Elias, a seca e a viúva
No último capítulo (lá se vão três meses), vimos que a situação no Reino do Norte ia de mal a pior. Enquanto Judá vivia tempos de calmaria, com o piedoso Asa no trono, em Israel cada rei coroado era pior que seu antecessor. Essa série culminou com Acabe que, não contente em permitir que o povo adorasse outros deuses, empenhou-se ele mesmo em irritar a Javé. Para começar, casou-se com Jezabel, e passou a adorar o deus Baal. Não só isso: o rei mandou erguer um templo em Samaria em honra a Baal, para concorrer com o templo de Jerusalém, dedicado a Javé.
Lá de cima, Javé assistia a tudo isso e tentava manter-se calmo. Sentia um tremor no canto do olho direito e no lábio superior, e procurava conter-se. Sabia que, se deixasse sua ira manifestar-se de forma plena, destuiria não só Israel, mas, no mínimo, metade do Sistema Solar. Então respirava fundo, contava até 10 trilhões, e tentava escolher um profeta que pudesse enfrentar a audácia de Acabe. Pensou, pensou, e acabou escolhendo Elias.
Elias era um profeta da pequena cidade de Tisbé, em Gileade. Era um bom rapaz, trabalhador, disciplinado. Pouco conhecido fora de sua cidade, surpreenderia a todos quando começasse a falar em nome de Javé. Perfeito. Feita a escolha, Javé foi ter com o profeta.
— ELIAS!
— Quê?
— MANÉ “QUÊ”! SABE QUEM ESTÁ FALANDO?
— Assim, pela voz, não. Se você aparecesse ia facilitar um bocado.
— EU SOU O QUE SOU!
— Eu também, ué. Aquela pedra ali também. Que coisa… Olha, eu tenho mais o que fazer e…
— CALABOCA! EU SOU É DEUS, TÁ ME OUVINDO? DEUS!
— Deus, é? Qual deles? Tem um monte por aí, sabe como é.
— SOU O ÚNICO DEUS, PORRA! JAVÉ!
— Ah, esse. O que manda, Javé?
— Você não vai ficar nem um pouco impressionado, caralho?
— Deveria?
— …
— …
— Cê tá falando sério?
— Ah, puta que pariu, até o Senhor? Por que é que todo mundo me pergunta isso?
— É essa sua postura, Elias.
— Que que tem minha postura?
— Esse seu jeitão aí, sei lá. Meio… cínico.
— Você acha?
— Cê tá falando sério?
— ARGH!
— Bom, vamos parar de papo furado. Você sabe que Acabe está fazendo de tudo para me irritar. Casou-se com aquela vadia, construiu um templo para Baal, vive naquelas surubas sagradas e não sei que mais. Eu quero que você vá lá e acabe com isso.
— Ah, é só isso? Que bobagem!
— …
— Ok, ok. Continue.
— Quero que você vá ao palácio e dê um recado a ele. O resto a gente vê depois.
Foi assim que, no dia seguinte, Elias foi ao palácio falar com o rei.
— Acabe! Trago um recado de Javé para você!
— Peraí, peraí, peraí… Quem você pensa que é para vir aqui falar comigo nesse tom?
— Sou Elias, e trago a seguinte mensagem: não vai cair chuva, nem mesmo sereno, até que eu ordene que a chuva volte.
— Hein?
— É isso. Vem uma grande seca por aí. Só vai voltar a chover quando eu mandar.
— Porra, tu é manda-chuva, é?
— …
— Rapaz, cê tá falando sério?
— TÔ, PORRA!
— COMO É QUE É? GUARDAS! Capem esse feladaputa!
Elias ia perguntar se o rei estava falando sério, mas achou melhor sair correndo. Correu até encontrar um lugar para se esconder, e estava encolhido, recuperando o fôlego, quando ouviu a voz de Javé:
— ELIAS!
— PORRA! Quer me matar de susto?
— Epa, foi mal. E aí, como foi lá com o Acabe.
— Falei o que você me mandou falar.
— O lance da seca? Eita! E ele?
— Adorou, disse que é mesmo um cara muito mau, e que merecia isso.
— Sério?
— CLARO QUE NÃO! O FELADAPUTA MANDOU ME CAPAR!
— Ah… Calma, Elias. Faz o seguinte: conhece o riacho de Querite, pra lá do Jordão?
— Conheço.
— Então. Vá praqueles lados, e se esconda por lá. Mesmo com a seca, você vai ter o que comer e o que beber, não se preocupe.
Elias ficou em seu esconderijo até anoitecer, e então partiu para a região do riacho de Querite. Javé não mentira ao dizer que ele teria o que beber e o que comer, mas também não dera a informação completa. Para beber, o profeta só tinha mesmo a água do rio. Até aí, nada mau. O pior era a comida: todas as tardes um bando de corvos vinha trazar pão e carne para ele. Desesperado, o profeta se perguntava:
— Quando é que eu vou voltar a ter uma vida normal?
E os corvos respondiam:
— Never more!
Água do rio e comida trazida pelos corvos. O que parecia ser o pior possível piorou ainda mais quando, devido à seca, o riacho secou. Elias foi queixar-se com Deus, que não se deu por achado: disse que tudo estava sob controle, e que ele fosse à cidade de Sarepta, perto de Sidom, que uma viúva lhe daria de comer. Elias foi, e já às portas da cidade encontrou a viúva catando lenha.
— Com licença, senhora. Poderia me dar um pouco d’água para beber? Estou morrendo de sede.
— Pois não, meu filho. Vou ali buscar a água.
— Ah, muito obrigado. Um pãozinho ia bem também.
— Meu filho, eu não tenho mais pão. Tenho um punhadinho de farinha de trigo e um quase nada de azeite. Vim aqui pegar uns pedaços de pau para fazer fogo para cozinhar qualquer coisa para mim e para o meu filho. Depois disso, vamos morrer de fome.
— O que é isso, minha senhora? Seja mais positiva! Pode ir preparar sua comida. Mas antes pegue a farinha e o azeite que ainda lhe sobram e faça um pãozinho para mim.
— Meu filho, não me leve a mal, mas… CÊ TÁ DE SACANAGEM, NÉ?
— Ai, meu saco… Dona, faça o que eu disse. Sou um profeta, e Javé manda dizer que não acabará a farinha da sua tigela nem o azeite do seu jarro até que volte a chover.
— Hum. Sei não…
— Pode acreditar, minha senhora. Pelamordedeus, tô seco de fome e sede!
— Tá bom, vai.
A viúva fez o que Elias tinha dito e, milagrosamente, a farinha e o azeite multiplicaram-se. Por muitos dias, os três tiveram o que comer. Infelizmente, uma dieta de farinha e azeite não é a mais indicada para uma criança, e o filho da viúva morreu. “Efeito colateral”, disse Javé. “Efeito colateral meu ovo, que agora essa velha me mata”, disse Elias. Confabularam por um tempo, e lá foi ele falar com a viúva.
— Me dá aqui esse defuntinho.
— HEIN?
— Me dá o moleque, rápido!
— Você está falando sério?
— PUTA QUE PARIU, E EU IA BRINCAR COM UM NEGÓCIO DESSES?
Sem esperar resposta, o profeta pegou o pequeno cadáver, levou-o para o andar de cima e o deitou na sua cama. Feito isso, clamou aos céus:
— JAVÉ, CARALHO, POR QUE ME FODESTE DESSA FORMA? AGORA A DESGRAÇADA DA VELHA VAI ACABAR COM A MINHA RAÇA! ELA ME HOSPEDOU, ME DEU COMIDA, E TU MATASTE O MOLEQUE DELA. NÃO FODE, JAVÉ!
Enquanto orava, Elias debruçou-se três vezes sobre o menino. Na terceira vez, o menino voltou a respirar e abriu os olhos. Ao ver o profeta sobre ele, gritou:
— PEDÓFILO!
— Pedófilo é uma porra, seu moleque dos infernos. Volta correndo lá pra baixo, e calado, senão eu te mato de novo.
Ao ver o filho vivo novamente, a viúva finalmente reconheceu que Elias era um enviado de Javé. Queria sair pela vizinhança contando o ocorrido, mas o profeta lhe proibiu. Ainda era um fugitivo, afinal, e Javé não dera ordens para os próximos passos. Elias precisaria ser paciente: a seca ainda duraria três anos.




Você vai arder no marmore do inferno por estar brincando com as escrituras sagradas que Deus tenha piedade de voce…..
ae oh, quero teparabenizar por esse
blog
muito bom mesmu
as historias saum massas=)
valeu
e continue assim
E AI MANE TAVA COM SAUDADE ATE PENSEI NUMA FRASE PRA VC: SE BOSTA FOSSE DINHEIRO POBRE NASCERIA SEM CÙ !!!!! GOSTEI DA PARADA DO NEVER MOOOOORE
é bom saber q pessoas do seu tipo Deus tera um cuidado todo especial. Aguarde
É UM ABSURDO TANTO TEMPO PERDIDO.. NAO ACHEI GRAÇA DENHUMA NESTES TEXTOS…E PRINCIPALMENTE A GLOBO ESTà DIVULGANDO UMA MERDA DESSAS.. INFELIZMENTE ESTA HE A MIDIA EM NOSSO PAÃS.
hahahahaha
melhor parte foi a do Never more…
mandou mto bem com o Poe!!
Adorei o blog, parabéns!!
muito massa…..
divertido e acima de tudo real, algo bem justo e nescessário para o Brasil hoje
muito massa…..
divertido e acima de tudo real, algo bem justo e nescessário para o Brasil hoje
seu lazarento, filho da puta, vai arder no inferno e morar com o capeta seu otário filho da puta mais puta do mundo!!!
jornalista do caralho, não sabe nem escrever direito, otário, lazarento, bichona, merece tudo de ruim, filho da puta
Estou adorando! Parabens. enconteri seu site por indicação da época. è perfeito! Tão bom quanto é ler a indignação desses fanáticos religioso mau humorados…
Que sua inspiração não termine…
Cara, vc tem o cinismo de um cronista. Sabe como entrenter o povo.
Também, como a Regina, encontrei seu site por indicação da Época.
Olha Marco, nem li o post inteiro pq ele tá longo pédédéu. Muito menos os 113 comentários (quando meu blog tiver tudo isso de visita vou ser feliz).
Essa palavra ai, essa que você usa, “deus”, é uma palavra muito da safada e gasta ao longo de milênios de pessoas “matando em nome de deus”. Ondié que já se viu !
Bom, quem se aprofunda um pouco mais no estudo das CIÊNCIAS NATURAIS geralmente começa a ficar meio impressionado com algumas coisas. Tipo, é muita coisa linda que tem por ai, e é muito ordem perfeita (óquei, há quem questione isso…) pra ter sido tudo, tudinho, obra do acaso.
Eu – um cientista – acredito que fazemos parte de algo maior do que nós, e que ainda não temos consciência disso, tal qual uma célula do nosso corpo provavelmente tb não tem conciência (é com “sc” ou só “c” ?) das nossas vontades superiores.
Só não gosto dessa palavra – “deus” – e de tudo que ela andou representando.
OK, admito que não sou muito bom em fazer comentários curtos…
vou comentear depois que eu ler mas achai bem interessante vou visitar sempre
ate mas
aliluia irmaumsss!!
Eu achei uma beleza isso aqui…já contei pra todo mundo da empresa…e o pior é que todo mundo aqui é evangélico…kkkk
Quase me Mataram…cara…continue…vc é fera…