Amores que vão para o caralho
— Eram para um amor que foi para o caralho — segredou-lhe.
(Gabriel Garcia Márquez – O Amor Nos Tempos Do Cólera)
Mais cedo ou mais tarde todos os amores vão para o caralho. Mesmo os mais duradouros, os mais resistentes às intempéries, acabam esbarrando na muralha insensível da morte. E esses são raríssimos: a maior parte se esvai em algum ponto no meio do caminho, então temos duas pessoas que se entreolham e, constrangidas pela presença uma da outra, perguntam-se: cadê?
Eu mesmo, a duas semanas de completar 29 anos, tenho cá comigo uma cota respeitável de nichos vazios outrora habitados por amores, os quais — que dúvida? — foram para o caralho. Amores que vivi por muito tempo sem que a contraparte sequer desconfiasse, amores que foram frustrados pelo medo ou pela baixa auto-estima de um lado ou de outro, e até mesmo um amor que compartilhei por anos, único caso de relativo sucesso nessa fragorosa sucessão de fracassos.
Para esses amores frustrados guardei aqui meus bombons, assim como o desafortunado Florentino Ariza. Não são bombons de verdade, é claro: seria impossível, nesses tempos em que o prazo de validade nas embalagens é levado tão a sério. Falo das palavras que guardo esperando quem as mereça. Apesar de tantos amores de pouca sorte, ainda acredito que tais palavras serão o Abre-te Sésamo para algum coração que anda por aí tão fechado e perdido quanto o meu.
Enquanto não encontro serventia para minhas palavras (e não há nenhuma musa que as anime), vou adestrando as pobrezinhas aqui e ali, escrevendo coisas que pretendo engraçadas, mas sempre deixando entrever a melancolia que as alimenta. E assim as palavras exercitam-se, esperando ansiosas pelo dia em que cumprirão seu propósito de fazer brilhar algumum par de olhos. Outras palavras fizeram um dia brilhar outros olhos. Olhos felinos, oceânicos, noturnos. Que olhos virão agora? Não sei, e mal posso esperar para encontrá-los. Mas não sou tão estúpido quanto pareço: sei que meu estoque de bombons não é infinito, então resolvi ser avaro com os poucos que me restam. Talvez os leve comigo para a sepultura, tão frustrados quanto eu. Não penso nisso, porém: nutro ainda a esperança. Esperança de encontrar o amor que só vá para o caralho junto comigo.




Marco, você, às vezes, é tão parecido comigo, que eu fico até assustado.
Belo texto
Não sei pq vc não me responde…Agora então, com essa sitação de Gabriel que eu adoro e com O amor nos tempos do Cólera, que eu amo…Fica difícil…Me sinto uma formiga tentando conquistar um elefante. Tô pulando, gritando e vc nem faço cócegas no seu coração. Acho que vou desistir….
Aquele que me fez acreditar que valia a pena compartilhar meus bombons, me mandou pro caralho e não satisfeito de tempos em tempos resolve me infernizar tentando me roubar um pedaço qualquer.
Texto bom da porra! Li na segunda-feira mesmo, e me peguei lembrando dele agora há pouco, enquanto fatiava uma carne seca. Talvez a carne assim me lembrasse algum amor antigo e ido para o caralho, talvez seja só a cabeça vazia que me fizesse lembrar de alguma coisa que me impressionou. Um texto que não irá para o caralho.
Belo texto, Marco, mas discordo em um ponto: nem todos os amores se vão assim. O meu já vai pra 15 anos, de felicidade e cumplicidade plenas.
Em tempo: engraçado os comentários de algumas pessoas aqui, que acham que só elas conhecem/gostam de Gabriel Garcia Márquez. Tsc, tsc.
Com relação à sua busca transcrevo:
Homem de 29 anos, que só gosta de mulher procura mulher, que só goste de homem, para compromisso duradouro, desde que esta preencha certos requisitos. Vale lembrar que as exigências deste senhor que, a partir de agora passa a se denominar PRETENDIDO, são baseadas em suas relações com outras mulheres que, a partir de agora, passam a ser denominadas PRETENDENTES, e que deixaram marcas profundas em sua personalidade.
O PRETENDIDO exige que a pretendente tenha idade entre 18 e 30 anos, descartando as acima do limite superior.
Devem ter um grau razoável de escolaridade, para que não digam, na frente de estranhos: “menas vezes”, “quando eu se casei”, “probrema no úter”, “eu já se operei do apênis”, “é de grátis”, e outras pérolas gramaticais.
Os olhos podem ter qualquer cor, desde que sejam da mesma, e olhem para uma mesma direção.
Os dentes, além de extremamente brancos, todos os 32, devem permanecer na boca ao deitar e nunca dormirem mergulhados num copo d’água.
Os seios devem ser firmes, do tamanho do um mamão papaia, cujos os mamilos olhem sempre para o céu, quando muito para o purgatório, nunca para o inferno. Devem ter consistência tal que não escapem pelos dedos, como massa de pão.
Por motivos óbvios, a boca e os lábios devem ter consistência macia, não confundir com beiços.
A barriga, se existir, muito pequena e discreta, e não um ponto de referência.
O PRETENDIDO exige que a PRETENDENTE seja sexualmente normal, isto é, tenha orgasmos, se mútiplos melhor, mas mesmos os eventuais, quando acontecerem, que ela gema um pouco ou pisque os olhos, para que ele sinta-se sexualmente interessante. independente da experiência sexual do PRETENDIDO, este exige que durante o ato sexual a PRETENDENTE não boceje, não ria, não fique vendo as horas no rádio relógio, durma ou cochile.
O PRETENDIDO exige que a PRETENDENTE não tenha feito nenhuma sessão de análise, com finalidade de camuflar uma eventual esquizofrenia.
A PRETENDENTE deverá ter carro que ande, nem que seja brasília, ou tenha dinheiro para o táxi, uma vez que pela própria idade do PRETENDIDO, ele não tem mais paciência para levar namorada de madrugada para casa.
“Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível”
Achei o post de uma singeleza! Li ontem e fiquei pensando muito no assunto, querendo escrever alguma coisa interessante que demonstrasse a você, Marco, o quanto essas palavras me tocaram.
Aí chego aqui e começo a ler os comentários, chego no do Ulisses e simplesmente tenho um ataque de risos que me impede de formular qualquer frase coerente (como se pode notar do que escrevi até agora).
Em todo caso, me senti pessoalmente tocada (ui!).
Beijos
Achei o seu blog por um acaso… Entrei achando que ia rir muito… Que decepção… Eu tô ADORANDO o que vc escreve, Marquito! C é um menino muito do carái! hehehe
Bjão e não para não, hein?! óu nova por aqui.. hehe
AXÉ!
Inespere… demora menos e vc curte mais a vida.
Penso que vale a pena a entrega.Penso que vale a pena a dedicação.
E hoje sei que amar dá muito trabalho.Dói mas é gostoso(!).
Mas falo desses amores em que você elege uma garota e diz “Opa, nessa eu invisto!”
Daí você começa a chamada construção da relação e as variáveis te chateiam, te sacaneam, te chutam o saco, enfim.
E as vezes a gente perde tudo mesmo.
Mas as vezes um pé na bunda é um passo à frente.
Sei lá onde vou chegar com essa filosofia de boteco…mas desejo que tenha sorte no amor.Ser só é muito chato.
Deixo aqui um pedido, pelo bem dos romances: Depois de você encontrar a danada, elegê-la, cortejá-la, conquistá-la, consolidar a relação e sentir-se feliz NÃO coloque no seu carro o adesivo: Amo minha esposa!
Se fizer isso lhe garanto: já foi para o caralho…
Fala sério Marco! Adorei teu blog! E me identifiquei muito com esse post… Já tive vários amores que foram para o caralho e me deixaram na minha vida de busca plena por um algo mais que continue me fazendo sorrir…
com certeza estarei aqui mais vezes…
E você, quando tiver um tempo passa lá no meu bloguito que é bem simples mas é algo que me faz sorrir a cada coments que recebo ou a cada post que publico…
Beijos…
Que vício de pensamento esse, que é a gente insistir em colocar nossa felicidade nas mãos de outra pessoa. O que é um fardo pesado demais para qualquer um. Talvez por isso seja tão raro que um amor não vá pra esse lugar aí…
Você já visitou o blog Dantesco (http://dantesco.blogger.com.br) ou o A Questão É (http://questao.zip.net)? Vai encontrar algumas coisas parecidas com os seus bombons por lá.
Esse negócio de todo mundo procura mas ninguém encontra é realmente frustrante. Tou cansada tb e resolvi ficar sozinha.
Parece que todos se identificaram com o teu texto… é inevitável esse vazio sentido pelas pessoas. E realmente ficar atirando para todos os lados não resolve nada… estou casada no momento, mas com certeza não é mais o grande amor da minha vida… fazer o que?? desisti desta busca… (q horror)
adorei teu texto….
Marco Aurélio, apesar de estar prestes a completar somente 20 anos no dia 14 de maio, sei muito bem do que fala. Namorei 5 anos e quase uma ano estou sem namorado, durante esse período descobri o quanto é fácil um amor ir para o caralho,já sofri um bocado com isso. Uma perguntinha só. Por que vocês homens são tão medrosos e covardes? Quando algo parece dar certo, na última hora, se amedontram.
Gostei muito do seu texto hein, e também nutro a esperança que um dia eu encontre um amor que vá para o caralho junto comigo
Putz…
“EU TE AMO POR-RA!!!”
Resume tudo.
Era tudo o que eu queria ouvir, dizer, compartilhar.
Sem convencionalidades…
Um Amor Incondicional.
Simplesmente um AMOR, POR-RA !!!!
Beijos,
Discordo!!!!!
Desde quando o AMOR vai pro caralho, meu pobre flagelado? o que vai para o caralho são romances que vc, em sua carência, sonhou serem algo mais além de meras curtições inconseqüentes. Qando o amor finalmente bater a sua porta ele fará morada lá para sempre e finalmente terão acabado as relações que vem e vão comandadas pelo caralho.
Mantenha a mente aberta e a campainha da porta funcionando!
Caraca!! Porra meu!! Li e reli e adorei!
Espero que os amores da minha vida vão todos para o caralho comigo!
Up!
Não esqueça de sorrir!
Gostei …
muito bom..
tamu junto nisso awê………………vamus trocas nossos corações por outro figado so assim amamos menos e cachaça mais p dentro………………..amamos de mais hj estamos de ressacaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa