Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas na categoria ‘Música’

Bobby McFerrin e o negócio dentro da cabeça

Como é que ele faz isso? Como é que a gente faz isso?

A bandinha do safado

Pobres músicos, tão felizes com suas barbinhas e seus xalalalá. Mais cedo ou mais tarde, ele vai sapecar o punhal nas costas de todos eles.

(Dia 22 tem Bazar Pamplona e Numismata na Livraria da Esquina. Eu vou. Mas só pra ver o Numismata.)

Pop é isso aí

Eu não sei o que as pessoas superlegais pensam da Pitty hoje em dia. E nem me interessa na verdade. Quando ela apareceu, eu não agüentava nem ver a cara dela. Mas ela cantou no VMB e eu gostei muito.

Não sei o que é. Essa estrutura dos bregas clássicos, meio Odair José, é irresistível. O refrão gruda que é uma beleza. Pop da melhor qualidade.

Além do mais, como bem observa Mestre Palito (não perguntem), que pele firme ela tem! “É muito colágeno”, ele diz. E é verdade. Reparem.

Pra machucar os meus ouvidos

Imagine que você está na varanda de uma casa de frente para o mar. Ao seu lado está a mulher, homem ou mamífero de médio porte que você ama. As ondas quebram na praia, os coqueiros balançam e você e seu amor sussurram bobagenzinhas enquanto o gancho da rede range um pouquinho. A praia está deserta, a não ser por uma figura que vem se aproximando. Quando chega bem perto, dá pra ver que é um gringo de camisa florida, chapéu de lona, bermuda cáqui com pregas e mocassins com meias brancas. Ele passa em frente à casa, olha para vocês dois e grita (em tradução livre):

— MAS QUE BELO PÉ DE RABO, HEIN? TÁ COMENDO BEM, HEIN? CARALHO! DEVE TER UM PUTA DUM BUCETÃO!

Imaginou? Agora veja isso:

Quebra de clima

Quebra de clima

“E que diabos é isso?”, pergunta o leitor. É o gringo chegando. É o que acontece aos 2 minutos e 7 segundos dessa gravação:

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Stan Getz não pescou nada da bossa nova. João Gilberto e Tom Jobim estavam no auge da forma, tinham conseguido reduzir o samba à sua forma mais suave. Aí vem o Getz com seu sax estridente e estraga tudo. O sax de Stan Getz é um tapa na cara de todos nós. Coisa chata, entrona, constrangedora.Vejam que mixórdia ele apronta com Garota de Ipanema:

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Notem a beleza de João cantando em português, passando a vez para Astrud cantar em inglês em 1′21″. Aí, aos 2′34″, entra o feladaputa do gringo com seu instrumento da banda de Satanás para estragar tudo. A paz só é restabelecida aos 3′48″, quando Tom Jobim mete os dedos no piano e mostra como é que se faz — algo que Frank Sinatra entendeu muito bem nesse disco, mas que não entrou na cabecinha narcotizada de Stan Getz.

Aconteceu assim: depois de muita briga, João, Tom, Astrud e Getz terminaram o que viria a ser o disco Getz/Gilberto. Tchau, muito obrigado, bom trabalhar com vocês. Os brasileiros foram embora, o gringo maldito foi ajudar na mixagem e jogou o volume de seu sax no talo (fonte). Muita gente concorda que o disco precisava ser remixado (fonte). Como não tenho acesso às ferramentas necessárias para tanto, faço uma proposta mais radical: vamos fazer uma cirurgia para extirpar o tumor que é  o saxofone do Getz. Eu tentei fazer, mas minhas habilidades com um editor de áudio são semelhantes às de um orangotango. A música que eu mencionei primeiro, Pra Machucar Meu Coração, ficou assim:

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Se alguém se habilitar a fazer algo melhor, agradeço.

UPDATE: aqui um texto de Ruy Castro contando a história toda.

Vinte anos. Caralho.

Passei o dia pensando na morte da bezerra do Raul Seixas, mas não tive tempo de postar. Agora tenho tempo, mas não tenho disposição. Além do mais, já é dia 22 e eu vou ter que trapacear na data do post pra parecer que escrevi no dia 21, aniversário da morte dele.

Ficamos assim, então: isto aqui não é um post, é um vale-post. Depois (provavelmente só terça-feira) eu volto pra falar mais de Raul Seixas. Por enquanto, fiquem com essa belíssima foto tirada pelo Ivan Cardoso, que apareceu por esses dias:

Ói o trem

Ói. Ói o trem.

ATENÇÃO: O título deste post é uma auto-referência.

Falsa baiana

Gonzagão

Hoje faz vinte anos que Luiz Gonzaga foi sanfonar no ouvido de São Pedro. Já falei bastante do véio Gonzaga no blog — aqui, por exemplo. Então para lembrar a data eu ripei um vídeo muito legal do DVD Danado de Bom e subi no YouTube. Assistam logo, antes que me tirem o vídeo do ar por desrespeito aos direitos autorais do defunto.

Genial

Eu e a marida no carro ouvindo Raul Seixas. Começa a tocar Sapato 36. Raul canta os primeiros versos (“Eu calço é 37 / meu pai me dá 36 / dói, mas no dia seguinte / aperto o meu pé outra vez”) e Ana Cartola comenta:

— Essa música é tão Phoebe

É uma gênia, minha marida.

Ah, se eles me vissem agora…

Eu só queria que os crentes que chegam aqui no blog babando o fogo do inferno e brandindo a Bíblia me vissem agora. Estou em casa, de bobeira, ouvindo música de igreja: o disco Se eu fosse contar…, gravado em 1968 por um conjunto chamado Vencedores Por Cristo.

Se eu fosse contar

Não estranhem: eu cresci na Igreja Batista. Aos 18 anos, eu tocava baixo na igreja e ouvia esse disco o tempo todo, sonhando em um dia tocar com o baixista do Vencedores. O tempo passou, eu saí da igreja, depois virei ateu. Mas música de igreja pode ser um negócio muito bonito, e esse disco, de 1968, é o ápice dessa beleza. Além do mais, me faz lembrar uma época bem legal (e muito magra — eu pesava 61 quilos) de minha vida. Cliquem na fotinha para baixar.

Não fica seguindo a cerveja…

… a sua vida vale mais!

(ê, meu irmã-ão)

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