Sempre que se fala nessa praga, imediatamente me lembro do seu Dino (não o seu Dino, ok? Senhor Dino. Bah, você entendeu). Seu Dino era contador (não sei se está vivo ainda) de uma empresa em que trabalhei. Devia ter uns setenta anos, italiano, carrancudo e avesso a todo tipo de modismo e às novas tecnologias. Lembram daquele velho do comercial de lançamento do Corsa (“Pra que tanta cor?!”, “Pra onde esse mundo vai?!”)? Pois então, era igualzinho, e nós tirávamos sarro dele com isso. E ele gostava, porque apesar de querer parecer ranzinza era um velho muito bem humorado e cheio de tiradas ótimas.
E isso com o politicamente correto? Pois uma segunda-feira Seu Dino chegou ao escritório fulo:
— Vocês viram a luta de ontem?
— Não, Seu Dino.
— Porra, aqueles locutores da Globo têm mais é que ir trabalhar na lavoura, porque pra narrar luta eles não servem não. Imaginem que o tempo todo ficavam falando: “Fulano, de calção branco e sapatilhas pretas, e beltrano, de calção vermelho e sapatilhas brancas”. O tempo todo! Esses caras acham que a gente é burro.
— Pô, seu Dino, pega leve. Eles fazem isso porque sempre tem o cara que liga a TV no meio da luta e não sabe quem são os lutadores. E nem todo mundo conhece os boxeadores como o senhor conhece…
— Não é disso que estou falando, ó cavalgadura! O negócio é que um lutador era branco e o outro era preto. Custava falar, “Fulano, branco, e Beltrano, preto?”. Que frescura é essa? PRA ONDE ESSE MUNDO VAI?!