Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas na categoria ‘Geral’

É tudo muito difícil

Quê? Não, não tem texto. É só isso mesmo.

Update

O mecânico me ligou. Não achou vazamento nenhum. Ele acha que o carro pode ter passado por uma poça e espirrado água no protetor do cárter. A água se misturou com a sujeira normal embaixo do carro e pingado depois. Ele limpou o protetor do cárter e falou que é pra eu ficar de olho no fim-de-semana.

Preço do serviço: R$ 30.

Ansiedade

Acabo de descobrir um vazamento de óleo no carro. Comprei o carro há pouco tempo. Reparei uma mancha de óleo no chão da garagem, fui ver embaixo do carro e, surpresa!, tá vazando óleo. Isso foi uma hora atrás. E desde então não consigo pensar em outra coisa. Não entendo nada de mecânica, então já penso no pior: o motor já era, o conserto vai me custar uns cinco mil reais (dinheiro que eu nem sonho em ter).

Essa é minha vida, o tempo todo. Alguma coisa acontece e eu já começo a me preocupar além do razoável. Na verdade, nem precisa nada acontecer. Basta que haja a possibilidade de acontecer para eu passar a agir como já tivesse acontecido. É um inferno. Já tomei remédio para isso, mas parei: o remédio me deixava meio bocó, felizão demais pro meu gosto e sem inspiração.

Aconselhado pela marida, resolvi procurar um acupunturista. A primeira consulta foi ontem, no consultório de um japonês da rede credenciada do nosso plano de saúde. Logo na entrada, notei o som ambiente: barulho de água, passarinhos, música new age, tudo em volume baixíssimo. O japonês disse que esse tipo de preocupação excessiva acontece por causa de um desequilíbrio no meridiano do baço-pâncreas.

Então tá.

Ele disse que esse desequilíbrio, além de causar preocupação constante, faz o cabra engordar. Eu tinha contado a ele que me preocupo demais, e é meio óbvio que eu sou gordo pra caralho, então não me impressionei muito. E ele disse também que a acupuntura pode me ajudar. Vou precisar de pelo menos dez sessões, uma por semana.

A primeira sessão foi ontem mesmo. Ele me levou até outra sala onde havia uma maca e o volume do som ambiente era mais alto. Me mandou tirar os sapatos, subir as calças até a altura do joelho e me deitar na maca. Então começou a espetar as agulhas: uma em cada canela, no peito dos pés, nas costas das mãos e na cabeça. Senti a picada nos pés e na cabeça, das outras agulhas nem senti nada. Fiquei lá deitado por vinte minutos, espetado feito uma borboleta gorda e peluda. Findo o prazo, ele voltou e se despediu. Marquei a segunda sessão para a próxima quinta-feira.

Saí de lá me sentindo melhor, mas acho que foi só por ter ficado vinte minutos deitado, sem fazer nada e ouvindo passarinhos. A crise de ansiedade de hoje acabou com a paz. Estou torcendo pra acupuntura funcionar, de verdade. Mesmo que seja só por auto-sugestão, ainda é melhor do que tomar remédio. Enquanto não faz efeito, vou vivendo assim, preocupado. Amanhã o carro vai ao mecânico. Já estou tentando calcular quanto eu conseguiria vendendo o carro em peças. É um inferno.

Estante e sofás à venda

Pois bem, nos mudamos. Depois eu conto da correria, do cansaço, da bagunça. Agora tenho algo mais urgente para tratar: esses móveis da antiga moradora, que ainda estão na casa:

Estante e sofás são de madeira maciça (Ana Cartola diz que empurrar a estante para o outro lado da sala foi como desencalhar uma jubarte). Estão em boas condições. Segundo a dona, são móveis em estilo colonial. Não me perguntem, não sei. Ela mandou um e-mail explicando tudo, ó:

1. Estante de madeira maciça, estilo colonial – cabe uma TV de 42 polegadas, tem espaço para guardar muitos DVDs, CDs, livros, jogos, etc. Armários com portas embaixo e nas laterais. Em bom estado de conservação, confira nas fotos!!
Medidas; 2,05m de largura; 2,10m de altura e 0,56m de profundidade.
Preço R$ 900,00

2. Conjunto de sofás de 3 e 2 lugares, em madeira maciça, estilo colonial – sofás muito confortáveis, com almofadas soltas e laváveis. Em bom estado de conservação, como você pode ver nas fotos!!
Medidas: 3 lugares: 1,80m por 0,90m de profundidade e 2 lugares: 1,25m por 0,90m de profundidade. Preço R$ 500,00

A forma de pagamento é negociável e o frete NÃO está incluso. Os móveis podem ser retirados próximo da estação Armênia do metrô, em São Paulo.

Quem tiver interesse, entre em contato que eu faço a conexão. O frete, como ela disse, não está incluso: quem comprar vai ter de retirar. Recomendo o serviço do Edson, o cara que fez minha mudança. Honesto, rápido, preço excelente.

Mudança

Após dois anos de alegrias, estamos de saída aqui da rua dos veados. Virou uma zona danada isto aqui: gente demais, as bichas fechando a rua. Vamos aqui para perto, no Bom Retiro. Alguém aí nos indica um carreto decente e não muito caro?

(Está tudo uma bagunça. Quando as coisas voltarem ao normal, volto aqui. _O/)

31 anos

Já faz uns meses que eu vi uma tirinha na internet e pensei: “Vou guardar”. Tinha só dois quadrinhos. No primeiro, um sujeito pulava da cama de manhã, todo feliz, gritando “It’s my birthday!”. No segundo, a Morte movia mais uma pedrinha em seu ábaco.
Bom, desnecessário dizer que perdi a tirinha, já que precisei descrevê-la. Cá estou, um ano mais velho, e com várias coisas novas acontecendo. Não posso me queixar.

Ô, correria do cão!

Não morri não. Acabei ficando na mesma empresa de antes, em melhores condições. Só que agora não tenho mais tempo sequer para pensar em Elias. O personagem, como eu disse, é muito bom, e ainda não sei como caracterizá-lo (isso não significa que o blog esteja aberto a sugestões; nunca esteve).
Dia desses eu volto. Enquanto isso, vão lendo algo que preste. Recomendo O Grande Gatsby, que estou lendo agora. Sublime.

Pronto

Decidido. Em breve, Elias.

Os reinados de Abias e Asa, em Judá, e de Baasa, Elá, Zinri, Onri e Acabe, em Israel

(I Reis 15 e 16)

Não estranhem o tamanho do título, nem a quantidade de nomes estranhos. Com as mortes de Roboão e Jeroboão, os reis se sucederam nos dois tronos, sem que nenhum deles fosse propriamente digno de nota.
Abias, por exemplo, que sucedeu Roboão no trono de Judá, não fez nada além do que seu antecessor fizera. Neto de Absalão, o filho encrenqueiro de Davi, Abias subiu ao trono quando Jeroboão estava em seu décimo-oitavo ano de governo, e continuou a encrenca com o vizinho do norte. A idolatria permaneceu forte em Judá durante seu curto reinado de três anos. Um reizinho bem apagado, mas que mereceu o prêmio de ter um filho seu na linha de sucessão, graças à simpatia de Javé por seu bisavô, Davi.
Asa, filho de Abias, foi coroado quando Jeroboão ainda vivia. Foi um rei zeloso, que expulsou do país todos aqueles que não seguiam a religião oficial, e destituiu sua avó, Maacá, filha de Absalão, do posto de rainha-mãe. A velha adorava imagens, e isso não condizia com a alta santidade do neto. Asa reinou por quarenta e um anos, e viu os reis do norte sucederem-se uns aos outros enquanto ele permanecia firme no trono. No segundo ano de seu reinado, Jeroboão morreu e foi sucedido por seu filho Nadabe, que reinou por apenas dois anos. Quando Nadabe estava cercando Gibetom, uma cidade da Filistia, um tal Baasa, filho de Aías, da tribo de Issacar, armou uma conspiração contra o rei e o matou. Baasa foi então coroado rei, e sua primeira providência foi matar todos os descendentes de Jeroboão, conforme dissera Javé por meio do profeta Aías.
Depois de se garantir no poder eliminando a concorrência, Baasa resolveu invadir Judá e construir muralhas ao redor da cidade de Ramá, para assim controlar o caminho que levava a Jerusalém. O plano visava enfraquecer o Reino do Sul, e unir todo o Israel sob seu cetro. Aconteceu, porém, que Asa, o zeloso rei de Judá, enviou mensageiros a Ben-Hadade, rei da Síria, e junto com eles todo o ouro e prata que haviam sobrado no Templo e no palácio de Jerusalém. Asa pedia a Ben-Hadade que retirasse o apoio dado a Baasa, e que se unisse a ele contra o Reino do Norte. Com tantos presentes vistosos, o rei da Síria nem titubeou: enviou seu poderoso exército a Israel, e os soldados sírios conquistaram as cidades de Ijom, Dã e Abel-Bete-Maacá (pense…), a região do lago da Galiléia e toda a tribo de Naftali.
Baasa não tinha bala na agulha para responder a tamanha retaliação, então achou mais prudente interromper a construção das muralhas em Ramá e retornar a Tirza. Com Ramá livre dos israelitas, o rei Asa mandou reunir o povo para retirar todo o material trazido do norte para a construção das muralhas, e usá-lo para erguer muros em torno das cidades de Mispa e Geba, na tribo de Benjamim.
Já bem velho, Asa foi acometido por uma doença nos pés e morreu. Foi o primeiro caso registrado na História de morte por frieira.

Lá no norte, Baasa fazia tudo o que mais irritava Javé: promovia a adoração de outros deuses, espezinhava os irmãos do Sul e cagava e andava para os profetas. Javé enviou, então, o profeta Jeú, filho de Hanani, para dar ao rei de Israel o mesmo recado que Jeroboão recebera tantos anos antes: que seus descendentes seriam mortos e devorados pelos animais. O profeta levou a mensagem ao rei, que morreu pouco tempo depois. A Bíblia diz que o rei foi castigado por sua idolatria, mas principalmente por ter massacrado a família de Jeroboão. O massacre, caso vocês não se lembrem, foi uma idéia do próprio Javé. Com a morte de Bassa no vigésimo-quarto ano de reinado, o Deus de Israel celebrava a prática hoje conhecida como “tirar o cu da reta”.
Baasa foi sucedido no poder por seu filho Elá. Um dia, dois anos depois de ser coroado, Elá estava enchendo a cara na casa de Arsa, encarregado do palácio. Zinri, um dos oficiais do exército, entrou na casa e atacou o rei que, bêbado, não teve como reagir. Morto Elá, Zinri foi coroado rei no Norte, no vigésimo-sétimo ano do reinado de Asa em Judá. No primeiro dia de seu governo, a ordem corriqueira: matar todos os descendentes de Baasa.
Zinri bateu todos os recordes de brevidade em Israel. Sua conspiração só deu certo porque a maior parte do exército israelita estava novamente (ou ainda) sitiando Gibetom. Quando a notícia da conspiração chegou ao acampamento, os soldados se revoltaram e ali mesmo coroaram seu comandante, Onri. O oficial reuniu a tropa, e seguiram todos para Tirza. Quando Zinri viu que a cidade estava cercada, e por seu próprio exército, desesperou-se e tocou fogo no palácio. Zinri morreu queimado, tendo reinado em Israel por apenas sete dias.
Com a morte de Zinri, o reino dividiu-se. Parte do povo apoiava a subida de Onri ao trono, outra parte queria coroar um tal Tibni, filho de Ginate. No fim das contas, o partido de Onri prevaleceu e Tibni foi morto.
Onri ainda tentou governar a partir de Tirza, mas a cidade já não era a mesma. Com o palácio incendiado e parte da cidade destruída pelo cerco, saía mais barato mudar a capital. O rei, então, comprou umas terras de um tal Semer, pagando por elas setenta quilos de prata. As terras incluíam uma montanha, na qual Onri construiu uma cidade e defesas militares. Em homenagem ao seu primeiro proprietário, o rei chamou a cidade de Samaria. Após doze anos de reinado, durante os quais deu continuidade à idolatria dos reis anteriores, Onri morreu e foi sucedido por seu filho, Acabe.

Os reis iam e viam em Israel, e Asa continuava firme no trono de Judá. Em seu trigésimo-oitavo ano de governo, o filho de Onri foi coroado no Norte. Acabe foi, provavelmente, o rei que mais trabalho deu a Javé. Não contente em deixar que o povo continuasse a adorar os deuses que quisesse, o rei tomou alegremente parte ativa na idolatria. Casou-se com Jezabel, filha do rei de Sidom, Etbaal, e adotou o deus da família da esposa, Baal. Os altares e ídolos construídos por outros reis antes dele eram nada diante do templo erguido por Acabe em honra a Baal, em Samaria. Para piorar, permitiu que um tal Hiel de Betel reconstruísse a cidade de Jericó. Pode parecer pouco, mas após a destruição de Jericó Josué havia amaldiçoado a cidade, dizendo que quem colocasse os alicerces perderia o filho mais velho, e quem erguesse os portões perderia o caçula. Como Hiel fez as duas coisas, Hiel perdeu seu primogênito, Abirão, quando botou os alicerces, e Segube, o mais novo, quando colocou os portões na cidade pronta.
Enquanto seus antecessores pecavam apenas por omissão, Acabe deleitava-se em desafiar Javé de todas as maneiras. Para um cabra ruim assim, o Senhor dos Exércitos ia precisar arrumar um oponente daqueles. Os velhos profetas, pouco mais do que garotos de recado, não dariam conta de tamanha tarefa. Era preciso um paladino, quase um Moisés. Conseguiria Javé arrumar um sujeito assim para enfrentar Acabe? É o que veremos.

Jornalista é gado

A historieta da Intel já deu o que tinha que dar. Conversei bastante com a assessora, e parece que tudo foi uma mistura de mal-entendidos com uma presepadazinha. Nada de mais, pois. Só que a discussão pegou fogo lá no Pérolas. Estudos mostram que os jornalistas brasileiros têm em média um ego duas vezes maior do que o de um argentino comum. Então foi aquele furdunço: jornalistas de redação falando dos assessores, assessores achincalhando os repórteres, nego pregando a revolução, enfim, coisinhas divertidas. Porém, o comentário de um retardatário me chamou a atenção, justamente por referir-se a mim:

Não que explique ou justifique… Mas vamos combinar que uma publicação que manda para uma coletiva um jornalista que nem é jornalista, que publica matérias de um jornalista que não é jornalista e que tem entre seus jornalistas esse mesmo jornalista que não é jornalista e que fica pagando de jornalista-gatinho por todos os cantos da internet tb não tem moral de ficar criticando quem faz as coisas erradas, né?

É claro que o bonitão (ou bonitona) não se dispôs a dar a cara a tapa: o comentarista se oculta por trás do escudo covarde do anonimato. Não me interessa quem seja, também. Dá para perceber que se trata de mais um que considera o jornalismo um sacerdócio, uma função sagrada a ser exercida apenas pelos iniciados. Pobre alma. Ainda não percebeu que jornalista é gado, e que segue a direção determinada por seu patrão boiadeiro. A questão toda é o diploma? Eu já estive numa faculdade de jornalismo. Se aquela papagaiada toda fez diferença na vida do caro anônimo, só tenho a lamentar. Formação cultural independe de universidade, e um texto decente nasce da leitura compulsiva, não das cadeiras mágicas da faculdade.
Não sou jornalista, e não pretendo sê-lo. É só uma profissão que exerço no momento. Se me aparecer uma atividade mais interessante, largo o jornalismo com gosto. Não vejo nada de sagrado no jornalismo, e não me sinto socialmente responsável por ser (estar) jornalista. É um trabalho: vendo parte do meu tempo e do meu parco talento para uma empresa, a empresa me paga uns caraminguás, e assim vamos vivendo. Não é um privilégio ser jornalista. Não é a coisa mais linda do mundo. Não é emocionante. Só um trabalho besta.
Agora, só não entendi uma coisa: pagando de jornalista-gatinho por todos os cantos da internet? Eita preula! E eu tenho culpa de ter um blog que as pessoas gostam de ler, e que o que eu escrevo por aqui ecoe em outros rincões da rede? Apaporra! Comecei o blog antes de ser jornalista, e este troço continuará existindo depois que eu mudar de profissão.
Jornalista é uma raça muito estranha, credo.

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