Aula de vagabundagem
Eu vinha tentando evitar tocar nesse assunto, mas serei obrigado. Acabo de receber um press release de um site de nome idiota e pedante, Jornalirismo, que “… foi à USP (Universidade de São Paulo) para participar da aula de democracia que os estudantes da universidade estão dando todos os dias”. O comunicado vai mais longe: “Os estudantes ensinam e aprendem a democracia, no ressurgimento do movimento estudantil”.
Pois bem, vejamos: escândalos explodem todos os dias, eminências pardas de nomes dúbios controlam o país dos bastidores, os legisladores federais, estaduais e municipais aumentam seus proventos à vontade, grandes corporações e pequenos pilantras minam o dinheiro dos impostos que nós pagamos. Tudo isso, e o tal movimento estudantil quietinho. Aí alguém resolve fazer alguma coisa certa: o governador José Serra (que foi da UNE nos tempos em que a sigla significava alguma coisa além do esquema de distribuição de carteirinhas de meia entrada) decide que a USP deve prestar contas do dinheiro que recebe (nosso dinheiro). É o que basta: vagabundos que não precisam ralar para pagar uma mensalidade, apoiados por seus professores meia-oito, ocupam o prédio da reitoria universidade. Apenas o fato de invadirem o prédio já demonstra que a universidade tem seus esqueletos no armário. Os estudantes, coitados, com suas pobres cabecinhas cheias de fumaça de cannabis, são massa de manobra de algum corruptozinho acadêmico que anda mandando pro bolso o dinheiro (nosso dinheiro) destinado à universidade. Reclamam que o governador quer dar ênfase à pesquisa acadêmica que seja voltada ao mercado. Oh, que absurdo! Então o careca quer que a universidade se dedique a atividades de pesquisa e desenvolvimento que ajudem a impulsionar o crescimento do país? Que maluquice!
A polícia, dócil, já deu todos os prazos possíveis para que os filhinhos de papai se retirem do prédio. Mas qual! Eles estão se divertindo, é como um acampamento! É brincar de movimento estudantil lutando contra a opressão, só que sem o risco de prisão, tortura ou morte, ou seja, sem opressão nenhuma. Falava sobre isso com Daniela ontem. Ela, que anda muito sem paciência, acha que a polícia devia invadir logo o prédio. E eu, que sempre fui um pacifista, concordo com ela: quero ver a polícia entrando no prédio dando peteleco nessa molecada. Assim eles têm um gostinho do que é a brutalidade do “sistema”, e de quebra guardam uma historinha de “resistência” para contar para os netos.
Vagabundos. Safados.




Olha, eu tenho enorme antipatia ao movimento estudantil. Mas existe diferença entre o texto anterior e o atual sim. Vale uma pesquisa rápida no google sobre “pesquisa pura” e “pesquisa aplicada”.
De qualquer forma, se esse decreto tivesse sido feito pelo PT os ‘setores reacionários’ da sociedade estariam chorando pitangas e acusando o governo de tentar censurar autoritariamente a pesquisa nacional.
Quem estudou em Universidade Pública durante a gestão Paulo Renato sabe que o PSDB não se amarra muito em ensino superior público.
Já fiz parte do Movimento Estudantil e posso afirmar, a UNE não defende mais os direitos estudantis, defende só o que o PCdoB acha interessante, e só aparecem nas faculdades em época de congressos.
A Juventude do PCdoB é uma vergonha, completamente manipulada, julgam-se os últimos defensores do socialismo e afirmam lutar por uma sociedade igualitária, mas só querem saber de dinheiro no bolso, dinheiro do partido, é claro, que acaba sendo o nosso dinheiro.
Enfim… Vagabundos sim.
Vejamos… Li quase tudo o que foi escrito aqui e só vi “paulada” p/ cima das pessoas que estão na reitoria da usp. Alguém aí escreveu que o governo e a reitora dissseram que os decretos não ferem a autonomia. Vcs acreditam em tudo o que dizem? Vcs leram os decretos? Ou ainda, apenas para contrastar com o que vcs acreditam, alguma opinião positiva ou que defenda a ocupação? Estou na Reitoria da USP à 3 semanas, não sou filhinho de papai, ralei pacas para conseguir minha vaga na universidade e faço o que faço no momento pq acredito sim que os decretos ferem sim a autonomia universitária e eles, assim como o pró-uni (apesar de seu papel social), são dois golpes no ensino publico de qualidade, sendo aquele o mais pesado.
Quanto à prestação de contas, faz alguns anos que existe apresentação de contas ao governo. O que o governo quer é controle das verbas.
Sei lá, é tudo muito complicado. Tudo o que sai na imprensa sai picotado, distorcem uns pontos, obscurecem outros.
Só faço o que creio ser certo.
T.S., se você estivesse preocupado(a) em saber todas as opiniões você teria lido todos os comentários. Ainda assim, respondo suas perguntas.
1) Sim, eu acredito em tudo o que dissemos. Todos os argumentos estão em comentários anteriores. Deixa de preguiça e lê o que passou!
2) Sim, eu li os decretos. Os antigos e os novos. Nenhum fere autonomia de porríssima alguma.
3) Sim, pesquisei em outros sites que são a favor da arruaça. O próprio Jornalirismo fala a respeito e nos apresenta, ao final, um link para o site de um jurista que é contra os decretos. Li tudo. Achei um lixo. Sou advogado e posso garantir que o candidato a jurista em quem eles se apóiam precisa voltar a estudar.
Entendo uma pessoa ser contra as cotas raciais. Existem bons motivos para isso (não que eu concorde com eles). Agora ser contra o Prouni é a prova de que você é filhinho(a) de papai. Ou, pior, que não sabe o que está acontecendo e que sua opinião é claramente manipulada pelo pseudo movimento estudantil que temos hoje em dia.
Apresentação de contas (que você deu a entender ser a favor) é forma de controle estatal (que você parece ser contra) sobre como as entidades descentralizadas utilizam as verbas que lhes são repassadas. É tudo muito complicado e você realmente não “sabe lá” o que quer.
O que você crê ser certo é o que lhe dizem que é certo. Tal qual um rebanho de ovelhas sendo guiado por seu pastor: não querem saber onde estão nem para onde vão; o pastor é quem sabe e vão pelo caminho que ele determinar, pois crêem que ali encontrarão comida farta e abrigo. Me parece algumas religiões… Mas isso não importa.
O que importa é que você pode acreditar no que quiser. Mas aceite que você pode não estar certo e procure ponderar melhor suas posições. Raciocínio é a única arma que a natureza nos deu para sobrevivermos às adversidades. Tente usá-lo.
Galera,
eu fui aluna de graduação na área de Humanas na UNESP e tive o desprazer de ver filhinhos-de-papai de inúmeros cursos (incluindo Engenharia, Física, Biologia e outros) promovendo baderna, vindo dos cafundorós-não-sei-de-onde e moblizando greves que arrebentavam o ano letivo e a vida de alunos como eu (que trabalhavam durante o dia e pesquisavam na universidade), simplesmente para exigir restaurante com comida a um real; ampliação de moradias gratuitas para todos os estudantes “de fora”; aumento do prazo para “jubilar” e outros assuntos muuuuuuito relevantes.
Engraçado é que no movimento da USP vejo os mesmos clichês – café da manhã aos finais de semana; ampliação de prazo para jubilar e outras babaquices irrelevantes para o contexto da produção científica e acadêmica nacional.
Não vejo mal algum que contas sejam, sim, prestadas com total transparência. E acho válido também que se discuta racionalmente o decreto -porém o que vejo são estudantes mauricinhos, divertindo-se com o acampamento em prédio público, empatando o ano letivo e as importantes pesquisas cujas verbas – dizem – querem defender, exigindo debates de assuntos muito alheios aos temas do decreto.
O que tenho visto?
Um pretexto para uma grande festa de estupidez.
Quanto ao colega que disse, nessas postagens, que “não deve ser fácil ficar no frio” ou algo assim, informo que até mesmo festa junina madrugada a dentro fizeram. Sem falar os bate-bolas, os churrasquinhos, o levantamento de quantias razoáveis para isso e aquilo… não vejo qualquer sofrimento nisso tudo, não.
Sobre outro colega que disse ser da área de Exatas e que “desceu delicadamente o pau” na galera de Humanas, posso afirmar-lhe que nem todos que lidam com Artes, Literatura e similares são criaturas esquerdistas e maconhadas. Há muito bom senso ainda, creia ou não. E a “fofolete”, sem dúvidas, precisa aprender um pouco disso!
Abraços a todos.
Ana Terra
Bons tempos os da ditadura…
Caro T.S.,
Peço por favor que leia meus comentários anteriores (38, 39 e 46) e tente me provar como aqueles 7 FATOS podem estar errados.
Leia pelo menos os tópicos 2 e 3 do comentário 38 e me diga se não é uma incoerência você estar aí.
Lendo o seu comentário tem-se a impressão que você tem boas intenções; talvez falte só mais clareza. Mas acredite, atendo-se somente aos fatos não tem nada de tão complicado no episódio.
Por favor, repense o que você crê ser o ‘certo’.
Inté,
[...] 51 dias, os vagabundos desocuparam a reitoria da USP. Tocaram o puteiro lá dentro, como era de se esperar. Vandalismo [...]
Vão estudar, bando de vagabundo! Invadiram patrimônio público pra ficar jogando truco, puxando fumo e namorando (eufemismo)… Dinheiro público é dinheiro de “todos”, não dinheiro de ‘ninguém”… falta de uma boa surra de vassoura, isso sim…
Abraços ao dono do blog. Sensacional, cara!