Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas na categoria ‘Música’

The Ministry of Silly Walks

Só mais um post e já vou dormir

Mas que coisinha mais safada o disquinho novo do Los Hermanos, hein?
(que venham as hordas!)

Eu quero ter um milhão de amigos

O Sitemeter é aquela beleza, então foi um verdadeiro show do milhão: vários leitores viram ali nos “Fiéis” a marca de um milhão de visitas. Bárbara Oliveira, Carlos Henrique, Pericles Souza, Sá Milena, Conrado Emerick, meu camarada Daerson, Rafael e Paulo Donato mandaram as provas. Quem foi? Quem não foi? Não importa, deixemos o contador com suas maluquices. O negócio é que este blog chegou à marca impressionante de um milhão de visitas. UM MILHÃO. É muita coisa. Obrigado, obrigado, um milhão de vezes obrigado.
Como eu já disse, não tem prêmio pra ninguém. Vão mamar nas tetas de outro, oras! No entanto, a Ale/Lain fez com que uma idéia brotasse cá dentro do cabeção quando perguntou se não teria nem um cover do Coldplay como prêmio. Pensei: sim, sim, meus leitores merecem me ouvir cantando.

— NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAO!

“Não” é uma porra. Mas como eu ia dizendo: merecem, mas não Coldplay. Algo mais adequado à ocasião. Então pensei numa belíssima canção do Rei. Pensei até em gravar alguma coisa do Pelé (A-B-C, A-B-C…) só de sacanagem. Sou bonzinho, porém, então gravei uma do Roberto Carlos mesmo. O esquema é o de sempre: cliquem com o botão direito, salvar como e cantem comigo.


MARCO AURÉLIO – EU QUERO APENAS


(3,4 Mb)

Eu quero apenas olhar os campos, eu quero apenas cantar meu canto
Eu só não quero cantar sozinho, eu quero um coro de passarinhos

Quero levar o meu canto amigo a qualquer amigo que precisar
Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar

Eu quero apenas um vento forte, levar meu barco no rumo norte
E no caminho o que eu pescar quero dividir quando lá chegar

Eu quero crer na paz do futuro, eu quero ter um quintal sem muro
Quero meu filho pisando firme, cantando alto, sorrindo livre

Eu quero amor decidindo a vida, sentir a força da mão amiga
O meu irmão com sorriso aberto, se ele chorar quero estar por perto

Venha comigo olhar os campos, cante comigo também meu canto
Eu só não quero cantar sozinho, eu quero um coro de passarinhos

Sad Professor

If we’re talking about love
Then I have to tell you
Dear readers, I’m not sure where I’m headed
I’ve gotten lost before
I’ve woke up stone drunk
Face down in the floor

Late afternoon, the house is hot
I started, I jumped up
Everyone hates a bore
Everybody hates a drunk

This may be a lit invention
Professors muddled in their intent
To try to rope in followers
To float their malcontent
As for this reader,
I’m already spent

Late afternoon, the house is hot
I started, I jumped up
Everyone hates a sad professor
I hate where I wound up

Dear readers, my apologies
I’m drifting in and out of sleep
Long silence presents the tragedies
Of love. Note the age. Get afraid
The surface hazy with attendant thoughts
A lazy eye metaphor on the rocks

Late afternoon, the house is hot
I started, I jumped up
Everyone hates a bore
Everybody hates a drunk
Everyone hates a sad professor
I hate where I wound up
I hate where I wound up

(REM)

Legião

Metrô, passa de meia-noite. O sujeito entrou no vagão empunhando um violão folk e com uma gaita presa ao pescoço. Apresentou-se aos ilustres passageiros e começou a tocar um blues. Ninguém deu muita atenção. Um preto que viajava em pé o chamou para fazer um pedido. “Pronto”, pensei eu, o mulato racista, “lá vem pagode”. Qual nada! O cara tinha pedido Legião Urbana, que é o que as pessoas pedem quando há um violão por perto. Foi bonito de se ver: o cara começou a tocar Será. Uma moça começou a cantar junto, dois bêbados se juntaram a ela, eu somei minha voz ao coro, e logo o vagão todo estava cantando. Ao final, todos aplaudiram. O músico mambembe, espantado com a reação, esqueceu-se de passar o chapéu e saiu do trem agradecendo.

No mesmo instante, me lembrei de quando Renato Russo morreu. No domingo seguinte, os amigos vieram aqui em casa (foi numa época distante, quando os amigos me visitavam, quando conversávamos sobre o futuro. Agora o futuro chegou, e é uma bela porcaria). Estávamos conversando na sala, falando as bobagens de sempre e assistindo TV. De repente a TV e a luz da sala se apagam: queda de energia. Fomos procurar velas, acendemos algumas e continuamos a conversa. Peguei o violão e comecei a tocar alguma coisa da Legião Urbana. Terminei a música, e um deles pediu outra. E depois outra. Só Legião Urbana. Cantamos até a Eletropaulo resolver o problema, à luz de velas, como num ritual em memória de Renato Russo, cujas letras haviam embalado nossa adolescência recém-terminada.

Hoje há uma tendência a se subestimar as músicas da Legião Urbana, tidas como infantis, bobas, cheias de lugares-comuns. Isso pode até ser verdade, sei lá. Eu sei que o adolescente ingênuo que eu era então ouvia aquelas letras e só conseguia pensar, “Puxa, eu não estou sozinho”. O que era ingenuidade demais até para mim: é claro que estou sozinho, todos estamos.

Cássia

De tanto ouvir Nando Reis nos últimos dias, me bateu uma saudade danada de Cássia Eller. Tenho pensado muito nela, nos shows a que fui e na tristeza que despencou sobre mim no dia em que recebi a notícia da morte dela. Estava na chácara de uma amiga com várias outras pessoas. Passava de meio-dia e eu estava dormindo quando minha amiga Denise entrou no quarto com a bomba:

— Negão, Cássia Eller morreu.

Eu demorei para assimilar, e não aceitei até agora. Lembro-me do primeiro show de Nando Reis a que fui depois disso. Ele contou histórias antes de começar a cantar All Star. Durante a música, cantou “E continuar aquela conversa / que não terminamos ontem / ficou pra quando?”, em vez de “ficou pra hoje”. Choradeira total.

Hoje eu cheguei em casa e resolvi assistir aos dois DVDs da Cássia que eu tenho. Chorei muito, vim para cá e fiquei sabendo que já se apurou a causa de sua morte: erro médico. Uma morte que já era estúpida o bastante, torna-se grotesca, inaceitável.

A trilha sonora do inferno

O Dia do Juízo se aproxima. Arrependei-vos!

Jonathan David

I know you like her
Well I like her too
I know she likes you
It’s not as if I’m being sent off to War
There are worse things in this world

There’s still room on my wooden horse for two
I was Jonathan to your David
You’re still King

Well, I’d thought about her
I dreamed she’d come, I’d make my escape
I thought she liked me but somehow I was wrong
I know you don’t want it this way
But it’s O.K.

It’s not like we’ll be parted
It’s not like we never know love

And she’ll smile for you
She’ll hold your hand
You’ll be in love there’s no other way
And I will make it some day

I know you like her
Well I like her too
I know she likes you
It’s not as if I’m being sent off to War
There are worse things in this world

There’s still room on my wooden horse for two
I was Jonathan to your David
You’re still King

Visions of love recollected
Have we ever been true?
I know that I have, it’s time for you to go
It’s all in the stones that you throw
I want you to know

It’s not like we’ll be parted
It’s not like we never know love

And she’ll smile for you
She’ll hold your hand
You’ll be in love there’s no other way

People say that
“We’ll never change”
“We’ll never change”
But I have

You and her in the local newspaper
You will be Married and you’ll be gone

Married and you’ll be gone

(Belle & Sebastian)

Um garoto grande

grandegaroto_mjEstava assistindo ao filme “Um Grande Garoto” (About a Boy), aquele baseado no livro do Nick Hornby e protagonizado pelo Hugh Grant (que homem, meu Deus!). Vendo o filme, comecei a pensar duas coisas:

1. Eu preciso de companhia para ver filmes. Tá ficando meio triste isso de estar sozinho o tempo todo. Bom.

2. Seria possível nos EUA um filme em que um garoto de doze anos passa a freqüentar a casa de um homem solteiro de 38, passando um tempão sozinho com ele? Será que a síndrome do politicamente correto não acabaria por pesar mais? Sei não, sei não… (esse “Sei não, sei não…” bem que podia virar minha marca registrada, né? Tipo um bordão que as pessoas repetiriam na rua e… Ok, parei).

Eis onde quero chegar: há provas contra Michael Jackson? Há evidências de que um dia ele tenha praticado pedofilia? E se (e se!) aquela história de levar meninos para a casa dele para servir leite com biscoitos e contar histórias for verdade? Oras, não riam! Larguem o cinismo um pouco, tentem entender que há pessoas inocentes no mundo, e vocês poderiam muito bem aceitar Michael Jackson como uma delas, não fosse ele uma figura, digamos, diferente. É a mesma perseguição das hordas contra o monstro do Dr. Frankenstein ou o Edward Mãos-de-Tesoura. Eu vejo a imprensa mundial como homens encapuzados correndo com tochas, foices e ancinhos atrás de um monstro assustado.

E digo isso porque EU gosto de crianças. Muito. Passo horas brincando com as crianças, e prefiro mil vezes sua companhia à dos adultos. Às vezes penso “Ei, e se uma dessas mães malucas começar a ter idéias? Se começar a pensar que eu ando ‘tocando’ o filho dela?”. E fico aterrorizado ante tal pensamento: “ARGH! Ninguém seria tão doente!”

Mas eu estou errado, claro. A maioria é bem doente mesmo.

(um post inspirado na Fer, uma menina que acredita na inocência)

Maria Rita

Muito bem, todo mundo já falou até demais da filha da Elis Regina; minha vez. A cantora recém-surgida do meio de um turbilhão de marketing raramente visto despertou todo tipo de reação: há quem a ame incondicionalmente, há quem tenha raiva dela até pela superexposição (da qual é mais vítima do que beneficiária), há quem, como eu, seja indiferente a ela.

Compreensível. O que eu não entendo é essa gente que acha que o fato de Maria Rita ter a voz idêntica à da mãe seja um fator a ser criticado. Oras, a voz do meu irmão é igualzinha à do meu pai, nem por isso a família o critica. Genética é um troço muito forte. Além do mais, melhor uma cantora com a voz da Elis Regina do que várias que cantam como a Leila Pinheiro ou a Simone.

Então por que eu permaneço indiferente aos encantos de Maria Rita? Eis a heresia: nunca fui muito fã da Elis. Gosto dela, é claro, grande cantora. Mas não me fala à alma, então sou muito mais a Maria Bethânia, por exemplo. Além disso, o tal marketing me incomoda um pouco. Fico preocupado com essa moça tão exposta o tempo todo, penso nas conseqüências que isso pode ter. E são muitas: desde um ostracismo precoce — e lamentável, tratando-se de um indiscutível talento — até repetir o fim trágico da mãe. Quem vende a alma precisa entregar a mercadoria mais cedo ou mais tarde.

Seja como for, para mim a maior cantora brasileira ainda é o Ney Matogrosso.

Página 4 de 9« Primeira...23456...Última »