Cantada
— Alô.
— Oi.
— Oi, menina. Tudo bem.
— Tudo bom. Preciso da sua ajuda.
— Diga.
— Você que é bom de cantada…
— Ei, peraí! Bom de cantada? EU?
— É, ué.
— Acho que cê ligou pro lugar errado. Eu nunca cantei ninguém, ô.
— Ah, vai…
— É sério!
— Ahã, sei. Vai me ajudar ou não?
— Tá bom.
— Então. Que cantada eu jogo pra convidar um rapaz para sair?
— Eu sei lá. Não costumo convidar rapazes para sair, sabe como é.
— …
— Pô, não sei! Não sou muito chegado nesse negócio de cantada. Acho que o melhor mesmo é falar algo como “Olha, tá passando um filme legal, eu queria assistir. Quer ir?”, e pronto. Por que o cara diria não?
— Você acha?
— Claro.
— Então. Tá passando um filme legal, eu queria assistir. Quer ir?
— Isso, isso mesmo!
— Isso o quê?
— É isso aí, direto ao ponto.
— Não, bocó! Estou te chamando pra ir ao cinema comigo.
— Er… Peraí. A cantada era pra mim?
— Era.
— Puxa…
— Como você é lerdo!
— Mas é que… É que eu não estava esperando.
— Sei, sei. Olha, melhor deixar pra lá.
— HÃ???
— Achei que você fosse um cara inteligente, interessante, essas coisas. Parece que não. Tchau, viu?
— Não, peraí… Fiadaputa, desligou.




Aiii Ana…
Como você é paga pau !!!
Cantada sem graça e extremamente batida, merece resposta mais sem graça e chata ainda:
Estava andando na calçadinha da praia aqui em João Pessoa, com o meu cachorrinho, quando escuto:
- O cachorrinho tem telefone?
Imediatamente, respondo (não podia perder a oportunidade, né?)
- Late e pergunta pra ele.
A sua cantada do telefone é ótima, se não estivesse namorando há três anos e apaixonadíssima a colocaria em prática na primeira oportunidade!
Quando a do anjo não dá certo:
- Você se machucou ao cair do céu?
- Dããã vai dizer que eu sou uma anja…
- Não, é que parece que caiu de cara no chão mesmo…
Imagina a cena, Marco: seminário de uma disciplina do mestrado, eu e minha colega encenando esse diálogo e a turma toda indo ao delírio. Pense numa coisa linda… ridícula, mas linda.