Esse negócio de sacanear Moisés e Arão fazendo os caras contarem gente até não poderem mais até que era legal. Mas deus logo se cansou disso. O negócio dele era com leis e castigos. Então resolveu voltar à velha pauta. E sobrou para Moisés e Arão, claro:
— Ô seus sacripantas. Eu tava dando uma olhada aí no acampamento de vocês, assim, como quem não quer nada. E vi um negócio que me deixou muito puto.
— EU SÓ ESTAVA ORDENHANDO A CABRA, MAIS NADA!
— Cabra? Que cabra?
— Hum… Não é disso que cê tá falando?
— Não… Que cabra?
— Cabra? Sei lá do que cê tá falando, Javé…
— Humpf. Tô falando do que eu vi por aí: Leprosos, gente com corrimento, nego que encostou em defunto…
— U-ué. E d-daí?
— Como assim, “e daí”??? Eu não falei que essa gente toda é imunda? Então! Cês têm que expulsar esse povo do acampamento!
— E-expulsar? E p-pra onde e-eles v-vão?
— Cada um com seus pobrema.
Problemas, Javé.
— Isso é pobrema meu. Que cês tão esperando? Podem mandar correr a notícia, ao pôr-do-sol eu quero ver esse acampamento livre das pessoas imundas. Bora, bora!
Moisés e Arão, que há muito já tinham aprendido que não valia a pena discutir com deus, apenas cumpriram a ordem. Ao fim do dia o acampamento estava limpo do jeito que Javé queria.