— O que são aquelas coisas cor-de-rosa no tronco da árvore?

Olhei para onde minha marida apontava. Um punhado de cogumelos crescia na base um tronco à margem do lago no Parque Ecológico Tietê. Fomos até lá para tirar fotos (trabalho de faculdade), acabamos andando cinco quilômetros. Nos trechos mais desertos da trilha, ela falava em assassinos que matavam os caminhantes e os enterravam no lodo.

— São cogumelos — eu disse.

— Acho que não. São chicletes. As pessoas que morreram estavam mascando chicletes. Aí eles grudam os chicletes no tronco das árvores para saber quantas pessoas eles já mataram.

— Eles?

— ELES!

— Ah… E todas as pessoas assassinadas mascavam chicletes? Sempre do mesmo sabor?

— Eles dão chicletes para as pessoas. Depois matam.

— Ah…

Esse é o tipo de diálogo mais comum que temos: absurdos completos que nascem daquela cabecinha coberta de cabelos castanhos (naturais de fábrica!) e se desenvolvem até a loucura absoluta. Por exemplo: vocês sabem por que nunca foram encontrados restos mortais de nenhum pé-grande? Porque existe um ET que carrega os corpos dos pés-grandes que morrem.

O nome do ET é Abduze.

ABDUZE.

Assim são nossas piadas internas. Nada de coisinhas fofas e bonitinhas. Preferimos ETs como agentes funerários da família pé-grande. Ou assassinos que contam suas vítimas grudando chicletes no tronco das árvores. Ou um ET (ela gosta de ETs) que entrou em nosso apartamento, vindo do espaço através do aparelhinho do moço que instalou o telefone. Ou a Libéria, que é um país que foi fundado pelas libélulas (elas construíram uma cerca para não deixar mais ninguém entrar, e agora vivem por lá, libelulando).

Se eu soubesse que ia ser tão legal, tinha casado no primeiro mês de namoro.