The wrong girl
The wrong kind
The wrong hand to be holding
The wrong eyes to go searching behind
The wrong dream to have on my mind

(Belle & Sebastian)

Curitiba tem todos os aspectos positivos que uma cidade quer ter: é capital ecológica – cartazes na saída do aeroporto informam que há 55m2 de verde para cada habitante (o que deve dar um trabalho danado, pensando bem) –, o sistema de transportes é modelo para o mundo todo, as ruas são limpas e iluminadas, as pessoas exibem o ar altivo dos bem alimentados. Há cultura para todos os gostos, boas escolas e universidades, triunfos arquitetônicos. Tudo por aqui, como bem notou Paula Foschia, é O Maior da América Latina, e o povo se orgulha disso.
E, no entanto, fui tomado por ondas de ódio insano por este lugar. Quero fretar aviões cargueiros em Cumbica, enchê-los com todo o lixo de minha cidade triste para depois despejá-lo sobre as cabeças atônitas dos habitantes desta cidade feliz. Quero sair por aí de motosserra nas mãos, derrubando suas árvores com um sorriso sereno no rosto; quero asfaltar seus gramados. Quero depredar seus tubos e ônibus, e espancar os passageiros; quero metralhar seus táxis cor-de-abóbora com seus taxistas engraçadinhos. Lançar ácido sulfúrico no rosto de suas lindas mulheres, e assistir com deleite suas feições dissolvendo-se, e depois atear fogo às suas roupas caras. Implodir seus teatros, museus, prédios comerciais e shopping centers. Trazer meu sósia Fernandinho Beira-Mar e seus asseclas para cá, e deixar que eles instalem aqui o seu reinado. Ir até sua prefeitura e crucificar de cabeça pra baixo o prefeito japonês.
Porque hoje, em Curitiba, a velha tristeza finalmente deixou cair seu véu, olhando fundo dentro dos meus olhos escuros e sem brilho.