Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas na categoria ‘Geral’

O declínio do reino de Salomão

(I Reis 11)

Sentado à sombra de uma figueira enquanto espera a caravana das cinco para Efraim, Jeroboão assovia feliz. Vez em quando olha para trás, para as recém-reformadas muralhas de Jerusalém. Ele veio à capital justamente para trabalhar naquela obra. A vida no norte era cada vez mais dura, e a população migrava em massa para o sul, para a vibrante cidade de Davi. Nem todos, porém, tinham a sorte que Jeroboão teve. Um dia, enquanto vistoriava as obras, o rei Salomão notou a vontade com que aquele israelita trabalhava sob o sol alto do meio-dia, cantando as canções do norte e as moças que passavam por perto. Impressionado com a vivacidade do rapaz, Salomão chamou um dos supervisores da construção:
— Ô, véi. Chega aí. Quem é aquele mano ali?
— Jeroboão, filho de Nebate e Zerua. A família é de Zereda, na tribo de Efraim. Zerua é viúva, e criou o menino a muito custo. E ele, assim que teve a oportunidade, veio para o sul tentar a vida.
— O moleque é sangue bom, então?
— É sim senhor.
— Da hora… Ô mano! Você memo! Chega aí! Cê que é o tal de Jeroboão?
— Sim sinhô, sim sinhô.
— Nome feio da porra, véi!
— Nome feio? Arre, égua! E o nome do fio do sinhô num é Roboão? É quase o mesmo!
— Ixe, podicrê. Me pegou. Aê. Fiquei sabendo que o mano veio lá do norte, na humildade, pra morar nas quebrada da periferia e arrumar aí as correria pra se garantir. É isso aí memo?
— Graças a Deus e meu padim Ciço.
— Quem?
— Nada não sinhô.
— Aê, se liga: vou botar você de chefe aqui da parada, tá ligado? Quero ver você só nos pano, cheio das mina e pá.
— Ô, excelença! Fico muito gradecido!
— Se liga, mano. Só na humildade aí. Paz.

Desde então Jeroboão vinha atuando como encarregado de todos os trabalhadores forçados que vinham das tribos de Efraim e Manassés. Meses depois, o vemos à sombra da figueira contando os minutos para chegar de volta à sua cidade natal. Veste suas melhores roupas, e traz o cabelo meticulosamente engomado. Pensa na surpresa da família ao vê-lo chegar, tão diferente, tão mais corado e bem vestido. Pensando nisso, sorri e assovia. Sente que sua vida chegou ao auge. Supervisor de obras na capital do reino, que maravilha! Nunca alguém de Zereda chegou tão longe.

Do lado de dentro das muralhas, no palácio, Salomão diverte-se em seu harém. Está bem velho, então boa parte da diversão consiste em trocar ditos espirituosos e picantes com algumas de suas setecentas esposas e trezentas concubinas, arranjadas por todos os cantos do mundo conhecido. À entrada do harém, uma tabuleta informa: “As Minas do Rei Salomão”.
Após algumas horas de diversão, Salomão se despede de suas mulheres e se dirige a seus aposentos. Pretende tirar uma soneca antes do jantar. Mal encosta a cabeça no travesseiro, porém, e é interpelado por uma voz autoritária:
— Salomão, caralho!
— Javé? Sedes vós?
— Não, é o frio. CLARO QUE SOU EU, PORRA!
— Acalmai-vos, Javé, acalmai-vos. Por que vos apoquenteis?
— Você pensa que eu sou idiota, não é, Salomão? ACHA QUE EU SOU TROUXA!
— Mas de jeitimaneira, Javé, te juro-vos!
— ACHA SIM! Pensa que o tempo passa para mim como passa para você, e que já estou velho, cego, surdo e broxa? POIS NÃO ESTOU! Vejo muito bem os altares que você construiu, os ídolos que mandou fazer. E o que se vê nesta cidade agora? Um altar para Moloque aqui, outro para Astarote ali, outro para Quemos acolá.
— Dissestes a verdade, oh Javé. Mas porém no entanto todavia só para vós erigimo-nos um templo inteiro, com paradas de ouro e tal.
— NÃO INTERESSA! O ÚNICO DEUS DESTA PORRA AQUI SOU EU, TÁ ME ENTENDENDO? EU!
— …
— Eu disse a você o que já tinha dito a seu pai: que se me obedecesse, se fosse leal a mim por toda a vida, eu estaria sempre com essa família, fortalecendo a dinastia e tornado Israel cada vez mais próspero e poderoso. Mas não! Você tinha que se casar com mil mulheres, e aceitar em Jerusalém os deuses de todas elas. Agora esta cidade está que é um inferno! São tantos os deuses que ninguém sabe mais a quem adorar. E de quem é a culpa? SUA! SÓ SUA!
— Oh, Javé, perdoai-vos-me! Eu não sabia o que estava fazendo, ligai-vos?
— Não sabia um cacete! Há tempos eu percebi que você começou a se perder, e tentei alertá-lo. Mandei inimigos para espiaçarem o reino, para ver se você se mancava, mas você preferiu continuar as orgias no palácio até não poder mais. Você quebrou o acordo que eu tinha com sua família, e por isso eu deveria acabar com essa dinastia. Porém, em respeito a seu pai Davi, que foi leal até o fim, vou manter sua descendência no trono. Mas o reino será rasgado de suas mãos, e só restará a seus descendentes um mísero retalho do velho Israel.

Ao falar dos inimigos, Javé referia-se a dois sujeitos que haviam dado um trabalho desgraçado a Salomão, liderando revoluções e badernas. Um deles, um edomita chamado Hadade, tinha lá suas razões para votar ódio à família real. Muitos anos antes, quando ainda era menino, vira Joabe, o comandante do exército de Davi, comandar um massacre em seu país. Hadade só escapara graças à esperteza de alguns escravos de seu pai, que conseguiram fugir para o Egito com o garoto. O faraó apiedou-se dos exilados, e forneceu-lhes casa e comida. Já adulto, Hadade caíra nas graças do faraó de tal forma que este lhe deu a mão da irmã de sua esposa, a rainha Tafnes, em casamento.
Foi com surpresa, portanto, que anos depois o faraó recebeu a notícia de que Hadade pretendia voltar a Edom. Afinal, era cunhado do rei, e seu filho, Genubate, era educado no palácio. Ele soubera, porém, que Davi e Joabe estavam mortos, e que essa era a hora propícia para voltar e liderar os edomitas contra a opressão de Israel. Foi tão bem sucedido em suas investidas que acabou coroado rei de Edom, e por toda a vida causou dores de cabeça a Salomão e seu exército.
Outra pedra no sapato de Salomão era um tal Rezom, filho de Eliada. Rezom era escravo do rei de Zoba, Hadadezer, quando este foi derrotado por Davi, que matou seus aliados, os sírios. Vendo-se livre de repente, o ex-escravo foi para o deserto e se tornou chefe de uma quadrilha. Não é de hoje que grandes bandidos chegam ao poder: quando soube que Salomão reinava sobre Israel, Rezom voltou à Síria e foi coroado rei em Damasco. Anos depois, ele se tornaria um inimigo ferrenho de Israel.

O terceiro e pior inimigo reservado para Salomão e sua descendência está agora inconsciente disso. Apenas espera, assoviando, a caravana que o levará a Efraim. Alguém se senta a seu lado na raiz da figueira. É um homem de meia-idade, barbudo e com os olhos brilhando com não pouca dose de desvario. Fora isso, porém, é um senhor respeitável, e enverga uma capa nova e de cores brilhantes. Jeroboão resolve puxar conversa:
— Vai pra onde?
— …
— Eu tô indo mimbora pra Zereda. Conhece Zereda?
— …
— Terra de Babalão, filho de Noca, tia de Zé Bucho… Conhece não?
— …
— Bom, é lá pras bandas de Efraim. Ô, terrinha boa! Ô, saudade da moléstia!
— …
— Hômi, tu não fala não, é?
— Falo. Eu…
— Eita preula! Téquenfim!
— CALE-SE! Eu sou o profeta Aías, de Siló. Trago um recado a você.
Dizendo isso, o homem levanta-se, tira a capa e começa a rasgá-la em tiras.
— Arre, égua! Tu é doido, hômi?
— Rasguei a capa em doze tiras. Tome essas dez.
— E pra que eu quero uma capa toda esmolambada, rapaz?
— A capa rasgada é um símbolo!
— Símbolo de doidice…
— CALE-SE! Javé mandou que eu lhe dissesse o seguinte: o reino será rasgado das mãos de Salomão, cuja descendência reinará sobre apenas duas tribos. O rei desobeceu ao único Deus verdadeiro, e adorou os deuses de suas esposas. Por isso o reino será dividido, e você, Jeroboão, reinará sobre a maior parte de Israel.
— Peraí, hômi, peraí… Então Javé disse que eu vou ser rei, foi?
— Isso mesmo.
— E que o filho do rei vai ficar só com um tiquim de terra, foi?
— Exato.
— Hômi… Vá se sentar num mastruço, que eu já tô quase perdendo minha caravana.
— Mas, Jeroboão…
— APAPORRA! ÔXI!
Irritado, Jeroboão partiu para Efraim. Na primeira noite em sua cidade, porém, seu quarto foi invadido por dois guardas que tinham a clara intenção de matá-lo. Percebendo que Salomão de alguma forma soubera de seu encontro com Aías, e que, pior que isso, levara a sério as palavras do profeta, Jeroboão achou mais prudente picar a mula e se esconder no Egito até as coisas se acalmarem.

Não demorou muito. Meses depois, já bastante combalido, Salomão proferiu suas últimas palavras:
— Já era, ó…
O rei foi enterrado em Jerusalém. Israel jamais veria um rei como ele, e o próprio país nunca voltaria a ser o mesmo. A prosperidade israelita sob Salomão permaneceria inigualável. A divisão do reino serviria apenas para enfraquecer a nação.

Isso é que é blogueiro famoso

Ahmadinejad.jpg

Obrigado pela foto, minha mina

iBest

O portal da B2B Magazine, revista para a qual trabalho, está no Top 10 do grupo B2B dentro da categoria Comércio Eletrônico do Prêmio iBest. No site vocês podem ver, por exemplo, a nota que fez com que o Google me odiasse. Nessa entrevista concedida ao Valor Econômico, Alexandre Hohagen, presidente do Google no Brasil, cita minha nota como um dos percalços para a empresa em 2005. Fiquei muito orgulhoso, como vocês podem imaginar. Diz a nota:

Embora traga algumas dores de cabeça — como a imagem publicada pela “B2B Magazine” —, a gigantesca atenção que a empresa está chamando na mídia facilita o trabalho.

Além disso, fazendo cadastro no site, vocês podem ter acesso às edições impressas da revista. O cadastro é gratuito, e vocês terão acesso a matérias da melhor qualidade sobre tecnologia e negócios. É sério. A empresa não é lá essas coisas, mas a equipe é muito boa. Há até matérias minhas: As pessoas na berlinda, sobre o papel importante dos usuários na segurança da informação; e Contrato Fechado, sobre exportação de software (minha primeira matéria foi capa, não sou fraco não).

Enfim: dêem uma olhada por lá e, se gostarem, votem.

Excelente notícia

Tentando comprar o Balde de Gelo, melhor livro sobre relacionamentos já escrito em toda a história do universo conhecido? Cansado dos prazos das lojas on-line, e de não encontrar essa preciosidade nas livrarias? Pois bem, problema resolvido! O Submarino está vendendo o Balde de Gelo com entrega em 1 dia. Compre, divulgue!

O Submarino, como você sabe, tem vários outros produtos. Clique no banner ali em cima, à esquerda, para ver as últimas ofertas. O Balde de Gelo, por exemplo, sai por 25 reais. Quer ver se encontra um preço menor? Fácil: pesquise no Buscapé utilizando o quadrinho aqui na barra lateral, logo abaixo do calendário. O quê? Está sem dinheiro porque está desempregado, ou seu atual emprego rende quase nada? Cadastre seu currículo na Catho clicando no banner da direita, lá no topo. Ah, você tem uma pequena empresa, e acha que podia ganhar mais? Clique no banner grandão do Google lá em cima, em “Anuncie neste site”. Aliás, clique sempre no banner do Google, ele é legal.

Capitalista, eu?

A rainha de Sabá visita Salomão

(I Reis 10)

Não tardou para que as notícias sobre a sabedoria do rei de Israel e as obras que realizava por todo o reino se espalhassem pelo mundo. Bom, pelo mundo conhecido então, que não era muito. Coisa como um boato sobre José Serra chegar a Salvador. De qualquer forma, era crescente a fama de Salomão. Tanto que a rainha de Sabá resolveu ir a Israel para conferir as novas que lhe chegaram aos ouvidos.
Onde ficava Sabá? Não se sabe ao certo. Especula-se que o reino incluiria parte das atuais Somália e Etiópia, e parte da Península Arábica. De acordo com a tradição, a capital do reino ficaria onde hoje é Marib, capital do Yemen. Se isso estiver correto, concluímos que a rainha percorreu uma distância equivalente à que há entre São Paulo e Aracaju.
Pois muito bem: num belo dia a rainha de Sabá arrumou seus mullets, vestiu sua melhor camisa xadrez e suas calças largas de lona, calçou seus Vulcabrás 752 nº 44, e pegou a estrada em seu caminhão. No baú, levava especiarias, pedras preciosas e mais de quatro toneladas de ouro. Dias depois chegava ao palácio de Salomão.
A rainha ficou impressionada com tanta riqueza. O Salão da Floresta do Líbano, por exemplo, era decorado com quinhentos escudos que continham entre dois e sete quilos de ouro cada um. O trono do rei era revestido de marfim e ouro puro. Os seis degraus que levavam ao trono eram ladeados por esculturas de leões, e havia um leão esculpido de cada lado do assento. As taças utilizadas pelo rei eram de ouro, assim como todos os objetos do Salão da Floresta do Líbano. O rei mantinha 1.400 carros de guerra e doze mil cavalos puro sangue. Os cavalos eram importados de Musri e da Cilícia, cidades que ficavam na atual Turquia, e os carros vinham do Egito.
De onde vinha tanta riqueza? Para começar, os impostos pagos pelos comerciantes, pelos administradores do reino e pelos reis árabes que viviam sob domínio israelita. A frota de navios de Israel, uma joint venture entre Salomão e Hirão, voltava a cada três anos trazendo ouro, prata e animais exóticos. Para completar, a fama de Salomão atraía visitantes que, assim como a rainha de Sabá, lhe traziam presentes.
Que Salomão era rico, a rainha logo notou. Mas seria mesmo sábio? Ela decidiu testá-lo:
— Aê, mano. Me disseram que tu é ligeiro que só a porra, tá ligado?
— Queisso, se liga. Eu tô aqui só na correria. Esse negócio aí de sabedoria é os mano de fé que fala, mas eu fico na humildade, tá ligada?
— Só…
— Essas parada me azucrina as idéia. Eu sou ligeiro, podicrê, mas o resto é exagero.
— Queisso, mano? Está louco de raiva1?
— Não, mina, se liga! Cê que chegou há pouco de fora e não tá ligada nas parada israelita e pá.
— Ah, então foi mal aê.
— Pela órdi.
— Então, mano. Meu caminhão tá com o tanque quase vazio. Um mano aí me deu a fita que eu podia abastecer logo atrás do palácio.Cê tá ligado quem tem posto aí atrás?
— Ih, véi, sei de nada. Atrás aqui da parada só tem a quitanda do japonês. A senhora gosta de verdura?
— Ah, sim. Disseram que teu véio plantava nas quebrada dele. É verdade que teu pai tem terra?
— O véio já subiu, mina. Vamo falar de outras parada. Zoologia, manja?
— Cê manja zoologia?
— Daquele jeito, né?
— Então cê sabe se jacaré no seco anda?
— Não, nadavê. Jacaré no seco atola.
— Se liga, véi!
— Ô, dona majestade. Foi mal aí. Fui muito duro com a senhora?
— PÁRA!
— Pela órdi, já parei. Desculpe por tudo.
— TÁ CERTO! CÊ É LIGEIRO QUE SÓ A PORRA! CHEGA!
— Hehehe. Tá vendo você errada? Vem aqui na minha quebrada, nem nunca me trombou na vida, e acha que já pode vir me tirando? Se liga!
— Tá certo, mano. Tava dando um migué pra ver coé. Mas tá certo, cê é mais ligeiro do que os mano fala por aí. E mais rico também, tipo aqueles mano gangsta, tá ligado? Mó preza. Suas mina só anda nos pano, tudo peteca. Os mano do palácio deve ficar tudo ligeiro só de trocar idéia contigo. Que o seu deus, Javé, te abençoe.
— Amém, pela órdi.
— Agora vou dá linha.
— Paz.
— Paz.
Convencida da sabedoria do rei de Israel, a rainha pegou seu caminhão e voltou para Sabá. Após sua visita, Salomão convenceu-se de vez que era o mais sábio dos viventes:
— Vixe! Apavorei!
E isso seria o princípio de sua queda.

1 Os trechos sublinhados são trocadilhos dos mais infames, caso vocês não tenham percebido.

Contador

Melhor comentário do ano até agora:

“Como Construir Seu Contador de Acesso”

1 – Envie spams pra todo o Brasil. Em cada spam terá um spyware que ficará alojado no computador do internauta, monitorando seus acessos. Isso se consegue facilmente com algum cracker desocupado.

2 – Cada vez que alguém acessar o JMC, o spyware detecta e envia um e-mail para você.

3 – Seu Outlook (ou similar) que ficará sempre ativo daqui por diante, à cada e-mail recebido do spyware, abrirá um pop-up dizendo que “recebeu novas mensagens” com um aviso sonoro (o tradicional “PÃ!”), que deve estar num volume consideravelmente alto.

4 – Uma peça de dominó (pode ser a “branca”, se você gosta de um estilo “clean”) que está posicionada em frente à caixa de som do seu computador, vai cair com a vibração do “PÃ!”.

5 – O dominó, por sua vez, empurra uma bolinha de gude (“dô nadis!”) que descerá por uma espiral (de sentido anti-horário, pra quem está descendo) até bater no interruptor de pressão de uma lanterna a laser, ligando-a.

6 – O feixe da lanterna deverá ser desviado por um conjunto de 4 espelhos, estrategicamente espalhados pelo local, finalizando na testa do Jackie Chan que estará amarrado e amordaçado em uma cadeira.

7 – Jackie Chan, pensando ser a mira de uma arma, ficará apavorado com o laser, derrubará a cadeira (com ele junto) que cairá sobre uma catraca de ônibus, fazendo-a girar.

8 – Ao giro da catraca, o contador da própria será acrescido de um algarismo.

Como viu, é simples. Colaboraram neste magnífico projeto, o Frajola, o Coyote e os animadores da vinheta do programa Rá-Tim-Bum.

(Esse ócio ainda me mata.)

Áureo

Visitem o Vida Besta, blog do Áureo. O cara manda bem. E leva jeito para ser o próximo Rube Goldberg.

Loucura

Visualizem: no primeiro banco de um microônibus, uma senhora carregando mais pacotes do que eu ou você seríamos capazes ocupa os dois lugares. O motorista, muito educadamente, pede:
— Será que a senhora poderia liberar um lugar?
— QUE FOI? EU SENTO ONDE EU QUISER!
— Eu sei, senhora. A senhora senta onde quiser, mas não pode ocupar dois lugares. Tirando isso, pode até viajar de graça.
— VOU DE GRAÇA MESMO! EU TENHO SETENTA E DOIS ANOS, TÁ ME OUVINDO? PERAÍ, DEIXA EU ACHAR MINHA IDENTIDADE.
Ela começa a fuçar na bolsa, na outra bolsa, nas sacolas todas. Enquanto isso, resmunga. Muito. O motorista desiste:
— Não precisa não, senhora. Deixa quieto.
— NÃO FICO QUIETA NÃO! QUEM MANDA NA MINHA BOCA SOU EU, ME RESPEITE!
— Eu não falei pra senhora ficar quieta. Eu tenho educação, ao contrário da senhora.
— EU SOU ESQUIZOFRÊNICA, NÃO ME ENCHE O SACO!
Taí. A frase dava um bom adesivo.

Pior sem ele

Voltei a botar ali na barra lateral o contador do Webstats4u (novo nome metido a besta do velho e bom Nedstat). Sei que esse troço vem com odiosos popups embutidos, mas não consegui ainda encontrar um contador que me agrade tanto quanto ele. Se vocês conhecerem, façam o favor de dizer.

Salomão paga as contas

(I Reis 9)

Após grandes obras vêm grandes rombos nos cofres públicos. Há que pagar as empreiteiras, os lobbystas, as autoridades envolvidas, todo mundo. Vendo que o governo abriu a mão, os financiadores da campanha tentam receber antigas dívidas, e o rombo aumenta ainda mais. Isso é verdade hoje, e já o era nos tempos de Salomão.
Terminado o templo e o palácio do rei, erguidas as muralhas de Jerusalém e aterrado o lado leste da cidade, era hora de botar a mão no bolso. As obras haviam durado vinte anos, e incluíam a reconstrução de cidades inteiras. Gezer, por exemplo, fora completamente destruída pelo Faraó egípcio (existe outro tipo de faraó?) ainda durante o reinado de Davi. Agora, em paz com Israel e tendo dado sua filha como esposa a Salomão, o soberano oferecia a cidade como presente de núpcias. Belo presente, uma cidade arrasada. Salomão reconstruiu a cidade, assim como Hazor, Megido, a parte baixa de Bete-Horom, Baalate e Tadmar. O rei também deu um tapa nas cidades onde estabeleceria seus armazéns de mantimentos e seus estábulos.
A publicidade era boa. “Transformando Israel num Canteiro de Obras”, “Duzentos Anos em Vinte”, essas coisas. As contas, porém, ainda precisavam ser pagas, e o maior credor do Estado era Hirão, rei de Tiro. Hirão havia fornecido todo o material para as obras e quatro toneladas de ouro. Salomão mandara construir uma frota de navios em Ezion-Geber, no Golfo de Ácaba, e o rei de Tiro enviara seus melhores marinheiros para manejar as naus. Junto com os homens de Salomão, esses marinheiros foram até a misteriosa terra de Ofir, trazendo de lá mais de catorze toneladas de ouro (há quem afirme que a distante terra de Ofir ficava onde hoje é o Peru, e no filme Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa o Rei Ciborgue descobre que os marinheiros de Salomão navegaram pela Baía de Guanabara).
Com tantos serviços prestados à nação israelita, era de se esperar que Salomão pagasse Hirão com algo grande. O governo de uma tribo, no mínimo. Mas que nada! Salomão era rico, sábio, empreendedor, mas também era judeu: pagou seu maior parceiro com vinte cidades muito chinfrins na região da Galiléia. Coisa como Carapicuíba, Itaquaquecetuba, Guarulhos, Mairinque. Só osso. Hirão foi ver as cidades e se decepcionou. Aquela região passou então a chamar-se Cabul, que em hebraico quer dizer “Puta que pariu, Salomão, que sacanagem!”.
Como se não bastassem os percalços com as contas das obras que só não eram faraônicas porque não foram feitas no Egito, Salomão também teve de enfrentar acusações segundo as quais ele teria utilizado cidadãos israelitas como escravos nas construções. Porque, vejam, toda aquela coisa de unificação do reino feita por Saul e Davi era apenas conversa oficial. Na realidade, o reino continuava dividido entre a minoria rica de Judá, no norte e a maioria pobre e esquecida de Israel, no sul (graças a Deus o mundo mudou, né?). O primeiro livro dos Reis é, acima de tudo, uma publicação oficial. Este capítulo, portanto, esforça-se para negar essas acusações, dizendo que todos os escravos utilizados nas obras eram amorreus, heteus, perizeus, heveus, jebuseus, enfim, descendentes dos caananitas que habitavam a terra antes da chegada de Josué e seus homens endurecidos por quarenta anos vagando pelo deserto. Segundo o texto, os israelitas serviram como soldados, oficiais, comandantes e cavaleiros. Verdade ou mentira? Não importa: a propaganda oficial está sempre acima desses conceitos abstratos.

Com tanta polêmica por todos os lados, restava a Salomão buscar ajuda espiritual. Durante as obras e depois delas o rei oferecia sacrifícios, queimava incensos e dava ofertas para o serviço religioso três vezes por ano. Vendo todo aquele zelo, Javé resolveu que era hora de falar com o rei novamente.
— Salomão!
— Coé?
— Que coé o quê! Meu nome é Javé!
— Javé! Perdoai-me-vos, ó grande Javé, perdoai-me-vos. Julgava eu que algum mano me vinha-me aporrinhar-me a mim. O que mandais, Grande Truta das Parada Firmeza do Céu?
— Vim dizer que gostei muito do templo, viu?
— Gostaste-vos?
— Gostei. Muito bonito, arejado, bem decorado. Uma beleza. Gostei tanto que até vou morar lá.
— Agradeço-te, Javé!
— Tá, tá. Mas vê lá, hein? Se esse povinho bunda pisar na bola comigo, eu pico a mula.
— Picareis a mula, Javé?
— Foi o que eu disse, porra. Conheço esse povinho. Todo mundo muito bonzinho, e é só Javé pra cá, Senhor pra lá, El Shadday pra cá, Elohim pra lá. Pois sim! Basta eu me distrair um pouco e já estão oferecendo sacrifícios a Moloque, Dagom, Astarte, ou o diabo do deus que estiver na moda. Então pode anotar aí: se esse povo fizer besteira, eu abandono esse templo, e mando os israelitas todos para a casa do chapéu. E tem mais: o templo será destruído pelos seus inimigos, e Israel será motivo de piada entre os povos. E não essas piadas manjadas de judeu: coisa muito mais séria e ácida. Vendo as ruínas do templo, algum viajante há de perguntar o que aconteceu. E responderão: “Isto aí era um templo grandioso, que foi destruído porque o povo abandonou seu deus”. Tá entendendo, Salomão?
— Compreendo-vos, ó Javé.
— Tá bom. Então vou ali me acostumar à casa nova.

Muito tempo depois, o templo seria mesmo destruído. Mas isso ainda estava longe, e Salomão viveria para ver a prosperidade de Israel e desfrutar sua fama.

Capitalismo

Sim, sapequei banners ali em cima. Que foi? Quero ganhar dinheiro, pô. Achou ruim, comuna? Vá morar em Cuba e me deixe.

Página 6 de 351« Primeira...45678...203040...Última »