E aí que este mês eu termino de pagar o Corsa (aplausos!), e já vou vender o coitadinho. Tenho contas a equilibrar, e calculo que vão me sobrar uns 10 ou 12 mil reais. Como quero evitar entrar em outro financiamento, quero comprar outro carro à vista. Só que não quero carroça: me acostumei com travas elétricas, direção hidráulica, a veadagem toda; me cansei de motor 1.0. Minhas opções, portanto, se reduzem a carros com mais de dez anos de fabricação, a maioria importada. Já sei das restrições: seguro, só contra terceiros. E não sei o que é mais difícil: encontrar peças ou vender o danado. Mas não me importo de me casar com um carro, desde que ele preste — e seja de boa família. E só uso carro nos fins de semana. Então fiz uma lista de possíveis candidatos a ocupar a vaga em minha garagem, ou melhor, no estacionamento da Rua Aurora:

Esse negócio está um inferno. A marida não agüenta mais me ouvir falar em carro; justo eu que nunca liguei para isso. Cada dia eu chego em casa decidido por um modelo; ela quer me jogar pela janela.

Minha lista tinha também o Ford Taurus, mas o motor 3.8 bebe mais do que corno inconformado. O Jeep Willys é o grande sonho de infância, mas é impraticável como único carro: bebe mais do que o Taurus, anda muito menos, é desconfortável e coisa e tal. Ainda vou ter o meu, mas só quando tiver condições de sustentar dois carros. Quanto aos coreanos, não sei se prestam mesmo. Os donos dizem que sim, mas se fosse verdade só tinha carro coreano no Bom Retiro. Não é o que acontece: coreanos e judeus parecem gostar de carros japoneses (os bolivianos dirigem máquinas de costura).

Porque estou contando isso tudo: é muito difícil decidir tendo por base só os fóruns, clubes online e comunidades do Orkut. Cada proprietário diz que seu carro é o melhor do mundo, sem apresentar argumentos. Os detratores do carro fazem a mesma coisa: “Esse carro é um lixo porque é velho/importado/desvalorizado/invendável”, mas não se esforçam para provar seu ponto de vista. Bom, então o negócio é apelar para meus distintos leitores. Só aceito opinião de quem tenha um desses carros, ou conviva com alguém que tenha. E não adianta vir com “Ah, se eu fosse você eu não entrava nessa roubada”, porque eu já decidi comprar um carro velho, barato e ficar alguns anos sem entrar em financiamento.