Buscando informações sobre a estrutura do cérebro (mais especificamente sobre as funções do lobo parietal), deparei-me com este artigo: estimulando áreas do cérebro de uma epilética, os médicos incidentalmente causaram na paciente uma sensação de sair do próprio corpo. Isso derruba todas as teses espiritualistas que afirmam existir uma coisa chamada “alma” que pode sair do corpo (do qual é independente) para dar uma volta por aí.
Ao ler esse artigo, lembrei-me de outro que li há algum tempo, sobre Phineas Gage, o homem que perdeu o caráter graças a uma lesão grave no lobo frontal em 1848. Era um trabalhador diligente, responsável. Depois do acidente em que teve um abscesso no lobo frontal, passou a apresentar um comportamento infantil, irresponsável. Os amigos não reconheciam nele o companheiro de antes. E eu me pergunto: e se em vez de um acidente espetacular, com uma barra de ferro trespassando a cabeça, o cérebro dele tivesse sido afetado por outra causa, menos visível? Uma disfunção química, por exemplo? Será que alguém levantaria a hipótese de lesão cerebral como causa para a mudança de comportamento? Creio que não, mesmo porque foi esse caso que levou os neurologistas a relacionarem essa área do cérebro ao comportamento ético do ser humano. Então não é difícil imaginar que, não fosse o acidente, hoje Phineas Gage faria parte da história do ocultismo, e não da neurologia. Uma prova “irrefutável” de possessão demoníaca, talvez.
E então me lembrei do Darwinismo e de seu mais recente triunfo: já se começa a afirmar que chimpanzés e bonobos deveriam fazer parte do gênero Homo, até agora exclusivo do ser humano, já que este e aqueles têm em comum 99,4% dos genes (para efeito de comparação, entre ratos e camundongos a semelhança é de 99,1%).
E o que dizer da descoberta da área do cérebro responsável pela consciência, tornando desnecessária a busca por explicações metafísicas para o que somos?
A ciência caminha sem parar. Erra várias vezes, volta atrás, tenta de novo. E assim, aos trancos e barrancos, vai desvendando os mistérios do universo, do cérebro humano, das estrutura subatômicas.
E aqui eu faço uma pergunta a vocês: para que um deus? Hoje já temos teses científicas bastante convincentes para a alma e o papel do homem no universo. A impressão que eu tenho é que muita gente mantém a fé apenas por inércia. “Eu sempre acreditei, vou deixar de acreditar a esta altura da vida? Ah, que preguiça…”. Você acredita em deus? Por quê?