Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas na categoria ‘Geral’

Caraca!

Ouvi um barulho esquisito lá fora e pensei: “Puxa, será um morcego? Que guincho mais bonito tem esse morcego…”. Então notei uma luz estranha entrando pelas frestas da janela. Hum… “Que horas serão?”, perguntei a mim mesmo, na ausência de pessoa mais interessante. E eu, estupefato depois de constatar o horário, respondi: “SEIS DA MANHÃ! VAI DORMIR, IMBECIL! MORCEGO PORRA NENHUMA, ERA UM SABIÁ!”.
É, vou dormir. Meu Deus, eu preciso de um emprego…

(Mas pelo menos o blog tá carregando mais rápido, né? Pois é, tava trabalhando nisso. E ripando CDs. E arrumando o micro da minha mãe. E lendo coisas do Alexandre Soares Silva. Pô, foi um dia cheio)

Deus fala com Samuel

(I Samuel 3)

Os tempos em que Deus vivia falando com os homens, fosse diretamente ou com mensagens enviadas através de anjos e profetas, já havia passado. Muitos até consideravam as narrativas antigas como meras alegorias. Alguém que dissesse ter falado com Javé, como os livros diziam que Moisés e Gideão haviam feito, receberia logo o epíteto de doido. Pois bem: mas acontece que Javé resolveu que ia falar com Samuel. Este ainda era menino, e estava dormindo no Tabernáculo, enquanto Eli (que já estava quase cego) dormia em seu quarto, quando ouviu alguém chamando:
— Samuel! Ô, Samuel!
O garoto se levantou e foi ao quarto de Eli:
— Pois não, seu Eli?
— Hum? Hã? Hein? Que foi, moleque?
— O senhor me chamou?
— Eu? Eu? Claro que não! Vai dormir e me deixa em paz, cacete!
— Tá. Desculpe.
— Bah!
Samuel voltou para a cama, resmungando. Provavelmente Eli falara seu nome durante o sono. Enquanto isso, escondido atrás de uma cortina, Javé ria baixinho. Esperou Samuel dormir e retomou a brincadeira:
— Psiu! Ô! Samuel!
Ele acordou e mais uma vez foi ao quarto de Eli.
— O senhor chamou?
— Hein? Porra, Samuel, de novo??? Vai dormir, moleque doido!
Samuel voltou ainda mais indignado. Quando ia se deitar, julgou ouvir um riso abafado. Mas até vozes já andava ouvindo, então começou a encarar o fato de que talvez estivesse mesmo ficando maluco. Já estava quase dormindo quando ouviu a voz outra vez:
— Ô, Samuel! Vem cá!
Dessa vez o menino ficou nervoso, e foi batendo os pés até o quarto de Eli.
— Seu Eli, eu tenho muito trabalho pra fazer amanhã, preciso dormir. Pára de brincadeira besta, porra.
— Brincadeira? Que brincadeira, seu insolente?
— Fica me chamando, aí eu venho até aqui e o senhor diz que não chamou. Perdeu a graça, já.
— Ei, calma! Tô dizendo que não te chamei… Ei. Peraí. Será possível? Não, não, de jeito nenhum… É, mas… Hum…
— Que foi, seu Eli?
— Olha, cê vai dizer que eu tô gagá, mas foda-se: eu acho que talvez seja Javé te chamando.
— Javé? Javé, nosso Deus?
— Não. Javé, o travesti. CLARO QUE É JAVÉ, NOSSO DEUS!
— Sei não, sei não…
— Faz o seguinte: se você ouvir a voz de novo, em vez de vir aqui me encher o saco, apenas responda e veja o que acontece.
— Hum. Tá bom.
Samuel voltou para sua cama, e não demorou para ouvir seu nome novamente:
— Ô, Samuel!
Só que dessa vez ele, seguindo o conselho de Eli, respondeu:
— Oi. É você… Digo, é o SENHOR, Javé?
— Bah. Me descobriu.
— PERAÍ! É JAVÉ MESMO???
— Er… Sim…
— PUTAQUEOPARIU! Opa. Digo, LOUVADO SEJA O TEU NOME, JAVÉ! Puxa, eu não acredito! É Deus falando comigo! UAU!
— Tá, tá, chega! Que moleque deslumbrado, credo. Sou eu, Javé. Sou Senhor dos Exércitos, Criador do Céu e da Terra, Pai Celeste, essa coisa toda. Mas também não precisa tanta veadagem. Vim aqui pra te dizer um negócio…
— Pode dizer, Javé!
— Eu por acaso pedi sua autorização?
— …
— Humpf. É o seguinte: vão acontecer coisas em Israel, coisas tão terríveis que deixarão espantados todos os que delas ficarem sabendo. Vou fazer a Eli tudo o que disse que ia fazer, a parada toda da família e tal.
— Hein?
— Ah, ele não te contou, é? Pois então, vou acabar com toda a descendência de Eli, porque os filhos dele são uns sem-vergonhas e o velho não faz nada a respeito. E agora é tarde: já tomei minha decisão, e sacrifício nenhum vai me fazer mudar de idéia.
— Hum… Que mais?
— Que mais? Xeu ver… Nah, mais nada. Era isso mesmo. Vai dormir, Samuel. A gente se fala depois, com mais tempo.
Javé foi embora, e Samuel pegou no sono depois de algum tempo pensando no que acontecera. No dia seguinte, acordou e começou a exercer suas tarefas. Estava com medo de falar com Eli sobre o que Javé dissera. Mas percebeu que não conseguiria evitar quando o velho mandou chamá-lo.
— Pois não, seu Eli.
— E aí, Samuel? Era Javé mesmo?
— Era.
— Ué… Pra falar comigo ele manda um profeta, com você ele fala diretamente. Estranho… Mas e aí, o que ele disse?
— Ah, nada de mais… Perguntou como eu estava, se gostava do trabalho aqui, essas coisas…
— Moleque, moleque! Não me esconda nada, que Deus o castigue se você não me contar tudo!
— Pô, seu Eli, não é pra tanto…
Então Samuel contou toda a conversa, sem omitir nada. Eli ficou em silêncio por algum tempo, e enfim disse:
— É… Foi isso mesmo o que ele me disse através do tal profeta. Bom, ele é Deus, o que se há de fazer? Paciência…
Samuel ficou triste ao ver a situação em que Eli se encontrava, mas não tanto a ponto de não perceber sua própria situação: se Javé falava com ele diretamente, e se ia matar todos os descendentes de Eli, então era bem provável que ele, Samuel, viesse a ser sacerdote. Não se deixou levar por esse pensamento, porém: continuou fazendo seu trabalho no Tabernáculo normalmente. De vez em quando Deus vinha falar com ele, e nessas ocasiões lhe revelava o que estava para acontecer. O povo começou a observar que tudo o que Samuel dizia acabava acontecendo, e não demorou a perceber que ali estava um verdadeiro profeta. O tempo foi passando, Samuel crescendo e sendo cada vez mais respeitado em Israel.

Momento de louvor

Digam-me se não parecem dois lados da mesma história:

Adeus Você

Adeus Você
Eu hoje vou pro lado de lá
Estou levando tudo de mim
Que é pra não ter razão pra chorar
Vê se te alimenta e não pensa que eu fui
Por não te amar

Cuida do teu
Pra que ninguém te jogue no chão
Procure dividir-se em alguém
Procure-me em qualquer confusão
Levanta e te sustenta e não pensa que eu fui
Por não te Amar

Quero ver você maior
Meu bem
Pra que minha vida siga adiante

Adeus você
Não venha mais me negacear
Seu choro não me faz desistir
Seu riso não me faz reclinar
Acalma esta tormenta e se agüenta
Que eu vou pro meu lugar

É bom as vezes se perder
Sem ter por que, sem ter razão
É um dom saber envaidecer, por si
Saber mudar de tom,

Quero não saber de cor
também
Pra que minha vida siga adiante

(Marcelo Camelo)



Olhos Nos Olhos

Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mas nem porque
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você

Quando talvez precisar de mim
‘Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz

(Chico Buarque)

Bah

Acabou o sutil como um paquiderme.
Oremos.

Profetas

Mais dois blogs ali nos Profetas. O primeiro é o Não é Bolinho!, de Dona Nilda, uma boa amiga que me surgiu da forma mais improvável, e que tem me ajudado a enxergar o mundo segundo outras perspectivas. O outro é o Mero Cristianismo. Tá, é um blog de crente e tal. Mas o John, seu autor, prometeu matar seu colega de quarto (colega de quarto, sei…) e me mandar seus DVDs do Monty Python Flying Circus se eu botasse aqui um link para o blog dele. Bicho safado da porra…

Paula Manzo

Ela é leitora antiga. Houve uma época em que este blog só recebia comentários dos amigos próximos do autor, da família, e de duas garotas bondosas: Lilla e Paula Manzo. Já contei como foi que eu conheci a Lilla (aqui). E a Paula?
Bom, ela apareceu na festa e veio me cumprimentar:
— Oi, Marco!
Olhei com a minha cara de todo-mundo-me-conhece-e-eu-não-conheço-ninguém e respondi:
— Oi…
— Eu sou a Paula Manzo.
— PUTA QUE PARIU! — e dei-lhe um abraço de urso.
Mal conversei com ela. Na verdade, eu mal conversei com qualquer pessoa na festa. É o velho paradoxo do anfitrião: tendo que dar atenção a todo mundo, acaba não dando atenção a ninguém.
Mas tudo bem, porque combinamos de “tomar um chope qualquer dia desses”. Essa frase é batida, e todo mundo sabe o que significa: “não vamos mais nos ver”. Eu deixaria passar em branco. MAS ERA A PAULA MANZO, PORRA! Então ontem finalmente pudemos tomar o tal chope (na verdade foi cerveja Original, no indefectível bar Opção) e conversar. Conversar bastante. Resultado? Entrou na minha vida pra sempre.

(E entrou ali nos Profetas também)

Triste

O pouco de fé que eu tinha acabou-se. Deus trocou o Rio de Janeiro por Osasco. OSASCO!

:: pronto, falei. hehehehehe. ::

Os filhos de Eli

(I Samuel 2)

O segundo capítulo começa com Ana fazendo uma oração. A prece é longa mas pode ser resumida assim: “Valeu a pena esperar. Agora Penina se fodeu e eu estou por cima da carne seca. Rá!”. Então a família voltou para Ramá, deixando Samuel no Tabernáculo. O garoto estava destinado a ser apenas um ajudante na Tenda Sagrada, um menino de recados e mais nada. Só que Deus escreve torto por linhas tortas, como veremos.
Acontece que Hofni e Finéias, sacerdotes e filhos de Eli, não valiam nada (a tradução João Ferreira de Almeida diz que eles eram “filhos de Belial”, o príncipe dos demônios), não levavam a sério o sacerdócio. Por exemplo: quando alguém estava oferecendo um sacrifício, um ajudante vinha e enfiava um garfo dentro da panela onde a carne estava sendo cozida. A carne que saísse era comida pelo sacerdote, sem o mínimo respeito pelas regras rígidas que determinavam as porções destinadas aos sacerdotes. Isso era feito rotineiramente. Da mesma forma, quando alguém estava preparando seu sacrifício, os sacerdotes enviavam um ajudante para exigir um pedaço da carne, antes mesmo que a gordura fosse queimada. Se o ofertante fosse um israelita mais zeloso, e se recusasse a tratar seu sacrifício levianamente, o sacerdote tomava a carne à força. Assim os filhos de Eli faziam seu trabalho: com arrogância, prepotência e sem o mínimo respeito pelas tradições. Nós, que já vimos do que Javé é capaz em casos de desobediência, já podemos prever o que iria acontecer. Eles, porém, continuavam agindo da mesma forma.
Enquanto isso, o menino Samuel crescia e aprendia no Tabernáculo. Mesmo sendo ainda criança, vestia um manto sacerdotal de linho, e todos os anos sua mãe lhe trazia uma túnica nova, que ela mesma fazia. Nessas ocasiões, Eli abençoava Elcana e Ana:
— Que Javé dê a vocês muitos filhos, para tomarem o lugar deste que foi dedicado ao serviço do Tabernáculo.
E agora, que Elcana já sabia como fazer, estava fácil: o casal teve mais três filhos e duas filhas.
Quanto a Eli, já estava muito velho. Ele ouvia falar da forma como os filhos exerciam o sacerdócio, e também que comiam as putas que faziam ponto na porta da Tenda. Ele ainda tentava aconselhar:
— Meus filhos, tomem jeito! Javé é bravo, e muito mais bravo ainda com os sacerdotes. Se uma pessoa ofende a outra, Deus pode defendê-la, mas quem a defenderá se ela ofender ao próprio Deus?
— Bah, pai, que bobagem! Cê não sabe de nada. Os tempos são outros, precisamos renovar as coisas por aqui. Relaxa, velho.
E os dois não tomavam mesmo jeito. Eli vivia desgostoso, mas não havia nada que pudesse fazer — mesmo porque Javé já decidira matar Hofni e Finéias, tamanha era a raiva que sentia deles. Por outro lado, Javé gostava muito de Samuel. Todo mundo gostava: era um garoto dedicado, inteligente, respeitoso. Vendo que a situação exigia sua interferência, Javé escolheu um profeta que estava sem muito serviço e o enviou para o Tabernáculo, para que entregasse a seguinte mensagem a Eli:

Eli,

Eu me revelei a Arão, seu antepassado, e escolhi vocês para serem meus sacerdotes, e para fazerem o meio de campo entre o Israel e eu. Você conhece a história, não preciso contar tudo aqui. Eu dei a vocês o direito de ficarem com uma parte dos sacrifícios que são oferecidos. Olha só como eu sou legal. Só que acontece que esses mequetrefes desses seus filhos são têm os olhos maiores que a barriga, e comeriam um touro inteiro se conseguissem. Uma vergonha, Eli, uma vergonha!
E, cá entre nós, você está sendo omisso. Como é que você deixa seus filhos engordarem feito umas porcas prenhas, comendo a carne que devia ser destinada somente a mim? Assim não dá, Eli. No passado eu prometi que sua família serviria para sempre no sacerdócio, mas acho que vou mudar minha promessa. Chega. Eu respeito quem me respeita, e desprezo quem me despreza. E quem eu desprezo, não sei se você sabe, morre misteriosamente. Então é isso: eu vou matar todos os moços da sua família e da família do seu pai. Coisas muito boas vão acontecer em Israel, mas você vai passar por dificuldades, e nenhum homem de sua família chegará à velhice. Morrerão todos os homens da sua linhagem, e se algum sobreviver será apenas para envergonhá-lo. Hofni e Finéias morrerão no mesmo dia; isso será um sinal para você. Então eu escolherei para mim um sacerdote, um homem honrado que fará as coisas à minha maneira. Darei a ele descendentes que estarão sempre a serviço do rei que eu vou escolher. Quanto aos seus descendentes (se existirem), vão se curvar diante do rei para pedir dinheiro e comida, e virão aqui para implorar por algum trabalho.
Gostou? Gostou? Isso é pra vocês aprenderem a não mexer na minha comida, caralho!

J.

Eli quis argumentar, dizer que havia tentado avisar os filhos, que não adiantara porque eles eram teimosos. Mas o profeta tinha vindo só para trazer a mensagem, sem instruções para esperar resposta. Então apenas sentou-se em sua cadeira para pensar na mensagem que acabava de receber. Javé falara mesmo de um rei? Grandes mudanças estavam para acontecer em Israel…

Adeus, Lênin!

Alguém aí assistiu Good bye, Lenin? Podem me explicar como é que o amigo do protagonista aparece usando uma camiseta de Matrix numa cena que se passa em junho de 1990? Obrigado.

É óbvio que eu vou

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