Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas na categoria ‘Ofensas’

Ofensa velada

Após uma reportagem sobre a devastação da Mata Atlântica, o Jornal Nacional passa a falar da posse do novo ministro do Meio Ambiente. A matéria inclui um trecho do discurso de Lula durante a despedida da ex-ministra:

— Olhar para tua cara, ministra Marina Silva, é olhar para a cara do meio ambiente nesse país.

Ou seja: a cara da ministra está pior do que ela pensava. Coitada.

Utilidade pública

Abro espaço para a mensagem do leitor incidental Julio Cesar, que manifesta (creio eu) grande indignação por algum motivo indecifrável:

eu quero reclama uma coisa nada aver com essa dai..vo fazer isso por num tem um site para agente reclama..vo reclamar desses sites menos esse q e legal todo mondo vem nesse, eu pesso para saber quanto ganha um dublador e aparece cada coisa nadave.exemplo e pesso saber quanto ganha um dublador,ai aparece um dublador ganha fãns..ai pra ser mais especifico eu clico …quantos reais ganha um dublador q vai comecar a dublar… ai aparece,,[ahh um dublador ganha muitos papeis reais, vc num viu o dublador dublo em fatos reais]…e reclamo por causa disso,por eles num botam certo né? exemplo quero saber quanto ganha um dublador,ai a resposta.. um dublador ganha tantos reais reais… e vcs tabem ja quiserao saber uma coisa e nao ter a resposta poq o site nao responde certo..ahh eu queria q essa reclamacao, nao fosse excluida do blogg, por favor por eu queria que fosse mostrada pra todo mundo ver.pra ver esses sites tenhao um pouquinho mais de respeito pela gente…obrigado

O desabafo (ou sei lá o quê) foi postado como comentário nesse post de maio de 2002. Se alguém aí entender alguma coisa, faça o favor de ajudar o rapaz com esse problema aí, seja lá qual for.

Obrigado.

Explicação

“Todas as crianças vão para o céu”, disseram ao padre. Então ele resolveu voar para ver se pegava um garotinho.

Eu sonhei que vivia num país onde existiam outros assuntos além da menina que voou pela janela e do padre que voou para o mar.

Contagem regressiva

Eram 18.685 padres.

Um caiu no mar.

Faltam 18.684.

Ô, porra!

De todos os comentários, apenas dois ou três que prestem (Marcus e Fry, muito obrigado). O resto é só o de sempre: nego enchendo o saco. Se não sabem como ajudar, me deixem, calem a boca e vão tomar no cu.

Direitos iguais

Nessa conversa toda sobre arrogância (que descambou para uma discussão sobre espiritismo; deus-me-livre de falar mal do espiritismo), lembrei de um sujeito que trabalhava comigo. Bom, não exatamente: eu trabalhava numa empresa grande, o tal sujeito era da subsidiária carioca. Assim que nos conhecemos (juro, logo depois de apresentados) ele olhou para minha barriga e disse:
— Precisa se cuidar, hein, bicho? Jogar um futebolzinho, pedalar. Não pode ficar gordão assim na sua idade, rapá! Olha o coração, olha o coração!
Eu pensei em várias respostas, mas me contentei em mandá-lo tomar no cu mesmo. O que mais me espantou, porém, foi a falta de reação das outras pessoas presentes. Ninguém se mostrou minimamente constrangido diante daquela clara invasão.
Depois dessa, passei a considerar a possibilidade de começar a agir assim, partindo do princípio da igualdade de direitos. Da próxima vez em que ouvir alguém falando uma bobagem, ou que ler algo horrendamente escrito num blog (ou nos comentários deste blog, algo muito comum), ou qualquer coisa assim, terei o direito de comentar:
— Precisa se cuidar, hein? Ler um livro que não seja espírita, assistir a uns filmes, sei lá. Não pode ser burro assim não, mano! (sou paulista) Olha o cérebro, olha o cérebro!

Pretensioso que sou, assino embaixo

FOLHA – Houve um retrocesso no humor brasileiro com relação aos anos da ditadura?
JAGUAR -
Sim. Essa coisa de não poder chamar crioulo de crioulo, por exemplo. Fui casado dez anos com uma crioula. Não é pejorativo. Não vou começar a dizer que casei com uma afro-descendente. É uma hipocrisia.
Mas a maioria dos humoristas hoje é muito certinha. Criou-se um limite e, se a gente passa um pouco, leva pito. Eu não levo mais porque sou velho e sou o Jaguar. Aí as pessoas dizem: “Ah, é o Jaguar, deixa ele”.

Daqui.

Enfiem o diploma no cu

Jornalista é uma raça do inferno. Nos bastidores, muitos coleguinhas queridos torcem o nariz diante do fato de eu ser editor de dois sites (em breve reformulados) sem ter diploma de jornalismo nem de qualquer outra coisa. Tempos atrás, um sujeito até comentou no Pérolas que eu ficava “pagando de jornalista gatinho” nas coletivas de imprensa. Confesso que cheguei a me incomodar com isso, tanto que até me esforcei ao máximo para passar no processo seletivo da Uninove (com o Bernardinho fungando no meu cangote).
E eis que hoje, por acaso, descubro que Ricardo Feltrin, editor-chefe da Folha Online, não é formado em jornalismo nem em nada. Assim como eu, começou várias faculdades e não concluiu nenhuma.
Então eu digo: se ele pode, eu posso. Foda-se o corporativismo besta dos jornalistas que se acham sacerdotes. Vou lá fazer a tal faculdade só porque eu sei que os idiotas sempre vencem, e que mais cedo ou mais tarde algum deles vai pular na minha frente exigindo o documento. Que será apresentado depois que eu limpar a bunda com ele (o diploma, não o idiota).

Ah, jornalistas!

Meu parente Ancelmo Gois escreveu ontem em sua coluna no Globo:

O amor é lindo

João Gilberto, 75 anos, gênio da MPB, acaba de saber que é pai de uma menina de dois anos e meio, fruto de uma relação com uma fã carioca.

O mestre já tem uma filha famosa, a cantora Bebel Gilberto, com Miúcha

Relevo esse lance de chamar de “gênio da MPB” um cara cuja carreira já estava mais do que consolidada quando a sigla surgiu. De resto, a nota do Ancelmo está certinha. Notem que ele diz que João tem uma filha famosa. Então a Folha, triste e furada, dá sua versão hoje:

Bebel Gilberto, 40, não é a única filha de João Gilberto, 75. É o que informa hoje o colunista Ancelmo Gois no jornal “O Globo”. O músico teria descoberto há pouco tempo que é pai de uma menina de dois anos.

Eu sempre soube que Bebel não era a única filha de João. Ou será que João Marcelo morreu e eu não fiquei sabendo? Ou pior: será que só conta filho famoso? Eita preula. Eita preguiça de conferir uma informaçãozinha que seja. Eita raça.

Update: Cliquei no “comunicar erros” da nota da Folha e enviei minha mensagem. Agora há pouco uma Mary Persia me respondeu que havia adicionado o nome de João Marcelo. Bela correção: a nota começa da mesma forma, e só lá no último parágrafo é informado que João tem outro filho. Reitero: eita raça.

Das virtudes do espírito ditatorial

O sujeito lê sobre este blog na malfadada matéria da Época. Não gosta. Faz “fiau” e fecha a janela do browser? Claro que não! Furibundo, escreve um comentário em que despeja um temporal de asnices. O comentário não é aprovado, é claro, e o sujeito ainda recebe um e-mail do autor tachando-o de imbecil. O que ele faz? Responde com outro e-mail imenso e ainda faz um novo comentário no blog. Leiam:

Por favor creio eu que vivemos numa democracia, ou não, caso não saiba o que significa esta palavra lamento muito. Por que lhe fasso este questionamento? Fiz comentários por sinal muito coerentes, lamentavel que viva blindado ainda na decada de 60. Sugestõe: 1º – Preparece para receber criticas, sim porque não, principalmente quando elas forem tão construtivas. sugestão: 2º – Leia mais, atualize-se só assim conseguirá mudar seu vocabulário que é de baixo escalão e extremamente de mal gosto. Deixe que opinem sobre isto você vai se surpreender, o que em meu caso não foi o que aconteceu até agora. Atenciosamente. Charles.

Valha-me, Deus! Ou o sujeito tem uma mentalidade muito sutil e — sabendo de minha tendência à intolerância e de meu gosto por fazer chacota da burrice — escreveu um comentário assim de propósito só para ser aprovado e ainda comentado em post, ou o fulano é mesmo dolorosamente estúpido. Percebem, bons leitores, de que tipo de poluição mental eu os livro filtrando os comentários? Agradeçam-me, putões!

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