Olá, crianças. Titio Marco Aurélio acaba de chegar da …dmia.
— DE ONDE???
DA ACADEMIA, CARALHO! DA ACADEMIA! Primeiro dia hoje. E o pior foi que… que… gstei…
— HEIN???
EU GOSTEI DAQUELA PORRA! Tá, foi primeiro dia e tal, peguei leve. Mas foi legal.
Nunca tinha entrado numa academia. É engraçado. Aquele monte de pessoas andando, correndo, pedalando, subindo escada, tudo sem sair do lugar. Aí quando saem da academia, pegam o carro para irem até suas casas a duas quadras de distância. Trabalham no segundo andar e sobem de elevador. Lastimável. Além do mais, eu sempre imagino como seria um visitante de outro planeta presenciando certas situações. Creio que numa academia, vendo todas aquelas pessoas correndo em esteiras, o hipotético visitante jamais acreditaria que somos os seres dominantes do planeta. Não, de jeito nenhum: pensaria que somos os hamsters de estimação de uma espécie superior.
Considerações filosóficas à parte, academia, assim como banheiro, é lugar para se fazer esforço, e foi o que eu fiz. Cheguei e o instrutor (muito gente boa, para minha decepção: eu estava torcendo para ser um brucutu sem cérebro, só pra depois eu poder falar mal) me perguntou se eu já havia feito academia — não —, se praticava esportes — não —, se fazia alguma atividade física, qualquer atividade física, pelo amor de Deus!!! Hmmmmm… Nhá. Depois de enxugar uma lágrima furtiva do canto do olho, ele me levou até a esteira. Explicou como funcionava, regulou pra 4 km/h e me falou para fazer 40 minutos. Claro que eu sou desobediente, então fui aumentando a velocidade da esteira até chegar a 5km/h e fiz uma hora e dez. Pouco mais de cinco quilômetros. Na boa.
— Tá bom já, Marcão. Vamos fazer umas abdominais agora?
É claro que esse “vamos” era o tal de plural majestático, ou sei lá o nome desse treco: o papai aqui é que ia fazer as (os?) abdominais. E foi aí que a porca torceu o rabo, e eu também. Subi lá, o cara me explicou como funcionava o aparelho (sabem aqueles robôs de combate de Matrix Revolutions? Então, o aparelho não tinha nada a ver com eles). Olhou pra minha barriga — o que exigiu um movimento bem abrangente de olhos — e deu minha sentença:
— Duzentas, beleza? Vinte séries de dez. Acha que agüenta?
— Sei lá, não faço abdominais desde os 17 anos. Mas posso tentar.
Fiz dez séries e já queria sair correndo daquele lugar, chorando e arrancando os cabelos (da bunda). Mas depois da 12ª série o negócio foi ficando mais tranqüilo e acabei fazendo 40 séries. QUATROCENTAS ABDOMINAIS, MEU DEUS! Os músculos da minha barriga, que não davam o mínimo sinal de vida pelo menos desde 1992, me disseram “oi” hoje. Acho que amanhã eles passarão o dia gritando “FILHO DA PUTA!”, mas tudo bem.
Depois dos abdominais, o instrutor me mandou pra casa. Deve estar torcendo pra eu não aparecer mais. Doce esperança! Amanhã estou lá no mesmo horário. No fim das contas, foi um negócio bom. Entrei em contato com partes do meu corpo que eu nem lembrava mais que existiam, como o impotente que, depois de anos, finalmente resolve seguir o conselho do Pelé e falar com seu médico. Não, caralho, não fiz musculação peniana. Vocês entenderam!
E tem a mulherada da academia. Ah, se eu não fosse comprometido…