Jesus, me chicoteia!

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Agora é Lula

Agora é Lula!

Videozinho

Mas o negócio mais legal que eu vi no site do Cláudio Humberto foi este vídeo (900k). Eu já tinha ouvido falar bastante dessa ocasião em que uma piada fez muito mal para a imagem de Lula, mas nunca tinha visto. Hilário.

Pra que diploma?

A campanha de José Serra recentemente resolveu apelar para a falta de diploma de Lula como argumento. O próprio Serra pediu para que seus marqueteiros tirassem essa menção ao curso superior. Achei que tivesse sido um ato de cavalheirismo, mas nem isso. Em e-mail enviado a mim pelo Claudio Lara, fiquei sabendo que o Claudio Humberto, em sua coluna no Jornal O Dia, fez uma revelação bastante curiosa: Serra não tem diploma! O cara não terminou o curso superior aqui e fez pós-graduação e mestrado no exterior. Muitos países aceitam que qualquer um faça esses cursos, mesmo que só tenha o primário.
Não vejo nada de mais nisso. Tudo aconteceu nos anos 60, tempos difíceis para quem, como José Serra, lutava contra o regime militar. Talvez ele não tenha concluído o curso superior por ter visto que o bicho estava pegando por aqui, e era melhor sair do país. Não sei. Seja como for, Serra não tem formação universitária. Na melhor das hipóteses, isso ocorreu porque ele foi impossibilitado de cursar a universidade. Ou seja, ele não é formado pelo mesmo motivo que Lula.

Um teste que vale a pena

Achei aqui. Clique no gráfico para saber em que quadrante político você se situa. Eu estou li embaixo à esquerada, olha, socialmente bem perto do anarquismo e economicamente próximo ao comunismo.

Isso aê!

“Fernando Henrique Cardoso talvez seja, de todos os presidentes da história do Brasil, o que teve melhor imagem no exterior. Mas nós não ganhamos nada com isso. Os Estados Unidos não cederam um milésimo nas tarifas que eles impõem aos produtos brasileiros. Por quê? Porque o problema é outro. Não é falar idioma estrangeiro. É defender os interesses do país. Além disso, a diplomacia mundial exige que cada presidente fale em sua própria língua. O Helmut Kohl foi primeiro-ministro da Alemanha sem saber falar inglês. Essas cobranças são coisas de intelectual atrasado.”
(Lula, em entrevista à — bleargh! — Veja)

Profecia política

Um dos pseudo-argumentos que usam para me criticar é aquela velha falácia de que teríamos profecias bíblicas se cumprindo nos dias de hoje. Aí você vai ver, são passagens gerais demais, que podem se aplicar a várias situações. Profecia por profecia, prefiro afirmar que Rubem Braga profetizou a eleição de Luis Inácio Lula da Silva para o cargo de Presidente da República numa crônica de junho de 1935 intitulada “Luto da Família Silva”. Leiam, vale a pena:

A assistência foi chamada. Veio tinindo. Um homem estava deitado na calçada.

Uma poça de sangue. A Assistência voltou vazia. O homem catava mono. O cadáver foi removido para o necrotério. Na seção dos “Fatos Diversos” do Diário de Pernambuco, leio o nome do sujeito: João da Silva. Morava na Rua da Alegria. Morreu de hemoptise.
João da Silva — Neste momento em que seu corpo vai baixar vala comum. nós, seus amigos e seus irmãos, vimos lhe prestar esta homenagem. Nós somos os joões da silva. Nós somos os populares joões da silva. Moramos em várias casas e em várias cidades. Moramos principalmente na rua. Nós pertencemos, como você, à família Silva. Não é uma família ilustre; nós não temos avós na história. Muitos de nós usamos outros nomes, para disfarce. No fundo, somos os Silva, Quando o Brasil foi colonizado, nós éramos os degredados. Depois fomos os índios. Depois fomos os negros. Depois fomos imigrantes, mestiços. Somos os Silva. Algumas pessoas importantes usaram e usam nosso nome. É por engano. Os Silva somos nós. Não temos a mínima importância. Trabalhamos, andamos pelas ruas e morremos. Saímos da vala comum da vida para o mesmo local da morte. Às vezes, por modéstia, não usamos nosso nome de família. Usamos o sobrenome “de Tal”. A família Silva e a família “de Tal” são a mesma família. E, para falar a verdade, uma família que não pode ser considerada boa família. Até as mulheres que não são de família pertencem à família Silva.

João da Silva — Nunca nenhum de nós esquecerá seu nome. Você não possuía sangue-azul. O sangue que saía de sua boca era vermelho — vermelhinho da silva. Sangue de nossa família. Nossa família, João, vai mal em política. Sempre por baixo. Nossa família, entretanto é que trabalha para os homens importantes. A família Crespi, a família Matarazzo, a família Guinle, a família Rocha Miranda, a família Pereira Carneiro, todas essas famílias assim são sustentadas pela nossa família. Nós auxiliamos várias famílias importantes na América do Norte, na Inglaterra, na França, no Japão. A gente da nossa família trabalha nas plantações de mate, nos pastos, nas fazendas, nas usinas, nas praias, nas fábricas, nas minas, nos balcões, no mato, nas cozinhas, em todo lugar onde se trabalha. Nossa família quebra pedra, faz telhas de barro, laça os bois, levanta os prédios, conduz os bondes, enrola o tapete do circo, enche os porões dos navios, conta o dinheiro dos Bancos, faz os jornais, serve no Exército e na Marinha. Nossa família é feito Maria Polaca: faz tudo.

Apesar disto, João da Silva, nós temos de enterrar você é mesmo na vala comum. Na vala comum da miséria. Na vala comum da glória, João da Silva. Porque nossa família um dia há de subir na política

Antes que digam alguma coisa, esse aí não é um desses textos de autoria duvidosa que circulam pela internet. Está no livro 200 Crônicas Escolhidas, e originalmente estava em O Conde e o Passarinho.

Vote Moretti!

Eu sempre vejo esse cara na Praça Ramos de Azevedo, centro de São Paulo: Barbudo, de boina vermelha, sempre conversando com algum transeunte atrás de sua banca com artigos revolucionários, bandeiras de Cuba e gravuras de Che Guevara. Nunca tinha ouvido sua voz, então fiquei surpreso ao passar por lá hoje a caminho do Marabá (melhor sala de cinema de São Paulo, não discutam) e vi o Moretti empolgado, distribuindo panfletos e berrando:
— Vote Moretti, vote pela rebeldia, vote pela maconha.
Ôpa, eu não podia perder isso. Peguei o folheto:

Enquanto lia, vi que o Grilo, velho amigo da minha família, estava lá na banquinha do Moretti conversando com outro cara. Acenei pra ele.
— Ô, e aí, Marco? Beleza? Vi esse cara falando “Vote pela maconha” então vim ver qual é que é, qual é a idéia do cara e tal. Ô, li seu site, o Jesus, me chicoteia!, mas não entendi direito. Sua intenção não é zombar da religião nem nada assim, é?
— Claro que não, Grilo. O meu negócio é humor, só isso.
— Ah, legal. Eu tava tentando entrar esses dias e não conseguia, aí só depois vi que tava digitando errado, www.jesusmechicoteie.com.
— Hum. Você que tá certo, acho que “me chicoteie” é o imperativo.
— É, acho que é. Bom, manda um abraço pra todo mundo lá.
— Falô, Grilo, té mais.
Porra, o Grilo lê isto aqui! Aê, Grilo, seja bem-vindo! E puta papo surreal que nós tivemos.
Bah, estou divagando. O negócio é esse aí, se você mora em São Paulo e ainda não tem candidato a Deputado Estadual, vote Moretti, 43073. Pela rebeldia.

Vamos deixar o Lula em

Aliás…

Se alguém apoiar essa campanha — “Não seja porco: Vote limpo” — e quiser colaborar com um banner, agradeço muito. Porque eu só faço coisa tosca.

Porcos

Repararam que eu tirei o bannerzinho do Lula ali da barra lateral? Então. Como vocês sabem, estou fazendo curso desde a semana passada, o último de uma série que parecia interminável. O instituto que oferece os tais cursos fica na Avenida Paulista, cartão postal de São Paulo na falta de paisagem melhor. Pois muito bem: A Paulista está imunda.

— A Paulista É imunda, Chicoteia!

Calaboca. Não falo do lixo que meus irmãos paulistanos jogam na rua, nem do saudável monóxido de carbono que respiramos. A nova sujeira, a mais ultrajante, vem da propaganda eleitoral: os postes da cidade inteira, e principalmente da Paulista, estão totalmente vestidos com cartazes e flâmulas de plástico-entope-bueiro. A cada dia, conforme o 6 de outubro se aproxima, a cidade fica mais suja: Postes, pontes, viadutos, muros, árvores, tudo serve na hora de pendurar o nome e o número do porcalhão filho da puta. E nisso todos são iguais mesmo: petistas, tucanos, peemedebistas, malufistas, comunistas, contra-burguês-vote-dezesseisistas, liberais, e até os verdes, que em tese deveriam proteger o meio-ambiente e aquela balela toda.

E depois das eleições, será que os comitês de cada candidato sairão às ruas para recolher a sujeira que fizeram? Claro que não: essa limpeza ficará a cargo dos garis da prefeitura, que já têm trabalho mais do que suficiente nessa cidade imunda. Isso sem contar que uma chuva como a da última sexta-feira se encarrega de parte do trabalho, arrastando essa sujeira toda para os bueiros. “Ah, não sei porque tem tanta enchente em São Paulo”.

Malditos candidatos. Maldita campanha eleitoral. Eu não sou porco. Meu pai me ensinou a nunca jogar lixo na rua e a dar bronca em quem o faz, e eu costumo seguir os ensinamentos do velho. Então no dia 6 de outubro, farei questão de ir até minha seção eleitoral para apertar 6 vezes BRANCO + CONFIRMA.

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