Curitiba
The wrong kind
The wrong hand to be holding
The wrong eyes to go searching behind
The wrong dream to have on my mind
(Belle & Sebastian)
Curitiba tem todos os aspectos positivos que uma cidade quer ter: é capital ecológica – cartazes na saída do aeroporto informam que há 55m2 de verde para cada habitante (o que deve dar um trabalho danado, pensando bem) –, o sistema de transportes é modelo para o mundo todo, as ruas são limpas e iluminadas, as pessoas exibem o ar altivo dos bem alimentados. Há cultura para todos os gostos, boas escolas e universidades, triunfos arquitetônicos. Tudo por aqui, como bem notou Paula Foschia, é O Maior da América Latina, e o povo se orgulha disso.
E, no entanto, fui tomado por ondas de ódio insano por este lugar. Quero fretar aviões cargueiros em Cumbica, enchê-los com todo o lixo de minha cidade triste para depois despejá-lo sobre as cabeças atônitas dos habitantes desta cidade feliz. Quero sair por aí de motosserra nas mãos, derrubando suas árvores com um sorriso sereno no rosto; quero asfaltar seus gramados. Quero depredar seus tubos e ônibus, e espancar os passageiros; quero metralhar seus táxis cor-de-abóbora com seus taxistas engraçadinhos. Lançar ácido sulfúrico no rosto de suas lindas mulheres, e assistir com deleite suas feições dissolvendo-se, e depois atear fogo às suas roupas caras. Implodir seus teatros, museus, prédios comerciais e shopping centers. Trazer meu sósia Fernandinho Beira-Mar e seus asseclas para cá, e deixar que eles instalem aqui o seu reinado. Ir até sua prefeitura e crucificar de cabeça pra baixo o prefeito japonês.
Porque hoje, em Curitiba, a velha tristeza finalmente deixou cair seu véu, olhando fundo dentro dos meus olhos escuros e sem brilho.




caramba… arrebentou!
Pensei que tu ia no niver da Ca…
nem sabia que tava em Curitiba…
Eu já tive meus motivos pra querer mandar essa porra toda pelos ares.
Podemos planejar.
Pra que tanto ódio nesse coração? Não sei o que aconteceu, mas seja lá o que for, não odeie tanto assim. Olhe ao seu redor. Esqueça isso. (Se bem que as vezes é ‘bom’ querer fazer tudo isso)… Enfim. Chega de ódio no mundo!
Beijinhos
Parece que não deu certo né?!
FOda!
A parte de metralhar os taxis e crucificar o prefeito tem meu apoio.
Marquinho, meu filho…
Que coquetel é esse que mistura o Marques de Sade, Schoppenhauer, Margareth Tatcher e Bush (ambos)?????
O que foi que tu comeu em Curitiba que te fez mal? Ou foi o que(m) tu nao comeu que te deixou assim?
\o/ (isto é um abraço) e viado é o cacete.
Curitiba também é a cidade mais hipócrita da América Latina. Tudo ali é pra “inglês ver”, já que é a capital de um estado do sul do país. Assim causa a impressão aos visitantes de que todo o Paraná é um exemplo. Enquanto o governo enfeita a capital, as cidades do interior estão decandentes, com os indíces de miséria e violência mais altos da região sul.
E o Ligeirinho, ein?
Pra quem não conhece, o Ligeirinho não é um tipo de Ricardão que vem e foge rapidinho. É o sistema de ônibus urbano mais decente do mundo. Em que capital do Brasil ou do Mundo voce sai do aeroporto para o centro da cidade, com horário marcado (e obedecido), sem pegar chuva, com direito a conexões para a maior parte da cidade, por menos de 2 reais?
Nossa, não sei o q houve, mas q atiçou a sua imaginação, não tenho dúvidas.
Curitiba é tudo isso de bom mesmo… o fraco de lá é seu povo…acho que as calçadas são tão perfeitas para o povo não tropeçar quando anda com o nariz para cima.
Sinto muito pela sua dor, de verdade!
Aquele par de olhos azuis eram exatamente o que você dizia ser ou na realidade você enxergava só o que queria naquele azul todo e fingia não ver o que lhe prometia provável frustação?
Por favor, não projete mais nos outros aquilo que você quer para si.
Da próxima vez goste de quem com certeza gosta de você.
Eu sei que a gente não manda no coração, mas paixão cara…tá desculpa, tô parando…só acho sacanagem você ficar aí sofrendo com toda essa inteligência, criatividade e simpatia.
Vê se cura logo essa dor! Continuo torcendo para você achar alguém bem legal que te mereça; continuo torcendo para você encontrar um verdadeiro amor.
Desculpa alguma coisa aí.
Bjs.
Elacoelha
moro em curitiba.
mas nao é sobre curitiba o post eu imagino.. tbm odiei essa cidade por motivos parecidos eu imagino.
fique bem!
Bom ontem meu dia tbm foi de merda total,fiquei mó mal,acho que essa coisa de tristeza pega…Uma onda de tristeza que não escolhe ninguem nem onde passar mas pega os “fracos”,como eu!!!E pra piorar bem nessa hr eu olho pros lados e vi que estava sozinha,que as pessoas que me cercam são tão egoistas e insensivéis…Nem mesmo o…Ahh deixa pra lá…só mais um desabafo, sobre aquilo que conversamos bem eu estava certa não você!!!Aonde vou encontrar um cara ???e bem se quiser o cinema tá de pé…comeremos pipoca,refri e balas de caramelo…háháhá…
Meu caro MArco Aurélio, o que não tem solução já está solucionado. A pior coisa que pode passar a uma pessoa é gostar de alguém que não gosta dela… Assim que se algo te aconteceu é porque há com certeza coisas melhores por vir. Saia desse baixo astral de alguma forma pq não vale à pena. Um abraço!
Bem, não sei se o que rolou foi o que o pessoal falou mesmo, mas se foi…bem-vindo ao clube! Tb acabaram de fazer uma associação entre um pé e a minha bunda. No meu caso, a covardia é bem grande, nem um telefonema, uma carta, um e-mail, olhos nos olhos, nada. Estou já há uns 3 dias querendo chorar, e não consigo. Esperando um telefonema. Olhando mil vezes ao dia o celular e a inbox. Rindo pros outros para despistar. Todos os sonhos jogados no lixo. Já imaginei mil vinganças, escândalo em praça pública, gravar um CD só com músicas do tipo “You’ll see…”, devolver todos os presentes, fazer macumba para detonar o concorrente, mandar um comando terrorista explodir a casa dele. E não adianta neguinho ficar tentando consolar a gente, parece que o jeito é sofrer, sofrer, sofrer, até enjoar de sofrer, vomitar tudo, ficar cansado e voltar à tona. O foda é que entre um ponto e o outro vc tem que suportar a ‘vida’…
Poxa, não acabe com Curitiba não. Eu gosto daqui (apesar das calçadas NÃO serem perfeitas como comentou o Leo… tente andar por ali de salto alto ou com chuva).
Deve haver algo daqui que ficou bem guardadinho aí em algum canto. Você vai achar logo e lembrar com carinho daqui.
Fique assim não…existem outras capitais, e outras cores de olhos por aí…
Puxa, Marco, também fiquei triste. Já senti essa dor muitas vezes e demora, muito, para passar. Mas passa. E Curitiba é inocente, pô…
“O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.”
Paulo Mendes Campos
“O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.”
Paulo Mendes Campos
Na boa, véio, isso tudo é falta de sexo. Não esvazia o copinho regularmente, sobe pra cabeça e fica se auto-liduindo e depois caindo do burro.
Lembre-se sempre de uma coisa : os erros nos levam ao acerto, no final. E o ultimo acerto é o que conta, não todos os erros que precederam;.
[s]
Uma beijoca solidaria para voce, mocinho.
:-*
É, quando estou triste eu também quero que o mundo todo se torne feio e triste como eu, naquele instante. Mas, e depois? Tristeza não dura pra sempre (embora volte sempre) e aí, nos momentos de felicidade, o mundo ainda estaria feio como era quando eu estava triste. Então eu me tranco no meu quarto, que, esse sim, é feio, e coloco alguma música bem alto e mando tudo às favas. Depois de algum tempo a música vai abaixando, não se preocupe.
Nem te conheço e nem sei o que aconteceu, mas: Força, cara. :-/
Porra, que maldade com minha cidade!!!
de vez enqdo é bom liberar a mágoa… e, com todo meu apoio, pode soltá-la em Ctba, pois moro aqui e concordo com td….
beijos…
Eu quero que se foda.
Passou?
um texto meio “ai de ti copacabana” adaptado para curitiba, assim como fez Dalton Trevisan que narrou o apocalipse nessa capital ecologica.
procure os dois textos. são bem do estilo que você escreveu.
— I felt like putting a bullet in between the eyes of every panda that wouldn’t screw to save its species. I wanted to open the dump valves on oil tankers and smother all those French beaches I’d never see. I wanted to breathe smoke.
— Where’d you go Psycho Boy?
— I felt like destroying something beautiful.
Fight Club
Adoro a cidade onde moro!!nada a declarar…
É, eu também queria fazer tudo isso. Talvés até um pouco mais. Mas aí eu paro e penso… “O que aconteceria se não houvessem tristezas na vida?”. Deve ser muito chato ficar sorrindo o dia inteiro…
Sou curitibano. O engraçado é que acho essa cidade muito sem graça, de verdade.
Realmente…um povinho pedante.Capital ecológica com todos seus rios poluídos…transporte público modelo, porém não aconselho a ninguém entrar num inter 2 no horário de pico, ou então em qualquer outro busão nos domingos, quando a tarifa passa a valer 1 real.Sabe o que mais me deixa perplexo?É ver PM fardado e sentado em banco preferencial, por vezes ao lado de gestantes ou idosos, bem em pé, defronte ao referido militar.Sem contar do tão comentado caso do som furtado na zona central da encantadora cidade…