Há muito tempo eu alimento esse sentimento de amor e ódio por Caetano Veloso. Nisso não sou nada original: o sentimento causado pela beleza de suas canções em contraste com falas desastrosas aqui e ali acaba causando esse sentimento em muita gente. Já cheguei mesmo a dizer que ele era uma sombra sobre a música brasileira, e que todo artista surgido depois dele se sentia na obrigação de pedir-lhe a bênção. Fiquei incomodado com as incursões de Caetano no universo do Los Hermanos. E então veio o e o Som Brasil da última sexta-feira, na Globo.

Caetano está parecendo o Clodovil, é verdade. Fora isso, exibe vitalidade e energia incomuns para um senhor de 65 anos. Então percebo que não é culpa dele: ele dá um tempo para alguém surgir com algo novo. Como não surge, vem ele mesmo à frente da cena para refrescar o cenário musical de Pindorama. Com o fim do Los Hermanos, esse senhor de cabelos brancos passa a ser o maior expoente do rock nacional.

Todo mundo imita Caetano Veloso, só ele é diferente de si mesmo a cada instante.