É engraçado. Um ciclista morre atropelado, todo mundo se revolta. 50 mil pessoas são assassinadas no Brasil todo ano e ninguém fala nada. Será porque a maior parte desses 50 mil é de moleques meio pretos que moram lá na casa do caralho? Não, claro que não. Você sabe como é a periferia, sabe como é a vida, está fazendo sua parte para mudar o mundo. Você aprendeu tudo ouvindo o Criolo. Você usava sacolas retornáveis muito antes de tirarem as sacolinhas de plástico do mercado, é um hipster da ecobag! Você vai trabalhar de bicicleta!
Talvez esteja aí a solução: vamos incentivar o uso da bicicleta na periferia. Vamos estimular o cara sair lá do Capão Redondo ou de São Miguel Paulista e andar 30, 40, 60 quilômetros por dia de bicicleta até o trabalho. É isso que vocês querem, não é? Todo mundo indo trabalhar de bicicleta. E assim quando matarem um moleque desses com um tiro na cabeça, vocês não vão mais ignorar. Mataram um ciclista! Não podemos aceitar!
Quem sabe, né?
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Marco Aurélio Gois dos Santos | 04/04/2012 | 11:05 |
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Quem me segue no Twitter já sabe que estou com uma cachorrinha em casa esperando um dono. É a Olívia. Olha ela:
A Olívia tem sorte de ser um labrador. Todo mundo quer um labrador. Ela tem sorte também de ter quatro anos (já não destrói a casa) e de ser muito tranqüila. Já tem fila querendo adotá-la. Só que na outra ponta dessa fila de potenciais donos da Olívia, há uma fila de vinte cachorros precisando de dono. Calma, vou explicar.
Meu sogro tem um sítio em Mairiporã. Há muitos anos o sítio é habitado principalmente por cães. Um cachorro aparecia na porta de casa: era tratado, vacinado e levado para o sítio. Mesma coisa para cães encontrados na estrada ou, como no caso da Olívia, “esquecidos” no sítio. Na época de maior população canina, 50 cachorros moravam lá. Hoje são 27.
Só a ração pra essa cachorrada toda custa 1.500 reais por mês. É impraticável: meu sogro é aposentado; os quatro filhos ajudam como podem, mas mesmo assim é difícil. Então Ana Cartola e seus irmãos decidiram reduzir o número de cães no sítio e estão montando uma câmara de gás.
Mentira.
O projeto é trazer um cachorro por vez para São Paulo, passar pelo veterinário, dar banho, castrar e arrumar um dono. Nossa meta é ter no máximo seis cães no sítio. Com a Olívia foi fácil: quem não quer um labrador dócil? Mas há outros cães lá, alguns de raça, a maioria vira-latas. São todos cães adultos. Contamos com a ajuda de Lele Siedschlag e sua rede de contatos; sem esse povo a Olívia ainda não teria um dono. Mas vamos precisar de toda ajuda que vier.
E como você pode ajudar? De várias formas. Você pode adotar um cachorro. Você pode divulgar este post por aí. Você pode mandar dinheiro, claro:
Toda ajuda é bem-vinda.
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Marco Aurélio Gois dos Santos | 06/03/2012 | 13:02 |
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Este blog já vai para dez anos de existência e só agora percebo que nunca contei aqui um aspecto importante da minha vida. Finalmente criei coragem. Preparados? Pois lá vai: há anos eu venho fazendo aquilo que a imprensa chama de “travar uma luta contra o câncer”. Estou ganhando de lavada, porque até agora não tive nenhum diagnóstico oficial de câncer. Mas eu não me engano: sei que ele está lá, pronto para atacar.
Já tive câncer várias vezes na vida. Tempos atrás, tive um caso sério de câncer na língua. Mostrei para a Ana Cartola e ela me recomendou passar Gingilone. Eu passei, o câncer sumiu. Ela diz que era afta; eu digo que a ciência precisa estudar melhor a ação do Gingilone contra o câncer.
Durante a maior parte da minha vida eu não me preocupei com o câncer. Inocente, pensava que ninguém na minha família tinha morrido d’”aquela doença”. Falei isso para a minha mãe, ela riu e me contou que o pai e a avó materna dela tiveram câncer. Meu avô morreu disso. A bisavó se curou, mas depois teve varíola — que é outro medo que eu tenho (“erradicado” meu ovo), mas isso fica para outro dia.
Toda vez que tenho dor de cabeça, sei que é um tumor no cérebro. Um tumor que anda, porque a dor é sempre numa região diferente da minha vasta sobreloja. Já tive tumores nos dedos do pé (disseram que era frieira), no saco (“pêlo encravado”), no peito (“espinha”), na pálpebra direita (“verruga”). Fui tomar banho numa manhã de julho e levei um susto ao ver um tumor logo acima das minhas bolas. Era preto, todo enrugado, parecia uma uva passa. Até eu perceber que era meu pinto, foi um deus-nos-acuda. Frio é foda. Teve uma outra vez que me apareceu uma pinta no braço. Marrom, bordas irregulares. Achei que era câncer (claro), mas sumiu depois que eu tomei banho. Era café. Tinha outras manchas parecidas na minha camiseta.
E assim venho travando essa luta inglória. Levo a vida normalmente, mas sempre esperto com o câncer, sempre com a pulga atrás da orelha. Aliás, acabo de perceber um carocinho atrás da minha orelha esquerda. É câncer, tenho certeza.
Lendo esse poema que Pablo Neruda escreveu em homenagem a Stálin, fico incomodado. Nem é tanto pelo cara escrever uma ode ao maior assassino em massa do século XX, quiçá da história. Não: o que me incomoda é que eu imagino o Neruda bem à vontade numa casa de praia da Ilha Negra, escrevendo cada verso enquanto olha um retrato de Stálin e mantém pelo menos um dedo enfiado bem fundo no cu.
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Marco Aurélio Gois dos Santos | 16/11/2011 | 10:59 |
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Bela deve ter uns dez meses de idade. Já está vacinada, castrada, a coisa toda. Quando encontramos Bela pela primeira vez, ela estava na merda, com duas patas na cova e as outras duas no skate. Conto.
Foi numa manhã de sábado. Saí para passear com o Rondeli e vi uma cachorra deitada na calçada, com duas moças paparicando ela. Eu achei que elas fossem um casal de lésbicas e que a cachorra fosse delas. Continuei meu caminho, então. Um pouco mais adiante, Rondeli parou para farejar um pedaço de salsicha no chão. Puxei ele de volta e seguimos andando.
Quando voltamos do passeio, minha cunhada veterinária havia se juntado às moças. Não eram um casal: uma tinha parado para acudir a cachorra, a outra passou depois e também parou. A cachorra estava mal, perguntaram se havia um veterinário por perto e, para sorte de Bela, minha cunhada estava a duas casas de distância. Com a ajuda das duas moças, a cunhada conseguiu levar a cachorrinha até a casa dela. O bicho estava zoado: diarréia, vômito, tremedeira. Pior: estava cega. Minha cunhada deduziu que era um caso de envenenamento, o que logo me fez pensar no pedaço de salsicha que eu não deixei o Rondeli comer. Então a cachorra foi medicada e dias depois estava bem, andando, enxergando e controlando as funções corporais normalmente.
Agora a Bela está em um pet shop de Santana esperando alguém disposto a adotá-la. Já saí para passear com ela, e é uma cachorra obediente, calma e muito inteligente. Não é lá essas belezas, é verdade, mas pelo menos não é tão feia como o Rondeli.
Se alguém se interessar (ou conhecer quem se interesse), pode falar comigo nos comentários deste post ou pelo formulário de contato do blog. Mais fotos da Bela para amolecer seu coração de pedra:
Bela, a cadela que escapou por pouco
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Marco Aurélio Gois dos Santos | 18/07/2011 | 00:03 |
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Depois de adotar um cachorro, a maior preocupação minha e de Ana Cartola foi encontrar um adulto responsável que cuidasse dele. Não encontramos ninguém disposto a fazer isso de graça, então decidimos buscar ajuda especializada. Baixamos a primeira temporada do Encantador de Cães e compramos livros desse cara e do Alexandre Rossi, o Dr. Pet. Vimos dois episódios da série, Ana Cartola começou a ler o livro do Dr. Pet e eu peguei o livro de Cesar Millan, o Fabio Puentes do mundo canino.
Logo percebemos a diferença básica. O livro do Dr. Pet se baseia em recompensas e punições. Nada de bater ou castigar o cachorro, só coisas para desencorajar certos comportamentos. Por exemplo: se seu cachorro arranca as roupas do varal quando você não está em casa, você pode colocar biribinhas (ou estalinhos, como dizem as pessoas sem cultura) sobre os prendedores de roupa. O cachorro puxa a roupa, começa a estourar biribinha pra todo lado, ele acha que Deus tá castigando e pronto. O Dr. Pet também ensina a fazer brinquedos caseiros, como esse aqui:
Ah, mas o livro do Encantador de Cães é outra pegada. Cesar Millan passaria tranqüilamente por imigrante ilegal, não fosse o botox:
"Dorme, dorme, dormedormedorme..."
Ele tem cara de picareta e é picareta mesmo. Quase tudo que ele diz se baseia na sua “energia” e na “energia” do cachorro. Você precisa transmitir o tempo todo uma “energia calma-assertiva” para que o cachorro entre num modo de “energia calma-submissiva”. Se você não quer que o cachorro passe por um determinado lugar, você cria uma parede invisível com a sua energia para bloquear a passagem. Se você não quer que o bicho pegue um objeto, você toma posse desse objeto usando a sua energia. Ele diz que a multidão de cães abandonados será a grande responsável por aumentar o karma ruim da nossa espécie. Péssimas energias. Dá vontade de ligar o cu dele no 220, pra ele ver o que é energia.
Mas nem tudo que ele fala é bullshit (algumas são bulldick; já falo disso). Nas poucas vezes em que ele resolve ser específico, dá dicas muito boas de como se comportar perto do cachorro para não criar um bicho ansioso, doido e mal humorado dentro de casa (basta eu). Ele recomenda chamar a atenção do cão usando primeiro o sentido mais aguçado dele, que é o olfato. A seqüência nariz-olhos-orelhas funciona bem: olfato primeiro, depois visão e audição por último. E é aí que chegamos ao bully stick, que é a razão de ser deste post.
Desde o começo do livro ele fala no tal bully stick, um tipo de petisco que ele carrega pra todo lugar que vai. Achei que fosse um ossinho, essas coisas, mas ele explica logo de cara: o bully stick é um pênis de touro desidratado. (Não, os caras não vão atrás de touros desidratados para cortar o pau deles. É o pênis que é desidratado depois de cortado. Prestem atenção.)
A cara de Cesar Millan não engana, ele curte mesmo um pinto. E quase toda página do livro há uma referência ao bully stick. Ele usa o pinto de boi para atrair a atenção dos cães pelo olfato, para conduzi-los, para acalmá-los. Gostei da idéia e resolvi experimentar o pinto. Procurei no Google, não achei nenhuma referência ao tal negócio aqui no Brasil. “Ainda não somos evoluídos e seguros a ponto de oferecer caralho seco aos nossos cães”, pensei eu. Ou então, pensei em seguida, talvez o negócio tivesse outro nome aqui, um eufemismo ainda mais obscuro. Como a internet não me ajudava a achar o produto, pedi ajuda a Ana Cartola. Ela ia à Cobasi mesmo, podia procurar o tal negócio lá.
Duvidei que ela fosse encontrar bully stick na loja. Eu já tinha pesquisado tanto e não tinha nem pista de onde comprar o bagulho no Brasil. Então me surpreendi quando recebi um SMS: “Adivinha o que eu achei aqui? VERGALHO BOVINO!” Em vez de inventar um jeitinho simpático para nomear o produto, os brasileiros resolveram chamar o negócio pelo nome mesmo. Fiquei espantado por minha esposa ter encontrado o que eu tinha procurado tanto e sem sucesso. Depois raciocinei: se ela consegue achar o meu, não vai achar o do touro, que é grandão?
À noite ela chegou em casa e demos o vergalho bovino para o Rondeli. Ainda não tinha visto ele tão enlouquecido com um brinquedo novo. Ele pegou o petisco, levou para um canto e passou a nos ignorar completamente; fomos dormir e ele nem ligou. Rondeli passou a noite inteira com o pinto na boca. Já pode trabalhar na televisão.
Notaram uma aba nova ali em cima? Não? Porra, cês são foda…
Seguinte: subi de novo os PDFs da Bíblia segundo o JMC. Estão aqui. Quem tiver interesse pode baixar os livros lá. Se tiver algum link quebrado, me avisem.
Seja bem-vindo, fique à vontade, esparrame-se. Se não gostar de alguma coisa que ler por aqui, a Internet é grande: vá para outro canto e não me encha o saco.