You say you want a revolution
Se tudo correr conforme o esperado, em breve vocês lerão aqui a história de um careca que tomou Fluoxetina verde e resolveu chutar o balde.
Aguardemmmmmmmmmmmmm…
Se tudo correr conforme o esperado, em breve vocês lerão aqui a história de um careca que tomou Fluoxetina verde e resolveu chutar o balde.
Aguardemmmmmmmmmmmmm…
Seguinte: instalei o plugin Twitter Tools que, em tese, vai integrar este blog à minha conta do Twitter. Diz a lenda que o bicho vai criar novas entradas no Twitter a cada post novo por aqui, e resumos diários no blog de tudo o que eu twittei por lá. Só quero ver como é que essa referência circular vai funcionar…
Opa! Vários leitores interessados no barbear clássico. Pois bem, achei esse produto à venda no Mercado Livre. O vendedor tem boa reputação, o produto é novo, feito na China (de quebra, descobri que meu Flying Eagle é de uma marca tradicional chinesa, e tem reputação de agressivo. Ou seja, não me cortei apenas por conta da falta de coordenação motora). Apesar de anunciado como Gillette, descobri que se trata de um aparelho da marca Weishi. Andei pesquisando, e parece ser um aparelho ideal para iniciantes: não muito agressivo e parecido com o clássico Gillette Super Speed. Já reservei o meu. Vão lá, e pesquisem outros modelos também.
Quem estiver a fim de vôos mais altos, pode procurar por “safety razor” no eBay (tem alguns Parker bem bonitos, além de algumas relíquias) e na Amazon (procure pelos Merkur — esse, esse, esse). Se escolher comprar na Amazon, aproveite para encomendar uma caixa de lâminas também, que é bem baratinha. Caso queira fazer a festa completa, aproveite para comprar sabão ou creme, pincel, caneca. Acreditem, vale a pena.
Muito bem. Então eu anuncio ao mundo todo que vou ali manusear um instrumento cortante, digo que volto já, demoro dois dias e ninguém demonstra um PINGO de preocupação? Putos de merda!
Sim, sobrevivi, muito obrigado. Já fiz a barba duas vezes com o aparelho novo, não me cortei nenhuma vez e desde os 10 anos de idade eu não sentia a cara tão lisa. E agora entendo porque os homens de minha geração têm tanta preguiça de se barbear, enquanto nossos pais e avós o faziam todos os dias. Para nós, com nossos Mach 3 de lâminas caríssimas, o ato de raspar a barba é algo automático, que fazemos sem pensar, como obrigação. Até duas semanas atrás eu me barbeava no chuveiro, de qualquer jeito, sem espelho, deixando sobras de barba por toda a cara.
Em um dos sites que encontrei em minha busca pelo barbear perfeito, li algo que me pareceu exagerado: o autor falava em obsessão pelo ato de fazer a barba após adquirir um safety razor. Depois de experimentar a sensação, sou obrigado a concordar: com os apetrechos adequados, o barbear torna-se um ritual prazeroso. Você se concentra no que está fazendo, mesmo porque pode amputar o nariz ou uma orelha em caso contrário. O som da lâmina deslizando, a textura do creme, o batuque do pincel na caneca de ágata, tudo forma uma experiência muito mais agradável do que espalhar um gel safado pela cara e raspar tudo de qualquer jeito com um pedaço de plástico vagabundo e caro.
Convido os leitores (e as leitoras que tiverem barba, coitadas) a engavetarem por uma semana aquele aparelho de sempre e tentar aprender a se barbear como homens (ou mulheres de circo). Garanto que o Mach 3 vai ganhar teias de aranha. Ou por falta de uso, ou pela morte do dono.
Stumbla daqui, stumbla dali, acabei encontrando esse post do blog The Art of Manliness. O texto fala sobre a arte de se barbear usando aqueles aparelhos antigos, feitos de metal e com uma lâmina só. O autor compara a troca de um Mach 3 por um safety razor à diferença entre um Pinto (o carro, não isso aí) e uma Mercedes. “É legal segurar um pedaço de metal robusto e pesado ao se barbear, em vez de um plástico barato”, ele diz. “Um safety razor é uma máquina“, ele afirma.
Bem, a descoberta foi há pouco mais de uma semana, e a partir de então eu só pensava em uma coisa: arrumar um barbeador clássico para finalmente me sentir como um homem. Procurei no Mercado Livre, mas só achei coisas velhas, enferrujadas. No eBay, dei mais sorte: encontrei por lá uns belos aparelhos da Parker e da Gillette. Depois, ao ler o artigo com mais atenção, vi que o autor recomendava uma marca específica, Merkur, que tinha seus produtos à venda na Amazon. Fui conhecer os aparelhos e ler os depoimentos dos compradores, e acabei de me convencer — principalmente depois de ver esse aparelho — da necessidade de fazer a barba como meu avô fazia.
Estava ainda tentando escolher o barbeador que me acompanharia pelo resto da vida, quando veio em minha salvação a sempre providencial namorada. Expliquei a história toda a ela, que a princípio não gostou muito da idéia.
— Você vai se cortar todo — ela disse.
Mas eu sou teimoso, e ela acabou aceitando a idéia. No dia seguinte, me deu uma excelente notícia: havia encontrado um aparelho “de velho” em casa. Era um brinde que nunca havia sido usado e vinha num estojinho muito do bonitinho. Perguntou se eu queria e eu, comovido, disse que sim, claro. Então ela me revelou uma observação feita por minha sogra ao encontrar o aparelho:
— Ele vai se matar com isso…
Eu não sei de onde vem essa falta de confiança na minha habilidade e coordenação motora. Eu me corto com Mach 3? Sim, me corto. Eu me corto com Prestobarba? Ok, é verdade. Mas isso lá é motivo para pensar que um homem vá se ferir seriamente com o simples ato de se barbear usando um aparelho em que a lâmina entra em contato direto com a pele? Sei lá! Só sei que, no último sábado, Ana Carlota me entregou (com uma admoestação, “Se você usar isso para raspar a cabeça, está tudo acabado!”) essa belezinha:
Ah, meus amigos, que alegria! Eu já estava com uma barba de dois ou três dias, e corri para testar o brinquedo novo. Minutos depois, voltei para a sala assim:
Tá, me cortei um pouquinho. Ou mais. Sangrou bastante. Eu achei que nunca fosse estancar o sangue. “Me matei”, eu pensei enquanto jogava água fria na cara e tentava conter o sangue com pedaços de papel higiênico.
Apesar do susto, valeu a pena. Quando finalmente tirei os curativos improvisados e criei coragem para passar a loção pós-barba, reparei na qualidade do barbear. Pela primeira vez desde a adolescência eu tinha o rosto liso e sem pêlos encravados. Pensei em fazer um upgrade para a navalha, mas minha mãe e minha namorada berraram de horror. Tudo bem, a navalha fica para outro dia.
Na segunda-feira eu resolvi tentar novamente, e dessa vez me cortei bem menos e só perdi um pouquinho de sangue. Hoje eu arranjei tempo para pesquisar um pouco mais sobre o barbear clássico e aprendi algumas coisas importantes. Por exemplo: a lâmina deve ser usada como foice e não como enxada. O cabo deve formar um ângulo de 30º em relação à perpendicular do rosto. O pincel deve estar umedecido com água quente. E mais, muito mais.
Agora vocês me dêem licença, que eu vou ali fazer a barba do jeito certo, feito macho. Depois eu volto para contar como foi. Se não voltar, avisem minha família.
Não morri.
Só voltei ao ritmo de trabalho de antes. Tenham paciência.
Parte da tarefa proposta por nossa professora de português (e aceita por todos os participantes, portanto parem de xingar a pobre professora) era criticarmos os textos uns dos outros. Calhou de o Marcelo, dono do blog Amor aos domingos, ficar incumbido de criticar o meu texto. Ele o fez de forma muito carinhosa (indulgente, até), pelo que fico eternamente agradecido. Segue abaixo a crítica do digno colega:
Escrito por Marco Aurélio G. dos Santos, “Concorrência desleal” possui um humor cáustico graças à irritabilidade constante do personagem principal, um mendigo. Ele narra seu percurso involuntário, apesar da necessidade de se alimentar, até uma feira livre onde já mantinha contatos para tal abastecimento. Lá, uma inesperada turma de jovens, os “freegans”, se revelam seus concorrentes. Não são quaisquer concorrentes, são jovens que não precisam recolher as sobras. Sua indignação é tão grande que, quando uma das jovens oferece uma parte do que foi recolhido, faz uso de um expediente altivo para deixar claros os seus princípios: nega orgulhosamente a oferta, apesar da fome latente.
Essa é a forma que se poderia apresentar o texto para alguma avó ou beata, caso quisessem afastá-las desse petardo recheado de saborosos e divertidos palavrões que Marco Aurélio produziu.
É possível sentir-se na pele do mendigo com tantos elementos que descrevem a vida do personagem. Além dos necessários detalhes escatológicos, o autor aproveita pequenos lances da rotina de um morador de rua que enriquecem o texto, tais como: a memória inexata em “Foi na semana passada, ou retrasada, sei lá”; o seu acerto com os feirantes de só aparecer depois que a feira acaba “para não espantar a freguesia”; tiradas de humor rápidas e certeiras em “encontrei o Zé Banana, que vende tomates” e “catando comida no lixo porque acham bonito”.
Os já citados palavrões e gírias produzem um efeito realista e demonstram a irritação do personagem até chegar numa frase final do texto com um pensamento que não podia ficar de fora É o indivíduo com total controle da situação, de cabeça erguida e pronto para ensinar algum discípulo, caso não saiba, como tratar a concorrência.
Com essas características reunidas, a leitura se torna agradável e risonha. Impossível não se solidarizar com o mendigo e ficar irritado junto com ele A curiosidade a respeito do ideal “freegan” também aumenta pela forma como foi apresentado, ou seja, a atitude dos jovens, que explica o título do texto, já demonstra um ponto para discussão.
Pensando bem, acho que as avós e as beatas perdoariam os volumosos palavrões do texto em favor da causa do mendigo. Elas entenderiam sua revolta e teriam conversas muito sérias com as mães desses jovens. Não deixaram de recomendar às mães que cozinhassem feijão com um prego na panela: “É ferro, minha filha, eles estão muito pálidos e sem juízo”.
Além de mim e do Marcelo, participam do projeto (que vai continuar, aguardem) os autores dos blogs Blog do Thadeu, Em busca do inefável, Expresso sem açúcar, por favor!, Grita São Paulo, Sogripa! O blog, e Três dedos de prosa. O Vinícius explica melhor de que se trata o tal projeto.