Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas na categoria ‘Desabafos’

O carnaval na minha janela

Que alegria! Hoje tem o Grito de Carnaval Gay 2010 no Largo do Arouche. A veadagem toda se acabando com muito samba, suor e ouriço (nunca entendi essa do ouriço). O pior: se eu fizer o que eu tenho vontade — abrir a janela e mandar todo mundo tomar no cu — posso até ganhar um fã-clube.

Revelação

Hoje eu tive uma revelação. Saí do trabalho meio cedo, não podia pegar o carro por causa do rodízio e resolvi passar no Pão de Açúcar. Pensei que um passeio no bondinho seria um bom final de expediente, até perceber que estava em São Paulo. Então fui ao supermercado de mesmo nome.

(Esqueçam que eu escrevi isso.)

Estava chegando ao supermercado e vi um véio na porta — “véio” e “velho” são duas coisas muito diferentes, notem. Bom, primeiro eu ouvi o véio. Ele estava gritando alguma coisa lá em veiês. Olhei na porta do supermercado e lá estava o véio, nervoso, gesticulando que só italiano de novela, berrando, três seguranças atrás dele. Ele ameaçava entrar de volta, os seguranças tentavam acalmá-lo. Ele pegou uma garrafa de guaraná e ameaçou jogar em alguém lá dentro. Uma garrafa de plástico, o idiota.

Era um véio com pinta de taxista: camisa branca aberta, calça de tergal, chaveiro no cinto, pulseira de ouro. “Respeita o idoso!”, ele gritava. “Perguntou a minha idade!”, gritava em seguida. “A minha idade! Que que é isso?!”. Parecia aquelas jam sessions em que o cara fica horas improvisando em cima de um tema, aí erra uma nota e finge que é um tema novo, improvisa mais dois meses em cima disso, depois volta pro tema antigo, depois inventa lá um terceiro, volta pro segundo. “Respeita o idoso! Perguntou a minha idade!”, ele repetia. E depois de um tempo: “se eu andasse armado, dava um tiro na cara dele!”. As acusações e ameaças eram dirigidas a um cara que estava no caixa preferencial para velhos, grávidas, aleijados, crioulos com anões no colo e coisa e tal. O cara fazia que ia partir pra cima do véio, a mulher do cara o continha, pedia pelamordedeus. “PERGUNTOU A MINHA IDADE! A MINHA IDADE!!!”

Aquilo estava ficando chato, então fui comprar um sanduíche. No balcão, duas senhoras tomavam café e tentavam descobrir o que se passava com o véio. E foi aí que tive a tal revelação do começo do post, que vocês achavam que eu já tinha esquecido.

O véio continuava falando da idade, que o outro tinha perguntado a idade dele, que tinha encostado nele e perguntado “qual a sua idade?”, nhenhenhém.

— O que será que aconteceu? — perguntou uma das senhoras do balcão; uma pergunta dirigida a ninguém em particular.

— O véio na verdade é uma véia — eu respondi. — É uma mulher. Por isso se ofendeu tanto.

O comentário fazia sentido dentro da minha cabeça, mas assim que saiu ao mundo virou uma coisa esquisita, toda torta. Silêncio das duas. “Perguntou a minha idade! Dou um tiro na cara dele!”, continuava o véio.

— Porque não é de bom tom perguntar a idade de uma senhora — tentei explicar.

As duas me olharam com aquela cara de do-que-que-esse-sujeito-tá-falando. Não conhece essa cara? Você não sabe o quanto é feliz.

As pessoas me olham o tempo todo com essa cara de do-que-que-esse-sujeito-tá-falando. Desde sempre. Acho que é porque eu falo as coisas que eu penso como se as pessoas estivessem dentro da minha cabeça (elas bem que cabem) e soubessem que diabo eu estou pensando o tempo todo. Elas não sabem, então me ignoram e seguem suas vidas. Ou então fazem a pergunta que eu mais ouço na vida: “que que isso tem a ver?”. Tento explicar minha linha de raciocínio, adianta nada. É desesperador.

A revelação me veio quando eu me coloquei por um momento no lugar daquelas duas senhoras. Olhei para mim mesmo assim, de fora, e fiquei chocado. Deve ser por isso, eu pensei, que as pessoas não vão muito com a minha cara quando me conhecem. Tenho vários amigos, bons amigos, mas eles custaram a gostar de mim. “Eu não te suportava quando a gente se conheceu” é outra frase que eu ouço muito. Não é pra menos: eu pareço arrogante, ando de cara fechada e, coisa horrorosa, falo coisas sem propósito. Tem gente que eu conheço há vinte anos e ainda não vai com a minha cara. Não sei se são meus inimigos ou se essa primeira impressão é difícil mesmo de superar.

Enquanto eu pagava o sanduíche (as orelhas queimando), as duas continuavam quietas. Duzentos anos depois, uma delas comentou:

— Gente, então é uma mulher?

— Não, porra!

Mentira, eu não falei “porra”. Mas o “não” foi bem seco mesmo. Tá, as pessoas não gostam de mim. Mas também não se esforçam muito pra eu gostar delas. Que se fodam.

Meus problemas com as mulheres

Eu preciso ser mais receptivo.
E fazer uma plástica, claro.

Vergonha

Há tempos eu quero falar sobre isso, mas vinha adiando, evitando o assunto. É um tanto delicado, os imbecis vão gritar — é o que eles sabem fazer — e eu vou ficar enfastiado e irritado. Mas o assunto avulta-se, não tenho como ignorá-lo, então vamos a ele.

Na comunidade Monty Python do orkut, um débil mental abriu um tópico com o educadíssimo título “Sou brasileiro e escrevo em portugues onde quiser”. Em sua simpática mensagem, o imbecil diz que um “americano de merda” pediu para que os membros da comunidade postassem em inglês para facilitar a compreensão de todos. “FODA-SE A LÍNGUA OFICIAL”, diz a cavalgadura, e segue despejando impropérios saídos dos intestinos de backup que ele certamente mantém dentro da caixa craniana. E encerra: “Brasileiros desta comunidade peço que me apoiam enchendo esse topico de mensagem. Vamos lá: BRASIL NA VEIA”.

Pois muito bem: uma comunidade dedicada a um grupo de comediantes ingleses, mantida por um russo. Seria de se esperar que o grito antiamericano do boçal fosse ignorado por não ter qualquer base, não é mesmo? Ah, mas bem diz aquela campanha da TV: brasileiro não desiste nunca! Logo em seguida um outro lobotomizado concorda e vai além na argumentação inteligente: “Eu escrevo em português mesmo e vão se foder seus bostas comedores de merda”. Veja que lindo isso, seus bostas comedores de merda. Chamou os americanos de canibais e aposto que eles nem perceberam. E a isso seguiram-se outros posts de imbecis de igual calibre, entremeados de comentários de brasileiros envergonhados pelo comportamento de seus compatriotas, e ansiosos para dizerem “Epa, eu sou brasileiro mas não sou assim não, péra lá!”.

Mas adianta alguma coisa? No início da década de 60, tendo se estabelecido como o grande revolucionário (no sentido estrito da palavra, nada de barbichas e camisetas do Che Guevara) da música brasileira, João Gilberto ainda dividia um apartamento com Ronaldo Bôscoli. Um dia, desanimado, João olhava pela janela quando suspirou:

— Não adianta, Ronaldo. Eles são muitos.

Não adianta mesmo. Eles eram muitos então, e hoje seus netos são a maioria. Somos um povinho acanalhado, orgulhoso da própria estupidez, que se acha esperto e só passa vergonha, como bem demonstra esse exemplo do Orkut. Porque não é só na internet que isso ocorre, é claro. Ô, povinho bunda! Sempre que eu digo que sou honesto tenho que suportar olhares de esguelha, sobrancelhas erguidas, pose de quem-esse-cara-pensa-que-é, como se ser honesto fosse uma grande virtude da qual eu me gabasse, e não minha obrigação mais óbvia. “Esse aí acha que é santo”, juro que já ouvi isso. E estava apenas defendendo (evidentemente) uma alternativa honesta para determinado problema.

Que país, meu Deus, que povinho! Nada funciona, todo mundo quer levar vantagem, todo mundo quer se dar bem. Assim sendo, poucos têm moral para questionar o deputado que concede a si mesmo benefícios absurdos, o vereador que organiza um esquema de extorsão de camelôs, o prefeito que desvia verbas dos cofres municipais. Claro: estivesse lá, o zé-povinho faria exatamente o mesmo. E o que acontece com quem tenta ser honesto? O que acontece com os políticos honestos, por exemplo? Ora, peguemos dois exemplos: Eduardo Suplicy e Mario Covas. É essa a recompensa pela honestidade, chifres e câncer?

Ah, mas eu não devia falar isso aqui, onde é que estou com a cabeça? Sabe aquele negócio de falar o que bem entender, liberdade de expressão e coisa e tal? Tudo mentira! Suponham, por exemplo, que eu dissesse aqui: “Paulo Maluf é um salafrário, sem-vergonha, velho tarado, ladrão”. Apenas uma suposição, notem bem, eu nem disse nada! Mas suponham que eu dissesse. Sabe o que poderia acontecer? Poderiam tirar este blog do ar. Mentira? Paranóia minha? Oras, digam isso ao Gravataí Merengue, que teve seu Imprensa Marrom derrubado pela justiça porque um leitor fez um comentário falando mal de certa empresa. Pronto! O riquinho lá da empresa se feriu em seus brios e foi correndo contar pra mamãe. É isso a justiça neste paisinho mequetrefe: a mamãe superprotetora dos riquinhos bundões. Pois esse bundão em particular foi reclamar com mamãe, que imediatamente mandou o menino mau calar a boca. Pior: o menino mau nem dissera nada!

Agora vou eu tentar usufruir do meu direito à justiça. Vá você. Adianta nada. E sabe por quê? Ela não é nossa mamãe, é só deles! Não é a mamãe, não é a mamãe! Mas é claro que não faremos nada: vai que um dia eu me torno um riquinho bundão; eu vou querer ser filhinho da mamãe igual aos outros. Claro.

Povinho desgraçado. Gente estúpida, descerebrada, com seus sorrisos débeis mentais e babões enquanto o mundo lhe enfia o dedo no cu.

Tenho plena consciência do quão mal escrito está este post, do quanto falta concatenação às idéias. Mas é que escrevi de uma vez só para ver se a raiva passava.
Não passou. Mas leiam mais sobre o caso do Imprensa Marrom aqui.

Estrutura

Basta eu ter um de meus ataques de total intransigência/intolerância (são muitíssimo comuns), para alguém vir com o velho argumento: “Ah, mas pra você é fácil! Olha a família que você tem! Olha a estrutura!”. A essas pessoas eu tenho vontade de responder com o histórico de três mulheres admiráveis, com vários problemas familiares dos mais intrincados, e que no entanto dão provas quase que diárias de força de caráter. E, vejam só, me apaixonei pelas três. Isso talvez explique muita coisa, mas estou com preguiça de pensar agora.

(Há também o exemplo maior dessa verdade, que é Dona Ana, a senhora minha mãe. Mas quero evitar análises freudianas cansativas e não solicitadas.)

Não tem jeito?

Meu caro Thiago Fialho fez o seguinte comentário agora há pouco:

Marco Aurélio, tá na hora de adotar uma tática de guerrilha pra ganhar essa parada do iBest. Bom, como o kibeloco e o ueba estão participando, o negócio fica mais difícil, mas entre os top3 eu não tenho dúvidas de que dá pra chegar. Olhe os outros blogs que lá estão e verá que são menos populares que este.
Mas estas pessoas devem estar arrumando dados de outros indivíduos e votando neles mesmos.
E pra ganhar tem que ser assim, não tem jeito.

Engraçado. Não é a primeira pessoa que me diz isso depois que foram divulgados os resultados parciais, em que o JMC não aparece entre os cinco primeiros colocados. Não tem jeito, é? Então foda-se, oras. Outra coisa: os blogs que estão entre os cinco primeiros lá merecem mesmo. Oras.

Eu já disse isso a respeito de tirar carteira de motorista, e digo o mesmo sobre o iBest: entre conseguir o negócio sendo desonesto e não conseguir, fico com a segunda opção.

O que não os impede de votarem em mim, é claro…

Só uma coisinha…

Acabei o Êxodo, caralho!!!

Acho que vou acabar com isto aqui, na boa.

PUTOS!

PUTOS!