Evilázio era o nome do meu tio. É o tipo do nome que ninguém mais dá aos filhos. Eu o chamava de Vilau quando era pequeno. Meus irmãos e os primos chamavam de Lalau. Depois de grande, passamos a chamá-lo como todo mundo: Vilazo.

O Vilazo usava sabonete Phebo, tomava água de moringa em caneca de alumínio, teve um jipe Willys, gostava de pescar — tudo coisa que eu imitei (o jipe eu ainda vou ter). Vendeu galinha a vida toda, dirigiu muito caminhão de galinha Brasil afora. Lembro de umas duas ocasiões em que ele trouxe tatu de uma viagem. A gente passava o sábado brincando com o tatu, se afeiçoava ao bicho, e no domingo ele ia pra panela. A gente comia, que jeito? O Vilazo andava pelo mato, via um riacho, via o mar e dizia: “Dá pena a gente morrer e deixar tanta coisa bonita pra trás”.

Talvez tenham sido as galinhas o vetor do fungo que matou meu tio. Meningite fúngica é coisa muito rara, e quando acontece é com pacientes de HIV. Ele não tinha HIV, nem câncer, nem nada. Mas teve a meningite, ficou quase três meses no hospital. Melhorou, piorou, fez uma cirurgia de altíssimo risco, sobreviveu a ela, vinha melhorando. Morreu ontem de madrugada, nove dias depois do meu pai.

Dói. Eu não entendo.