E lá fui eu fazer a prova do Detran pela terceira vez (primeira, segunda). Dessa vez foi diferente: a autoescola antiga se dedicava à venda de habilitações. Os instrutores se encarregavam de deixar os alunos nervosos no dia da prova, e depois ofereciam a carteira de motorista por 400 reais. A nova autoescola, lá perto de casa, tem bons instrutores, responsáveis, didáticos, a porra toda. Além de tudo, falam bobagem o tempo todo. Ou seja: ambiente ideal para mim.
Com tudo a meu favor, fui lá fazer o teste. Chegamos ao estacionamento do Shopping Aricanduva e o instrutor foi nos apresentar o percurso. Mostrou de onde deveríamos sair, onde fazer a baliza e a ladeira. O lugar da ladeira era uma curva.
Epa.
Você, caro leitor mais velho, talvez não saiba, mas nós, os jovens, temos uma dificuldade a mais no teste de ladeira: o carro deve parar a exatamente um palmo da guia (o que os estrangeiros chamam de meio-fio). Como é que eu ia ter essa precisão toda numa curva? Comecei a tremer nessa hora.
O instrutor terminou de dar a volta e chegou nossa vez. Antes de mim foram quatro alunos: três passaram, uma menina foi reprovada. Na minha vez eu fiquei semi-inconsciente. Se o sujeito do Detran perguntasse meu nome eu não saberia responder. Mas fui, saí direitinho com o carro.
— Faz a primeira baliza, lá da frente.
Fui, parei o carro um pouco à frente do cone e engatei a ré. Soltei a embreagem e o bicho foi para a frente. Pisei de novo, ré outra vez, e o danado indo pra frente. Na terceira oportunidade, consegui engatar a marcha direito e fiz a baliza perfeitamente. Saí da baliza e fui fazer a tal da ladeira na curva. Para minha total e absoluta estupefação, consegui parar o carro do jeito certo e sair sem deixar que ele descesse.
Aí vem a desgraça: logo depois da ladeira havia um cruzamento. Num estacionamento de shopping center às nove da manhã, achei que não haveria ninguém passando por ali e entrei sem olhar. Mas um desgranhento dum corno feladaputa resolveu passar justamente naquela hora.
— A preferencial era dele.
— É, eu sei.
Se fosse só esse erro, eu ainda teria chances. Só que estava nervoso, e mais adiante esqueci de dar uma seta. Quatro pontos, até a próxima.
E na próxima eu não peço torcida de ninguém. Cambada de ingratos.

Recado para os que dizem que eu deveria comprar a CNH: vocês são um bando de canalhas, uma gente sem conceito de honra. O que eu penso de comprar a carteira está aqui; o que eu penso de vocês está aqui. E não discuto. Canalhas. Não me venham falar mal do Congresso Nacional: vocês são piores do que eles.