Alexandre Soares Silva For Dummies
O título deste post é o nome que eu daria a um novo blog, caso eu tivesse paciência para novos blogs. O negócio é que a incompreensão de grande parte dos leitores frente aos escritos do Alexandre me dá vontade de esmiuçar tudo para eles, coitados.
Esse texto, por exemplo. Nego já chegou lá acusando o autor de apoiar o estupro, perguntando se ele ia gostar se fosse com ele, essas coisas de quem pensa que ler é só juntar sílabas. Não lê, reconhece algumas palavras-chave e já começa a espumar e a revirar os olhos. Sendo que Alexandre está dizendo o seguinte: “Sexo não é tão inocente e comum quanto comida, ou xadrez. Se o fosse, estupro não seria crime”. Só isso! Você pode concordar ou discordar, mas nunca enfiar seu dedo sujo na cara do autor acusando-o de apologia ao estupro ou qualquer bobagem assim.
O texto me fez pensar, e muito. Não coneguia concordar com ele. Sexo é algo que até baratas fazem, não pode ser superior a outros atos fisiológicos. A literatura é superior, a música também, por serem essencialmente humanas. O sexo, não. Mas então, por que estupro e pedofilia são crimes, e forçar alguém a comer farofa não é? Hum. Comecei a pensar nisso. Para começar, o homem tem essa característica terrível que é o preço de sua racionalidade: a consciência da própria morte. O sexo é prazeroso para nós, mas lá no fundo de nossas mentes sabemos muito bem o que ele significa: precisamos passar nossos genes para a frente, porque daqui a pouco não estaremos mais por aqui (falar em sexo como meio de reprodução pode soar antiquado, mas já aviso que ele surgiu exatamente para isso. Não se espantem). Quando Adão e Eva comeram do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, a primeira mudança foi a percepção de que estavam nus. Ao tomarem consciência do próprio corpo, perceberam também sua mortalidade. “Vamos morrer, Eva, então o negócio é obedecer logo àquele lance de crescer, multiplicar e coisa e tal”.
Voltando ao texto: se associássemos a comida à mortalidade, como associamos o sexo, provavelmente seria muito comum alguns desajustados saírem por aí socando farofa goela abaixo de pessoas indefesas. Seria crime previsto no Código Penal, e os condenados por ele provavelmente seriam odiados na cadeia, forçados por uma fila de colegas de cela a ingerir quantidades industriais de comida da prisão. Aliás, acredito que o Alexandre se inspira em C.S. Lewis, mais precisamente no capítulo “A Moral Sexual” de seu livro “Cristianismo Puro e Simples”. Comparando sexo a comida, como faz o Alexandre, Lewis diz:
E por que isso não acontece? Acredito que seja por que o alimento signifique para nós manutenção da vida, e sua ausência signifique morte. É simples, direto. O sexo é mais complicado: através dele geram-se novas vidas, é verdade. Mas é também parecido com aquele servo do imperador romano Julio César que, sempre que este voltava de mais uma campanha vitoriosa e desfilava em triunfo pela cidade, ficava sussurrando em seu ouvido: “Lembra-te de que és mortal”.
Além do mais, falta de sexo não mata ninguém. Eu estou vivo, não estou?




Catolicismo. Culpe o catolicismo.
Por que eu culparia o catolicismo, se o estupro acontece também nas culturas não católicas? Aliás, esqueci de mencionar no post: acontece estupro entre os chimpanzés.
Tem outra: no sexo consentido já há uma violência, só que no plano simbólico (e quantos artistas não fizeram associações do falo com espadas?). O estupro não é sexo, é uma forma de provar dominação e de causar humilhação através de algo que parece muito com o sexo. O prazer do estuprador está na resistência e no medo da vítima. O estupro masculino dentro de uma cadeia deixa isso bem claro.
E obrigar alguém a comer farofa (farofa é bondade sua; dá pra obrigar as pessoas a comerem coisas bem piores) é uma violência também.
Também fiquei espantado com a falta de percepção de algumas pessoas ao ler o texto, mas tenho certeza de que muitos entenderam muito bem, mas ficaram ofendidos com a insinuação de que o sexo não é algo trivial como mascar chiclete ou andar de bicicleta; nem todos gostam de ser lembrados disso, seja por um crente como eu, seja por um intelectual como o Alexandre Soares Silva.
E ao ver sua menção, corri pro Mere Christianity e li o capítulo de novo, só pra ver o Lewis descrever como seria o strip-tease de um prato de comida, hehehehe… incomparável…
Rapaz, essa é a primeira vez que deixo um comentário aqui no teu site, mas como tenho me tornado um leitor assíduo, aproveito para te parabenizar e para concordar com o que vc disse! Mandou muito bem, e estupro entre chimpanzés não é crime, mas se algum malandro estuprar um chimpanzé vai ter que se explicar e muito bem!!!! heeheehee…
T+
O problema não está no que foi dito, mas em como foi dito. O Alexandre, que é muito traquinas, teceu lá o texto dele com muita propriedade e muitos labirintos. Daí, fodeu.
E outra: ele poderia até ter feito apologia ao estupro. Ou melhor, a uma ato sexual mais violento. Vai ver é a tara do cara. Tem muita mulher que gosta. Pergunta pra Zel (www.zel.com.br/deliciascremosas).
Mas vc tem razão. Pessoalzinho acha que ler é mesmo juntar sílabas. Analfabetos funcionais, chama-se.
Mas, Marco, vc está esquecendo de uma coisa que me deixou puto no caso: o bando de baba-ovo que sai em defesa do Mestre. Adoro o Alexandre, ele é bom e tal, mas, como disse lá: a turma que elogia é tão perniciosa quanto a que xinga.
E nela estamos eu e vc, acho.
Abraço,
Outra coisa: feliz são os chimpanzés, que não precisam gastar dinheiro com jantar, flores, estas coisas.
Parece que os golfinhos tb são estupradores natos. Mas são tão bunitinhos…
[]
Sei lá porquê, mas o texto do Alexandre me lembrou “Encaixotando Helena”. Vai ver é porque eu não presto mesmo.
Mas a discussão sobre apologias, crimes e atos é tola. Se alguém obrigar uma pessoa a fazer qualquer coisa que ela não queira, isto pode ser enquadrado em uma categoria do código penal.
É Marco, você está vivo sim… e com o braço forte!
E complementando…
Forçar alguém a comer, jogar xadrez ou etc, através de força física pode ser considerado:
1.Lesão corporal
Art. 129 – Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem;
2.Constrangimento ilegal
Art. 146 – Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda;
3.Ameaça
Art. 147 – Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave.
Não é necessário haver uma lei específica para um ato. Entretanto, certas ações criminosas são tão corriqueiras que acabam gerando leis que estipulam a PENA a ser cumprida.
Por isso que é código penal, cáspite.
Mas se o cara conseguiu convencer a pessoa à jogar xadrez ou comer sem usar nenhuma violência ou ameaça à integridade física dela ou de outrem, então não é crime. E o mesmo vale pra sexo.
Blablabla
A gente sabe q vc le livro, marco, nao precisa ficar mostrando.
Ps: mudei meu nome pra tentar comer alguem
Confesso que me diverti com o texto e os comentários. E você tem razão, Marcurélio, as pessoas não sabem ler.
Patrulhadinha chata. Chata. Lógico que foi isso que o cara quis dizer. Lógico que neguinho não entendeu. Mas pra mim tb é lógico que se o texto fosse uma “apologia ao estupro”, como 99% das pessoas que comentaram lá acham, cazzo, o blog é dele, não é? Que coisa chata.
Cazzo de novo. Tá, tirei da boca.
Beijo, Maco.
Prova que o sexo não é algo tão corriqueiro e inocente é que temos uma série de classificações para dizer quando ele é certo ou errado, o que pode e o que não pode, o que é normal e o que é patológico, com quem pode e com quem não pode. Até o sexo para a reprodução é um tabu entre nós. Por isso temos uma definição clara sobre o que é um incesto. E quando desligamos o sexo do sentido reprodutivo e o transformamos em fonte de prazer aí é que a coisa piora. Pq até mesmo esse prazer é cercado de tabus. Sadomasoquismo, voyeurismo, sexo oral, anal, vaginal, hetero, homo. Pudor, sem-vergonhice, moral religiosa, ideologia, cada um veste a sua carapuça pra dar uma opinião ou julgar cada uma destas e outras práticas sexuais. O fato é, falar sobre sexo sem ser em tom de piada é algo desconfortável pra muita gente, ainda mais quando falamos nele como instrumento de poder. Uma arma poderosa usada, tanto pelos homens quanto pelas mulheres, para subjugar, humilhar ou dominar.
Será que a coisa toda não se explica pelo valor que damos à nossa intimidade?
Quanto mais íntimo, mais valor tem. Se alguém invade o meu quintal, eu não gosto. Se alguém invade a minha casa, eu gosto menos. Se alguém invade o meu quarto, gosto menos ainda. E por aí vai, até que chegamos ao estupro – invasão do próprio corpo. Não! invasão da parte mais íntima do corpo, tão íntima que a civilização ocidental cercou-a de tabus, para protejê-la. (não discuto aqui o mérito disto). Pior que o estupro físico, só o estupro da mente, que destrói a vontade e até a condição humana.
Será que eu serei mais um incompreendido, nesta babel de comentários? hope not.
Hmmm…
Que post foda.
*batendo palmas*
“protejê-la” com “j”???
Me perdoa, meu padim padi cíço!!
Quem não conhece bem o autor pode mesmo julgar como apologia ao estupro… e todos os blogs estão sujeitos maus julgamentos.
Pra isso existem os comments, né?
Mas, mais uma vez, tenho que aplaudir o seu comentário, Marco!
Desculpe a falta de tempo de te ler, e comentar também.
Um beijão!
Eu fui vítima de uma tentativa de estupro (só pra ilustrar) e – pasmem! – depois percebi que estava lubrificada!
Será uma reação animal ou pura e simples defesa do organismo?!
Safadeza não foi pois, na época, eu ainda não era safada!!!
Bem, primeiramente o sexo ainda é tabu. Em segundo lugar acho que sexo é sim algo superior ao sexo de outros seres pq os humanos o fazem mesmo que não seja pra procriar, o fazem apenas pelo prazer e em algumas vezes envolve amor o que já complica mais ainda explicar a diferença. Acho que forçar brutalmente alguém (por ex) ingerir uma certa quantidade de comida é tão traumático quanto força-la a fazer sexo. Digo isso pq passei por coisas muito traumáticas na minha infância e uma delas era quando a minha madrasta me forçava á me empanturrar com pão com manteiga pra não ter que fazer almoço e janta pra mim, se eu não comesse a quantidade de pão que ela me impunha eu era punido, e isso me deixa mal até hoje. Acho que o que ela fez foi um crime… Pense nisso…
gostei da idéia da farofa. Acho q vou comercializar frito de urubu em uma sex shop. Caracas, se essa idéia pega vou me dar bem!!!è melhor do q dar banho em véi!!!
Paulo, eu não acho que o povo que elogia o Alexandre seja tão pernicioso quanto aquele que o achincalha. Além do mais, ele tá um gato naquela foto no Diário da Manhã.
Ui!
Só há UMA interpretação para o texto do Alexandre: sexo é misterioso, não é como beber água ou ir ao banheiro fazer xixi. Daí o horror perante um crime hediondo como o estupro. O “por que não?” final, obviamente, é uma pergunta que leva à interpretação acima, não uma provocação leviana sobre a validade da violência sexual. Simples.
Quem diz que o Alexandre “defende o estupro” NÃO SABE ler. Ponto final. Como sugeriram nos comentários dele, ele devia patentear o texto como teste de QI. Quem acha que ele foi “exagerado” e exibiu mau gosto, também não sabe ler e é mais fresco que a Roberta Close com unha quebrada. A correta compreensão do texto do Alexandre implica *necessariamente* em entender o estilo com que ele escreveu a coisa. Aposto que em privado fazem piadinhas não muito politicamente corretas e se divertem a valer. Não venham dar uma de santas pudicas.
E, Marco Aurélio, o seu texto dá insights interessantes. Sexo é semelhante à morte por ser, arrisco dizer, uma experiência em que tentamos transcender nossos sentidos… usando intensamente nossos sentidos. Enquanto que, ao morrer, há a transcendência (mesmo que seja ao pó) e nossos sentidos imediatos morrem conosco. E gera-se a vida durante o sexo – só os hipócritas conseguem negar que há aí um profundo mistério. Hmm. Melhor eu parar com essa coisa de eros e thanatos.
Um abraço,
Jules
Sai daí, vírgula.
Eu li tudo, e estou estufeta! Cara vc é muito inteligente um senso crítico bárbaro..comentar o que se vc já disse tudo! Cara esse povo na merda da matrix…por isso veem tudo errado…vc foi desplugado parabens ! beijos !
Kibe FEDE. Ai.
marco, uma coisa pra pensar: entre os animais, sexo não é aquela coisa cuti-cuti. normalmente é violento e exigido à força, sempre pelo macho dominante (que brigou pra chegar ali). estupro, acho eu, é mais uma demonstração de poder (você vai perpetuar MEUS genes) do que de qualquer outra coisa. o que acha? beijo!
Pô, tinha que lembrar que as baratas transam? (acho que nunca mais vou conseguir fazer isso sem lembrar das baratas transando…)
Talvez seja por aí, Marco Aurélio.
Apesar do excesso –- ou justamente por causa dele , achei realmente primoroso esse post do Alexandre.
Abraço.
Marco,Polzonoff,Zel
A fantasia do sexo forçado não é tão rara. Na verdade a Zel relatou muito bem. As pessoas não lidam bem com isso, porque a maioria não tem coragem de assumir o desejo que imaginar uma cena daquelas causa.
Quando alguém é tomado com força (não a força), porém, consentidamente, os hormônios já pululam de maneira diferente. Porque ser desejado com força, com gana, é bom. Vc é, querendo ou não, o centro.
Com exceção daqueles que passam fome (passam fome MESMO, e nem devem ter forças para pensar em sexo)… acho que o lance é que comida a maioria tem… e sexo, nem todos. Ou pelo menos não o quanto gostaria, ou deveria. (óquei, isso foi desnecessário)
Outra coisa… Sobre os golfinhos. São lindinhos, mas são estupradores natos sim. E violentinhos. Chegam, na briga por uma fêmea (ou por outro macho) a arrancar o pênis do outro golfinho na disputa.