Coisas escritas na categoria ‘Trabalho’
Trabalho, trabalho, trabalho
Caso você veja essa revista na banca, compre. Nela está parte da explicação pelo meu sumiço recente.
Ah, outra coisa: leia isso.
Obrigado, viu?
Olá, meus caros
Desculpem o sumiço, meu povo. Estou sob uma pressão desgraçada. Neste exato momento há três empresas brigando pelo meu passe. O bicho tá pegando, e não sei como diabos tomar uma decisão. O próximo personagem da história da Bíblia é o Elias, que não pode ser feito de qualquer jeito. O cara é pau-a-pau com Moisés, imaginem. Portanto, para não fazer um negócio meia-boca com um personagem tão legal, estou segurando as pontas enquanto não dou um rumo à minha vida.
Eu volto. Não sei quando.
O Google me odeia
O pessoal do Google não gostou muito do último parágrafo dessa nota. Eu não presto: não contente em bulir com o deus espiritual, fui agora me meter com o deus cibernético. Vamos ver agora para qual inferno me mandam: o da Bíblia ou o de Matrix.
Pérolas
Em quatro dias de carreira com jornalista eu já percebi alguns fatos bem interessantes sobre o mal necessário que são as assessorias de imprensa. O primeiro é que toda empresa é líder em seu segmento, isso quando não é líder global. Bom, pelo menos é o que dizem os releases. Em Tecnologia, então, é uma festa: tirando Microsoft, Oracle, HP, IBM, Cisco e outras quitandas, tudo quanto é empresa é líder. “A Chibungo Software, líder global no desenvolvimento de software para associações de albinos jogadores de gamão, anunciou hoje um lucro de R$ 2,70 e meia mariola”.
Além de todas essas lideranças, toda hora tem alguém comemorando alguma coisa. “‘Se contarmos a mariola, nosso lucro foi o dobro do esperado’, comemora Asclépio Lompas, CEO da Chibungo Software”.
Tendo percebido essas características, pensei em criar um blog só para deliciar meus leitores com essas e outras pérolas. Felizmente, porém, tal blog já existe e é escrito pelo Edu, meu colega de redação: Pérolas das Assessorias de Imprensa. Divirtam-se.
Ei
Alguém aí tem um trabalho para mim? Sério. Está começando a ficar difícil. Alguém?
Ô situação!
Semana passada recebi o e-mail de cobrança da Fapesp referente ao pagamento pela manutenção do domínio jesusmechicoteia.com.br. Trinta reais, mixaria, com vencimento em 25 de abril. Mesmo assim, pensei em não pagar, em deixar que excluíssem o domínio. Porque eu não tenho a mínima vontade de escrever aqui. Já passei por situação semelhante em outras ocasiões, mas sinto que agora é diferente, mais dolorido e difícil.
Estou às vésperas de completar os 30 anos e, enquanto os amigos recebem promoções, ganham dinheiro e se casam, eu continuo na mesma de sempre. Arranjei emprego numa empresa grande, uma das maiores do mundo. Muita gente estaria feliz com uma oportunidade assim, mas o bonitão aqui não se adaptou ao trabalho sem inteligência, sem aprendizado. Então eis minha situação: após doze anos de trabalho na área de tecnologia, continuo um profissional medíocre e sem ambição alguma. Eu só queria mesmo um emprego que me desse o dinheiro suficiente para pagar minhas contas e me deixasse tempo para escrever.
Escrever. Com tanta gente por aí com vocações úteis, eu nasci com esse talento (duvidoso) para algo que não me dá dinheiro e cada vez me dá menos prazer. Se escrevo é porque preciso, porque não sei me expressar de nenhuma outra forma.
Uma vida medíocre. Tentei a música, atingi a mediocridade. Tentei a fotografia, e nem à mediocridade cheguei. Tentei escrever, e a mediocridade mais uma vez me assombra. Agora tento (pela segunda vez) o jornalismo: escrevi matéria para uma revista, mandei idéia de pauta para outra, e estou aqui angustiado para ver no que isso vai dar. Larguei um emprego seguro, com bom salário (para alguém tão medíocre), benefícios, seguro de vida para não apoquentar a família com o peso de minha morte. E por quê? Porque o emprego me corroía a saúde, porque o trabalho não fazia sentido nenhum para mim.
Trinta anos, nenhum juízo e uma pilha de contas para pagar. A isso se resume minha vida. Tenho crises de ansiedade cada vez piores e mais freqüentes. Sinto-me cansado, derrotado, perdido. E, olha, a sensação não é nada boa.
Salvador, 20 de outubro de 2004, 18h20min.
Um dia de evento bastou para que eu reforçasse de vez uma resolução tão recente quanto intensa. Andando pelos corredores, batendo papo ou proferindo minha palestra (não gostei, mas o povo parece que gostou), eu olhava para aquelas pessoas e pensava: eu não vou mais trabalhar com tecnologia.
Mas e então, que fazer da vida? Ah, essa é a pergunta que me tira o sono há meses. Escrever? Tá, mas escrever o quê? Para quem? E mais importante: quem paga?
E chega de excertos do diário, vocês não merecem essa veadagem toda.)
Salvador, 20 de outubro de 2004, 1h15min
Estava agora mesmo na varanda deste quarto de hotel, olhando o mar discutir com as pedras lá embaixo. Uma briga antiquíssima, anterior à existência de vida na Terra.
Eu poderia agora dizer algo pernóstico como: o mar vence sempre, é o masculino que seduz e aos poucos penetra a terra, fêmea que ao mesmo tempo resiste e cede às investidas do macho impetuoso. Mas como nunca maltrato meus leitores com metáforas burras e pretensiosas (é sempre uma coisa ou outra), digo apenas: enquanto olhava a briga lá embaixo, lembrei da morte. Da minha morte, para ser exato. Eu vou morrer — hoje mesmo, semana que vem, daqui a cinqüenta anos — e nunca mais poderei assistir ao mar quebrando na praia (é bonito, é bonito). Minha morte afetará a meia dúzia de pessoas, talvez nem isso. E as ondas continuarão a chocar-se contra o continente, indiferentes ao fim de mais uma breve existência, e sem saber o quanto eu gostava de ficar de longe, só olhando seu movimento sinuoso.
Poucas vezes me senti tão só.
Skype
Na quarta-feira de manhã, a abertura do evento ficou a cargo de John Patrick, antigo vice-presidente da IBM e fundador do W3C. A palestra era sobre o futuro da internet. Aí foi o mesmo de sempre: um guru fazendo futurologia, tentando prever o que vai acontecer, e correndo do óbvio para o intangível sem que a platéia sequer percebesse. De qualquer forma, foi uma preleção bem legal, e ele acabou falando sobre uma coisinha bastante interessante: o Skype, software que proporciona tráfego de voz através da internet (funciona também como provedor de Voice over IP para ligar para telefones convencionais, mas aqui no Brasil ainda não vale a pena). Quando ele falou nisso, achei bobagem. Ué, MSN Messenger, Yahoo Messenger, ICQ, todos esses programinhas de comunicação oferecem alguma opção de voz. Para que ter mais um ícone comendo memória ali na minha taskbar?
Ontem eu entendi o porquê: enquanto lia a página do Skype e tentava decidir se valia ou não a pena tentar, me vem a Lila no MSN: “Ei, cê tem Skype?”. Coincidência incrível. Baixei, pois, o danado, e comecei a falar com Lila. Pô, o negócio é melhor que telefone. Eu aqui, Lila no Rio, e nos falávamos de graça com qualidade de voz impressionante e sem qualquer delay.
Experimentem, vocês vão gostar. E quem quiser ouvir essa minha bela voz, é só me adicionar: usuário jesusmechicoteia.





