Aliás, essa técnica de escolher livros pelo primeiro parágrafo é tão boa quanto qualquer outra. Quando li, por exemplo,

O Paraíso não é um estado de espírito. É um lugar. Se você der dois passos pra fora, está fora; se der dois passos pra dentro, está dentro. Uma vez lá dentro, você pode pisar à vontade na grama, dar cambalhotas, pode até se machucar dando cambalhotas, porque o chão não é de ectoplasma, não é de nenhuma espécie mística de fog, não é de gelatina amorfa; é matéria, pura e sólida e dura matéria. Mesmo os Anjos são matéria. Se você perguntar a eles se acreditam em algo que não seja matéria, eles vão rir da sua cara. Logo, eles não só são matéria, como são materialistas; e não só são materialistas, como são ateus.

eu soube imediatamente que A Coisa Não-Deus, de Alexandre Soares Silva, merecia ser lido. Não sabia ainda se era bom ou ruim, mas o comecinho dava vontade de ler o resto, e é isso que se espera de um primeiro parágrafo. Acabou que li o livro todo em um dia e ele pulou imediatamente pra minha lista de livros queridos. É original, leve, despretensioso, inteligente, engraçado; tudo o que o primeiro parágrafo já deixava entrever.
Quando terminei de ler A Coisa Não-Deus, pensei em classificar Alexandre Soares Silva como um Lovecraft do bem. Bobagem: um Lovecraft do bem já existe, e se chama Monteiro Lobato. O livro parece algo escrito pelo Monteiro Lobato com pinceladas de C.S. Lewis e Conan Doyle (influências reconhecidas do Alexandre).
Então o que vocês estão esperando? Eu é que não vou falar mais sobre o livro, estragaria tudo. Leiam! Comprem: