Agora sim, eu tô todo dolorido! Que beleza! Minhas coxas [pausa para os suspiros femininos] parecem feitas de cordas de violoncelo prestes a arrebentar. Não reclamo: gosto de fazer esteira. O problema é que me sinto igual o Jamiroquai no clipe de Virtual Insanity. Odeio Jamiroquai. Vou requisitar à academia uma esteira mais larga, com manequins grudados. Assim pelo menos eu posso ir andando e esbarrando neles, para me sentir como o Richard Ashcroft no Bittersweet Symphony.
Os músculos do meu abdômen, que eu nem sabia que ainda existiam, já disseram que não vão à academia hoje, Marcurélio que vá sozinho. Abusei dos pobrezinhos, também: no primeiro dia o instrutor regulou o aparelho que não tem nada a ver com os robôs do Matrix Revolutions, botando aquele pininho no primeiro peso. Fiz 400 abdominais na boa. Então ontem, depois de 6 quilômetros andando na esteira, e ainda disposto a mais, resolvi que ia fazer pelo menos 500 abdominais. Me ajeitei lá no aparelho e fiz a primeira série de dez. Quase não consigo. “Ué, troço estranho…”. Mais dez. Quase morro. Mais dez. Desisti. Então olhei, por acaso, para os pesos. O pininho estava láaaaaaaaa no sétimo. Disfarcei, saí do aparelho, me espreguicei e botei o danado no terceiro peso, pra não ficar tão chato. Fiz mais cem abdominais e fui tomar banho. Oras.
E agora estou todo dolorido. Mas é uma dor boa. Um monte de gente me falou isso ontem e eu achei uma bobagem, mas é verdade. É como a ansiedade que venho sentindo nas últimas semanas: quase me mata, mas é boa.