Era um corredor com paredes dos dois lados. Sim, eu sei que corredores geralmente têm paredes dos dois lados, mas essas eram diferentes: imagine que você está de frente para um elevador e as portas se fecham. Imaginou? Pois bem, agora imagine que atrás dele há outro par de portas, que se fecham em seguida. E outro par de portas, e outro, e outro, e outro. Assim era o corredor: eu corria por ele, e as tais portas (que eram bem grandes, paredes mesmo), iam se fechando. Um segundo que eu vacilasse, já era. Para tornar tudo mais difícil, tinha que prestar atenção aos símbolos gravados em cada parede. Quando as duas que se chocavam tinham os mesmos símbolos (círculos, quadrados, cruzes), elas se desintegravam, formando um novo corredor. E aí era a mesma coisa: corre, corre, corre, símbolos iguais, paredes somem, corredor novo, corre, corre, corre. Uma voz em off me dava instruções para o bom uso do labirinto móvel:

“O objetivo do jogo é chegar ao centro e subir a escada. Lá você encontrará Nosso Senhor o Rei, o Bígola criador desse Cruel Entretenimento”

E então minha cunhada tropeçou no colchão em que eu dormia (era depois do almoço, tínhamos todos comido quilos de lasanha) e eu fiquei sem resposta para a pergunta que me martela o cabeção até agora: que cazzo é Bígola?