Teor de gelamento
Fui ver Avatar na quarta-feira. É só uma xaropada ambientalista, e nem toda a tecnologia do mundo basta para compensar tanto clichê. Então nem vou falar do filme. Em vez disso, conto uma cena que aconteceu no cinema.
O Marabá reabriu, então agora eu e a marida temos um cinema — multiplex com sala 3D e tudo mais — a poucos metros de casa. Fomos até lá; tinha fila, coisa rara em cinemas de rua e mais rara ainda no centro de São Paulo. Mas compramos nossos ingressos, entramos na sala, pegamos nossos óculos 3D e eu saí para comprar água. Tinha fila também, e andava devagar. O rapazinho do balcão, coitado, tinha que fazer tudo ao mesmo tempo: atender, servir e cobrar. Na minha frente, várias bichinhas pagando qualquer dôrreal com cartão de débito — o que tornava o atendimento mais lento ainda. Com tudo isso, um sujeito ainda resolveu decidir o que queria só quando chegou sua vez de ser atendido. Meio na dúvida, olhou para a máquina de refrigerantes:
— Qual está mais gelado?
“Tudo igual”, poderia responder o rapazinho do balcão. Mas não. Nããão. Ele é um profissional de atendimento ao público e, como tal, não pode se limitar aos recursos mais básicos da linguagem. Claro que não. Ele pensou por um instante e respondeu:
— Todos têm o mesmo teor de gelamento, senhor.
TEOR DE GELAMENTO!
Eu precisava compartilhar isso com vocês. Feliz Natal.


