Bem que eu estava me achando estranho hoje. Uma vontade incontrolável de fazer o bem às pessoas, de dizer coisas legais a todo mundo. Dei flores para uma amiga triste, liguei para um amigo doente, desejei boa sorte em sua nova empreitada a um casal de amigos, mandei um email carinhoso para uma garota que me odeia. E agora que cheguei em casa entendi: Fabrícia morreu hoje à tarde.
Fabrícia era minha prima. Morava na cidadezinha de Coaraci, sul da Bahia, onde minha mãe nasceu. Tinha uma doença degenerativa do sistema nervoso central. Há anos não falava nem andava. Mas ainda sorria e tinha um olhar puro e expressivo. Olhar que se tornou triste e opaco depois da morte da minha tia, há algumas semanas. E hoje à tarde essa tristeza, tão grande e que ela não tinha como expressar, levou Fafá embora.
Hoje eu queria muito acreditar em deus.