12 de fevereiro de 2002. Nesse dia eu escrevi um post falando sobre minha maior descoberta no mundo dos blogs: o Falecomdeus. O JMC tinha então cinco dias de existência e nenhuma perspectiva. Depois de conhecer o Falecomdeus, me animei: havia espaço para fazer humor tirando sarro do que é sagrado. Desde então me tornei fã incondicional do cara. Fui acusado de baba-ovo, puxa-saco, essas coisas. Nem liguei: a admiração que nutria por aquele sujeito — sobre o qual eu sabia quase nada, só que era carioca — aumentava a cada novo post, a cada novo achado humorístico, a cada piada surpreendente.
Em 5 de setembro de 2002, a surpresa: cheguei ao trabalho e havia uma pessoa pedindo autorização no meu ICQ. Era deus, e logo tratou de provar sua identidade, como eu contei nesse post. Senti-me honrado, lisonjeado, acariciado pela brisa matinal, tocado pelo aroma dos pomares, enfim, passei por um surto de veadagem quase insuperável. A veadagem só acabou quando deus, querendo ajuda num lance lá do blog, me mandou um e-mail usando seu verdadeiro nome. Um nome bem esquisito, aliás. Fiquei puto: ruía a ilusão do contato direto com deus.
Em fevereiro de 2003, outra surpresa: ele me perguntou se eu me importaria se uma divindade carioca aparecesse na festa de 1 ano do JMC. Achei que ele estivesse tirando sarro da minha cara, e só acreditei mesmo quando enfim nos encontramos no Café Piu-Piu, um dia antes da festa. Era um sujeito quieto com cara de pilantra, manjam o tipo? Tá lá no cantinho dele, mas a gente olha e logo saca que ele está tramando alguma.
Desde então fomos nos tornando amigos, e mais ainda depois que ele começou a namorar minha melhor amiga. Mudou-se para São Paulo (Osasco, na verdade…) há seis meses, e pudemos conviver mais amiúde (sempre quis usar isso, “amiúde”. Pô, só o Zé Ramalho pode?). Aprendi que ele é muito mais do que um cara maneiro: é talentoso, engraçado, inteligentíssimo, sabe expor seus argumentos de forma irrepreensível. É bom, leal, atencioso. Domina como poucos sua área de atuação, e começa a ser recompensado por isso.
Talvez tendo finalmente começado a perceber tudo isso — e tendo se mudado de volta para o Rio de Janeiro — resolveu que o Falecomdeus era pequeno demais para ele e resolveu acabar com o blog. Nós, os fãs, lamentamos o fim de uma era. Mas já estamos empolgados com o Tio Dada taí… e o BBC. O talento do Autor é inesgotável.

Pronto, meu velho. A última puxada de saco tinha que ser para arrancar as bolas. Espero ter conseguido