Uma das várias divisões possíveis da população mundial: aqueles que têm dinheiro e aqueles que sabem escrever. São dois grupos bem distintos, e desconheço qualquer intersecção entre eles (“E o Paulo Coelho?”, alguém dirá, o que só serve para reforçar minha tese). Vez por outra o primeiro grupo precisa dos serviços do segundo. Para isso, mostram-se dispostos a abrir mão de uma ínfima parcela de seu rico dinheirinho em troca de meia dúzia de frases mais ou menos bem alinhadas.

Pois bem: sem emprego formal, eu dependo cada vez mais desses escambos de palavras por vil metal. Se vocês souberem de algum lance desses (matérias para jornais e revistas, textos diversos, traduções canhestras, biografias por encomenda, top secret ghost writings), avisem-me. Estou feito o Maníaco do Parque quando sair da cadeia: pegando qualquer coisa.