Tentando outras saídas
Mão Alheia.
Pra ver se desentope.
Mão Alheia.
Pra ver se desentope.
Leiam os arquivos. Isto aqui já foi bom, juro!
Pois fui à missa, e passei incólume por ela. Nunca tinha visto uma celebração completa, com comunhão e tudo. Claro: as únicas ocasiões em que entrei numa igreja católica foram casamentos. Ia ser bonito de se ver os noivos em pé lá na frente enquanto a fila de fiéis papa sua hóstia. Enfim, vi hoje a comunhão, e achei bem engraçada. Começa com o padre dizendo:
— Este é o Corpo de Cristo
Aí fala mais uma papagaiadas e conclui com:
— Provai e vede que o Senhor é bom.
As duas passagens da Bíblia não têm qualquer correlação, mas postas assim lado a lado soam cômicas. Porque a congregação forma duas filas, e vão todos lá provar um pouquinho do Senhor para ver se é bom mesmo.
Pela cara condoída que eles faziam ao voltar, acho que hoje não estava muito bom não.
Eis o e-mail que recebi hoje:
Nós gostaríamos de ouvir o que vocês, usuários do orkut têm a dizer sobre o nosso sistema. Então, estamos convidando você, através deste e-mail, para que participe de uma pesquisa de marketing sobre o orkut. A pesquisa acontecerá na cidade de São Paulo no dia 19 de novembro (sábado). Os participantes receberão uma compensação de 75 reais em agradecimento pelo seu tempo e auxílio.
O Google respeita e se preocupa muito com sua privacidade e seu tempo. Por isso, gostaríamos de deixar claro que usaremos quaisquer informações obtidas pelo grupo apenas para aprender mais sobre como as pessoas usam o orkut e como podemos melhorar o serviço. Nós não dividiremos essas informações com mais ninguém e elas serão usadas apenas para os propósitos descritos aqui. Além disso, este é um convite único e não será enviado novamente.
Se você desejar participar desta pesquisa, por favor, responda a este e-mail confirmando seu interesse, com seu nome e telefone, o mais rápido o possível, para que possamos contactá-lo com os detalhes. Por favor, note que, dependendo da quantidade de respostas que recebermos, não poderemos incluir todos os convidados no grupo. Caso você não deseje participar, basta não responder a este e-mail.
A mensagem foi supostamente enviada por Orkut Buyukkotken — aquele. Pronto. Mexi com o Google, e agora eles estão vindo me pegar.
Puxa. Eu gostava desta vida.
Acabo de descobrir que minha mãe é fã de Gabriel, o Pensador.
Percebo que o potencial deste blog, com tantas visitas e coisa e tal, tem sido sub-utilizado. Aproveito, pois, para fazer alguns pedidos:
Pronto. De volta à programação normal (ou seja, mais uma semana sem postar).
Já repararam no quanto a história humana se complica com o passar do tempo? Pensem em como era na pré-história bem pré-histórica mesmo: acorda. Sai da caverna. Corre pra pegar umas frutas na árvore mais próxima. Corre de volta pra caverna com medo do mamute. Reúne-se com o clã para uma animada catação de piolhos, o que de quebra fornece proteínas. Faz sexo sem saber bem por quê. Dorme. Pronto: assim são todos os dias dos 14 anos de vida do homem pré-histórico.
Durante milênios, mesmo com a evolução do cérebro humano e de suas técnicas cada vez mais complexas, o roteiro básico permaneceu muito semelhante: arar a terra, plantar, torcer pela chuva, colher, construir um barraco para a família, entrar em guerra com a tribo vizinha, um tédio só.
Então o que aconteceu? De repente ficamos complexos e interessantes demais, e tudo começou a acontecer mais rápido e de formas mais surpreendentes e mesmo harmônicas. O que houve?
Eis a minha tese: por muitos milênios, Deus foi o único roteirista de nossa história. Mas sabem como é Deus: o negócio dele é construir as coisas, ou destruí-las eventualmente. Um trabalhador braçal, pois (embora a construção do universo tenha sido toda na base do “haja isso”, “haja aquilo”. Ainda bem que ele não ficou impaciente com nada no meio do processo a ponto de dizer “haja saco”, porque não sei como seria o mundo. Ok, ok, parêntese longo, já volto). Como eu dizia, um trabalhador braçal, sem grandes pendores artísticos. Então escreveu lá um template de roteiro, achou que estava bom e pronto. Com o tempo os atores começaram a improvisar, para surpresa do autor, mas nada que fugisse muito ao script original.
E então o homem inventou a escrita. Inventou e, como acontece com quase tudo que cria, ficou um tempão sem saber bem o que fazer com a invenção. Mas gosto de pensar que o negócio lá em cima começou a mudar com a morte de Homero. Chegou por lá, preencheu os formulários de praxe, e foi chamado por Deus para um particular.
— Heráclito…
— Meu nome é Homero, ó grande Zeus!
— Mané Zeus! Meu nome é Javé!
— Javé? Peraí. O deus daquele povinho bunda, os hebreus, é o verdadeiro Deus?
— Pois é, rapaz! Piada boa, né? Então, mas não te chamei aqui para discutir teologia. Assunto besta. Queria era te pedir um favor.
— Um favor, Javé?
— É, é. Há um tempão que eu escrevo a história do povo da Terra sozinho. Você não quer me dar uma força com isso não?
— Hum. Como são os prazos?
— Mané prazos! Isto aqui é a eternidade, rapaz. Vai escrevendo aí e a gente vai enfiando na história lá embaixo.
— Então tá.
Gosto de pensar que Homero começou a história da colaboração dos escritores mortos nos roteiros de Deus. Iam morrendo, e o batalhão de roteiristas ia aumentando. Ésquilo, Virgílio, Dante Alighieri, Shakespeare, Cervantes, todos eles. E Vitor Hugo, e Dostoiévski, e Tolstói, e Machado de Assis, e outros escritores que jamais cometeriam a fealdade de separar itens numa enumeração com a conjunção “e” após a vírgula. Não é à toa que todo o século XX foi como foi: boa parte de sua história ficou a cargo de Julio Verne e H.G. Wells. Queriam o quê?
Por isso é que eu não quero mais estar por aqui quando morrer o Marcelo Mirisola.
Pense num blog abandonado…
Olá, amiguinhos. Olá, amiguinhas. Olá, moscas. Olá, traças. Olá, olá.
Sim, este blog está mais parado que o governo federal. Mil perdões, crianças. O negócio é que ando trabalhando demais, e agora o meu trabalho é escrever. Então imaginem minha vontade de fazê-lo nas horas vagas… Quando estou de bobeira, a última coisa que quero fazer é escrever. Mas não se apoquentem, acredito que seja uma fase de adaptação.
Mas não vim aqui para pedir desculpas pela ausência pela milésima vez, nem para dizer que tudo volta logo ao normal em breve. Vocês já estão cansados disso, e eu também. O blog continua, só o ritmo que talvez não volte nunca ao que era. Encaremos essa triste realidade.
[CHORO! RANGER DE DENTES!]
Pois é.
O que me trouxe aqui foi a necessidade de fazer uma consulta de cunho científico. Como bem sabem os leitores mais antigos, eu sou dado a arroubos de pensamento científico de quando em vez; o que seria bom caso eu tivesse qualquer conhecimento de ciência. Como não tenho, penso os maiores absurdos e, não contente, insisto em compartilhar tais pensamentos com vocês.
Acordei esta manhã com um desses pensamentos ricocheteando dentro da cabeçorra. Acompanhem: a molécula de DNA contém informações, não é mesmo? Pois então: o que impede a criação de um sistema que faça um backup dessas informações? Limite de capacidade de processamento, de armazenamento, o quê? Porque, vejam, imagino que armazenar DNA de verdade deve ser uma coisa dispendiosa como o diabo. Recipientes apropriados, temperatura exata, ambiente esterilizado, sei lá. Com a capacidade de fazer uma cópia das informações do DNA para uma unidade de armazenamento, todo o necessário seria um servidor comum num CPD decente. Não?
No futuro, talvez até alguém chegasse à tecnologia capaz de fazer o inverso: ler as informações armazenadas em bits e transformá-la de volta na molécula de DNA. Não acredito que isso seja possível tão logo: seria necessário dominar a técnica da síntese de proteínas, moléculas complexas e tal. Até onde eu sei, essa síntese até é possível hoje em dia, mas as proteínas geradas são instáveis e duram frações de segundo. Vai demorar ainda, portanto, e talvez nunca aconteça.
Mas lembro de ter lido alhures (ALHURES! CONSEGUI!) que o processo de clonagem como efetuado hoje é um jogo irritante de tentativa e erro. Imaginem, porém, que tivéssemos o backup do DNA do bicho, planta ou sei-lá-o-que a ser clonado. Seria possível fazer uma simulação da clonagem no computador antes de botar o processo todo em prática. Não seria? Claro que simular todo o processo até a formação completa do indivíduo seria quase impossível. Mas e até um certo ponto do estágio embrionário? Hein? Hein?
Minha cabeça dói. Há alguém aí que entenda desse assunto, pelamordedeus?
Obrigado.
Meu querido Paulo Polzonoff fala do Balde de Gelo no JB. Coisa mais linda.