezes maior do que o de um argentino comum. Então foi aquele furdunço: jornalistas de redação falando dos assessores, assessores achincalhando os repórteres, nego pregando a revolução, enfim, coisinhas divertidas. Porém, o comentário de um retardatário me chamou a atenção, justamente por referir-se a mim:
É claro que o bonitão (ou bonitona) não se dispôs a dar a cara a tapa: o comentarista se oculta por trás do escudo covarde do anonimato. Não me interessa quem seja, também. Dá para perceber que se trata de mais um que considera o jornalismo um sacerdócio, uma função sagrada a ser exercida apenas pelos iniciados. Pobre alma. Ainda não percebeu que jornalista é gado, e que segue a direção determinada por seu patrão boiadeiro. A questão toda é o diploma? Eu já estive numa faculdade de jornalismo. Se aquela papagaiada toda fez diferença na vida do caro anônimo, só tenho a lamentar. Formação cultural independe de universidade, e um texto decente nasce da leitura compulsiva, não das cadeiras mágicas da faculdade.
Não sou jornalista, e não pretendo sê-lo. É só uma profissão que exerço no momento. Se me aparecer uma atividade mais interessante, largo o jornalismo com gosto. Não vejo nada de sagrado no jornalismo, e não me sinto socialmente responsável por ser (estar) jornalista. É um trabalho: vendo parte do meu tempo e do meu parco talento para uma empresa, a empresa me paga uns caraminguás, e assim vamos vivendo. Não é um privilégio ser jornalista. Não é a coisa mais linda do mundo. Não é emocionante. Só um trabalho besta.
Agora, só não entendi uma coisa: pagando de jornalista-gatinho por todos os cantos da internet? Eita preula! E eu tenho culpa de ter um blog que as pessoas gostam de ler, e que o que eu escrevo por aqui ecoe em outros rincões da rede? Apaporra! Comecei o blog antes de ser jornalista, e este troço continuará existindo depois que eu mudar de profissão.
Jornalista é uma raça muito estranha, credo.




Tem gente que se cura com benzedeira. Mas ninguém chama a dita de cuja de “médica”.
Concordo como Bruno.
E sou de Maceió, lugar onde programas policiais virou máquina de eleger deputados, prefeitos e etc.
Todos sem diploma q pegam o microfone e manipulam a opinião dos q gostam de ver carnificina na hora do almoço.
Completamente de direito e lógico jornalistas formados defenderem o direito q outras profissões defendem.
Acho o sindicato dos jornalistas muito parado por deixar que qlqr semi-alfabetizado se passe por jornalista.
Não sou, nem curso e nem pretendo ser jornalista.
É minha opinião.
Espera aí, alguém foi reclamar que o Serra, Economista, foi Ministro da Saúde ?
Pelo que eu saiba o Marco é Analista de Sistemas e escreve muito bem e pelo que eu entendi quando li este post, quando ele diz que jornalista é gado, ele está querendo dizer que são os profissionais que seguem para o front(abatedouro) e os demais, aqueles que apenas usam frases de efeito em seu trabalho, ainda não podem ir, porque se encontram com a bunda suja…E tenho dito.
Os Jornalistas são uma das criaturas mais inteligentes da terra, perdendo só para os americanos. Tirando a inveja, chegam bem perto a Deuses…
vc escreve bem, meu garoto.
não desperdice seu tempo com o jornalismo.
Estava concordando com você, mas ao partir para: “…Só um trabalho besta.”, perdeu meu respeito.
Sim, sou jornalista, com diploma. Realmente grande parte do fazer e ser jornalista se aprende no mercado, não na faculdade. Mas tbm não me arrependo de ter passado quatro anos estudando jornalismo. Aprendi mto, amadureci mto e quebrei mtos tabus que tinha. Mas isso nem vem ao caso agora.
O fato de você ter colocado a profissão como um trabalho besta, torna você um outro besta, já que, como disse, a exerce, concorda?
Você foi desreipeitoso com a categoria. Não é porque não gostou de certo comentário de um jornalista que deve descontar sua raiva em todos nós, que exercemos a profissão com muita paixão, sim, paixão. Você como “jornalista”, deveria saber que não se deve fazer generalizações, não?!